Capítulo 8

1153 Words
Eu senti algo gelado na marcação do ferimento, cheiro de incenso e ouvi um burburinho. Ao me lembrar da flechada seca que levei e da ruiva gostosa e malígna me apontando para alguém, acabei por abrir os olhos repentinamente. Infelizmente, aquele ambiente era muito familiar. Tinha uma pasta verde e nojenta em cima do meu ombro, mas muito gelada e fresca. Não havia o calor do sangue, apesar de eu me sentir um pouco fraca. No entanto, o mais assustador foi o lugar onde acordei. O quarto ainda era uma estrutura gigantesca. Os tons amarelos e vermelhos faziam as minhas recordações transpirarem na minha pele e percorrer minha espinha. Era um dejavu macabro, porque alguns detalhes foram modificados, mas o essencial estava lá. O vermelho e o dourado decoravam o quarto. Seu caminho era de ouro, seu assento e seus detalhes brilhavam de um dourado intenso. Seus panos intermediavam entre branco e vermelho, sendo a maioria em vermelho. As paredes do quarto se igualavam à construção maciça de pedras. No fundo tinha uma escada larga e aberta, assim como tudo lá dentro. A cama enorme tinha uma lateral danificada, um dos pedestais estavam rachados, mas era um visível sinal claro de luta. As mantas avermelhadas e os detalhes dourados se faziam notáveis, assim como o acesso para o terraço. O topo do castelo. O espaço continuava amplamente grande, sendo capaz de suportar um lobo em seu centro e com a vista lunar despontando o alto, mas aquele cenário não tinha mais um Alpha como chefe. Era um impostor. — Os prisioneiros de meu inimigo, são meus aliados. — A voz grave e rouca, tinha um entalhe medonho quando tocava o ar. Malekith sempre citou de um modo passageiro uma guerra e assim que olhei para o lado, tocando as mantas macias da cama, vi um rosto vagamente conhecido. Aquele i****a ruivo era um cehfe de um clã i****a que tentou me colocar num ritual macabro para impedir o nascimento de Zeus. É claro que ele, agora, não fazia ideia de quem eu sou, mas eu sei que aquela praga não é confiável. — Quem disse que sou sua aliada? — soltei, tocando o gel fedido em meu ombro, notando que as ervas fez o ferimento se fechar. Havia duas mulheres atrás de si, uma senhora e outra mais nova. Elas tinham várias bugigangas penduradas no corpo, usavam de bastante pele e tinham tinta vermelha no rosto. O homem, grande e truculento, com uma barba extensa e a cabeleira vermelha, me olhou com cautela. — É melhor que saiba usar suas palavras, divindade. — Ele me alertou. — Não tenho escrúpulos para me conter. Já provei inúmeras vezes que a vontade dos Deuses não está acima de mim. — Eu olhei para as mulheres atrás dele, que seguravam panos e uma bacia na mão e esperavam por alguma reação de autorização para seguir em frente, as duas visivelmente com medo. — Você é o Alpha? — perguntei com cuidado. — Alpha? — Ele riu, deu um passo à frente e eu me mexi desconfortável quando ele se sentou na beirada da cama e pegou uma mexa do meu cabelo. — Decididamente, o despontar de um Alpha é algo realmente grandioso. A Ascensão de um Alpha pleno é a perfeição, mas com o tempo, descobri que Alphas são meramente vencíveis. E para tornar o meu legado grandioso, Deus Sol. Serei tão imenso, que até a infinidade irá se reverenciar diante da minha grandeza. Eu pisquei, olhei pro ruivo com duas faixas vermelhas marcando o rosto, vi que ele não era de se jogar fora, mas o cérebro dele era uma ameba. E quando menos percebi, comecei a rir. Eu juro que tentei levar aquilo a sério, mas Deus Sol? Logo as duas mulheres começaram a se entreolhar confusa e o homem grandão soltou a minha mecha, ficou extremamente ofendido e me olhou de um modo duro. — Do que zombas? — soltou entre os dentes. — Desse enredo! — respondi no meio da risada — Cara, que merda, né não? Deus Sol? Nem pra quem escreve te dar uma idéia melhorzinha, tocar o terror, deixar essa p***a insana… Deus Sol? — Eu continuei a rir. — Tá, Deus Sol é um nome maneiro, mas vindo desse seu discurso cafona aí? Não, cara, Definitivamente Deus Sol é uma merda. Ninguém vai te respeitar com isso não. Travei a risada, abri a boca e correspondi a fechada de mão em meus fios imediatamente. Segurei em seu pulso, cerrei os dentes de dor e senti seus dedos se fecharem no meio da cabeleira, bem a bairrada da nuca. Devagar, ele aproximou o rosto em meus ouvidos e me segurou firme, não me dando oportunidade de escapar. — Deus Sol. — respondeu sombriamente — E necessito de uma lua bem fértil. Desde a queda daquele maldito, não temos o sinal de uma mãe de cio tão viva quanto as previsões. — Ele me empurrou, eu voltei a respirar melhor sem sentir a dor e o vi se levantar. — Terei inúmeros frutos divinos e serei o lobo mais poderoso de todos os tempos. — Você acabou de dizer que está acima dos Deuses! — reclamei e o olhei séria — Porque uma loucura dessas? — Não me tomes como um t**o, divindade. Meu povo ainda se rende às crenças místicas dos céus. — respondeu neutro — Darei a eles o que anseiam, e ainda terei um poder divino em minhas mãos. Ele se virou, deu alguns passos rumo a porta gigantesca, mas eu ainda perguntei. — Como sabia sobre mim? — perguntei, sabendo que aquela ruiva me entregou. Mas, se ela levou o inimigo até lá para me capturar, ela podia levar mais. — Nefertiti me entregou? — É um belo nome, mas não compactuo com as manchadas que tiveram a audácia de desejar o p****e Alpha. — Ele respondeu, e para minha surpresa ela não era a traidora. Quando ele abriu a porta, Tesla passou por ela, vestindo suas mantas grossas e um capuz gigantes. Ela jogou o capuz para trás e mirou meus olhos espantados, no mesmo momento em que o brutamontes segurava seu rosto de forma rude e lhe olhava com escárnio. — Se dessa vez eu não acender, a xamã irá morrer. — Sim senhor. — respondeu no meio do rosto apartado e tossiu quando o homem a soltou. Ele fechou a porta, as duas mulheres finalmente se mexeram e vieram me ajudar, enquanto eu estava lai, estagnada e mirando os olhos de Tesla. — Tesla…? — Ela levantou as mãos sutilmente e apontou o indicador para cima, enquanto eu entendia que deveria ser um sinal de espera ou silêncio. E foram os piores minutos de minha vida. Sabe, dessa vez eu não sabia o que fazer ou o que esperar. Tesla…? Não podia ser. Eu esperava uma ruiva mexicana bancando a ciumenta, mas ela?
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