Capítulo 7

481 Words
Eu me recordei do dia em que estava saindo de casa, tentando ir para mais uma jornada de trabalho. Batemos o carro em Malekith, e eu me recordei do tamanho do susto que foi revê-lo. Era como se eu pudesse reviver a cena, estar lá novamente e sentir as dores da confusão em minha cabeça. Quando sofri o acidente de avião e acordei na ilha, eu vivi uma vida, mas quando voltei pra casa, me sentia vazia e sem um pedaço de mim. Mesmo sem saber o verdadeiro motivo. Mesmo que eu não lembrasse verdadeiramente do que tinha passado, não vivia plenamente. Sempre estava em falta de algo e sem saber o porquê. Ficar sozinha me fez entender isso, e assim entender Malekith. São efeitos diferentes, e como aqui o fio do destino é extremamente importante, essas consequências foram além. E quando abri os olhos adormecida sobre a grama verde, sentindo um pouco de sol, era como se uma luz tivesse tocado a minha mente. — Malekith! — soltei entre os lábios, sozinha no cárcere do meu paraíso. Tentei me levantar, evitei gemer por dormir no chão duro e já senti os primeiros roncos da barriga, reclamando da ausência do abastecimento. Tentei tirar a sujeira que colou no cabelo neste meio tempo e abaixar com os dedos as mechas que pegaram volume. Bati a mão nas roupas e, sem fazer a mínima ideia do horário, estava disposta a tentar modificar a situação. O problema é que eu não esperava uma ruiva gostosa entrando na gruta paradisíaca, com um olhar de poucos amigos e um homem ainda mais suspeito com ela. Eu estava do outro lado do lago, quando ela simplesmente levantou a mão e me apontou o dedo. — Ali está, a estrangeira é toda sua. Alguma coisa me dizia que o que ela estava fazendo ou aprontando não ia acabar bem, pelo menos não para mim. E foi dito e feito. Atrás dela, surgiu mais uma porção de homens vestidos de um modo selvagem, cheio de peles de animais no corpo, ossos pendurados e um olhar de periculosidade. Quando eu abri a boca, senti uma dor lancinante tocar o meu ombro, impedir a minha voz e estremecer o meu corpo. Ao olhar para o lado, tentei mexer o meu braço, pisquei devagar e senti uma tontura imediata. Uma flecha de bico fino adentrou a carne do meu ombro, entremeio a musculatura dos ossos, distante do coração, mas sangrou na mesma hora e, suponho, que havia alguma coisa na ponta da flecha. A sensação de dormência foi imediata, minhas pernas bambearam e eu caí no chão igual um tomate podre. — Eu disse que você ia se arrepender. — Seu rosto surgiu no meio das minhas vistas, querendo se fechar enquanto alguma coisa acontecia. — Vaca. — respondi fraca, notando que ela não esperava aquele retorno, enquanto meus olhos se fechavam.
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