“Nem todo afastamento vem com um adeus, às vezes ele chega em silêncio, e fica.” A batida na porta ecoou pelo quarto de forma inesperada. Duas vezes. Seca, direta. Eu demorei alguns segundos para reagir. Estava sentada na beira da cama, o celular na mão, encarando uma conversa que eu não tinha coragem de continuar, ou de apagar. A batida veio de novo, mais insistente. — Já vai! — respondi, a voz mais baixa do que eu gostaria. Levantei devagar, como se meu corpo estivesse alguns segundos atrasado em relação à minha mente. Caminhei até a porta e abri. Ari estava ali, mas não do jeito de sempre. Ela não sorriu, e isso já foi suficiente pra me deixar alerta. — O que foi? — perguntei, franzindo levemente a testa. Ela hesitou por um segundo, depois estendeu a mão. — A Laura pediu pra te e

