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E se o tempo parasse?

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Blurb

Elena aprendeu cedo a esconder seus sentimentos atrás da ambição e do trabalho. Construir uma carreira sólida em Paris foi sua forma de sobreviver a dor de um passado m*l resolvido. Anos depois o destino faz com que Elena retorne a sua cidade natal, colocando-a frente a frente de um momento decisivo. Entre ruas frias de Paris e o calor vibrante de Miami, passado e presente se entrelaçam em uma história sobre escolhas, amadurecimento, perdas e reencontros. Porque, às vezes, o tempo passa... mas alguns amores não sabem ir embora.

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Capítulo 1
"Alguns lugares guardam mais do que memórias - guardam versões de nós que nunca aprendemos a deixar para trás." As ruas de Paris estavam frias naquela manhã de sábado e, como consequência disso, o som dos passos apressados de pessoas atrasadas para o trabalho e as várias buzinas ensurdecedoras estavam ausentes. Cheguei à empresa antes do horário marcado, então decidi caminhar até o café que ficava no final da rua. Estava exausta, mas precisava de manter-me acordada e a ideia de enfrentar uma reunião logo cedo deixava-me ainda mais cansada. Empurrei a porta de vidro do pequeno estabelecimento e o cheiro familiar de café recém-passado imediatamente envolveu-me. Entrei no local já recebendo um animado “bom dia” vindo de Suzan, uma das funcionárias do café. Sorri, cumprimentando-a de volta, e aproximei-me do balcão para fazer o pedido. Em seguida, sentei-me numa mesa próxima à porta de saída enquanto esperava. Apesar de passar a maioria dos meus dias numa cozinha industrial, eu sempre encontrava um tempo livre para ir até o Le Coffee tomar um café enquanto lia um bom livro. Era quase um ritual pessoal. Um pequeno momento de pausa em meio ao caos de pedidos, eventos e reuniões. Era incrível como nada ali havia mudado desde que cheguei a Paris, há oito anos. Cada cadeira continuava no seu devido lugar, as mesmas molduras decoravam as paredes e até mesmo o cheiro do ambiente parecia o mesmo. Quando entrei ali pela primeira vez, jamais imaginaria que a realização do meu sonho estaria a poucos metros daquele mesmo local. Lembro perfeitamente do primeiro dia. Eu ainda era apenas uma estudante estrangeira tentando sobreviver numa cidade completamente nova. Tudo parecia grande demais, rápido demais, distante demais. Paris me intimidava, mas ao mesmo tempo me fascinava. Fui interrompida das minhas lembranças quando percebi a presença de alguém à minha frente. — Pensei que não fosse notar a minha presença aqui tão cedo. Levantei os olhos e imediatamente sorri. — Ari! — disse surpresa. — Desculpa! Faz muito tempo que você está aqui? — O suficiente para me deparar com uma Elena pensativa. Está tudo bem? — Está sim. Eu só estava um pouco distraída. — Dei de ombros. — Como sabia que eu estava aqui? Notou como a rua está vazia? — Você já olhou para o relógio? São sete da manhã de um sábado, Elena. As pessoas normais estão dormindo. — Ariana levou as pequenas mãos à cabeça em sinal de negação. — E eu realmente espero que Keana tenha uma boa explicação para marcar uma reunião em pleno sábado. Suspirei. — Nem me fale. — E quando eu cheguei, vi o seu carro na garagem. Então pensei: em que outro lugar você poderia estar além de descontar o seu mau-humor matinal numa boa xícara de café? — Às vezes tenho a impressão de que você me conhece mais do que eu mesma. — Sorri. — Estou a cogitar seriamente a possibilidade de acabar com Keana caso não seja nada de urgente. Minha cama não merece ser abandonada por qualquer motivo. — Se precisar de ajuda, estarei bem ao seu lado. Nós duas rimos. Ari e eu nos conhecemos na faculdade de gastronomia e, desde então, nunca mais nos separamos. O que começou como uma simples amizade entre duas estudantes cansadas de trabalhos práticos intermináveis acabou se transformando em algo muito maior. Além de minha melhor amiga, Ari também se tornou minha sócia. Compartilhávamos o mesmo sonho desde o início: construir algo nosso, algo que levasse o nosso nome e a nossa dedicação. Ela era o mais próximo que eu tinha de uma família em Paris. Em seis anos morando na cidade, meus pais haviam me visitado apenas três vezes. A distância nunca foi fácil, mas o trabalho sempre serviu como uma distração eficiente. Poucos meses depois que decidimos entrar no mundo dos negócios, conhecemos Keana num jantar onde discutíamos o começo de tudo. Aquela conversa, que deveria ser apenas uma troca de ideias, acabou a dar origem a uma sociedade inesperada entre nós três. E assim nasceu a Sweet Dreams, nossa empresa de buffet especializada nos mais variados estilos de eventos e festas. No começo foram aniversários pequenos, depois eventos corporativos, festas sofisticadas, casamentos… e quando percebemos o nosso nome já circulava por lugares que jamais imaginamos alcançar. O relógio marcava 7h40 quando percebemos que já era hora de voltar para a empresa. Terminamos o café e seguimos caminhando pela rua ainda silenciosa. Conversamos durante todo o trajeto sobre as possíveis razões daquela reunião inesperada, mas Keana era a única que tinha conhecimento do assunto. Chegamos à Dreams poucos minutos depois e fomos direto para a sala de reuniões. Assim que abrimos a porta, demos de cara com todos os membros da equipe já sentados nos seus lugares, aparentemente apenas nos esperando. O rosto de alguns demonstrava curiosidade, enquanto outros cochichavam discretamente tentando adivinhar o motivo daquela convocação. Não demorou mais que um minuto até Keana se levantou. — Agora que todos já estão aqui, podemos começar a nossa reunião. Ela olhou diretamente para mim e abriu um breve sorriso. — Como vocês sabem, as portas para o nosso reconhecimento fora do país começaram a se abrir nos últimos seis meses. E devemos isso ao trabalho grandioso e à extrema dedicação de cada um de vocês. Mas eu não os tirei da cama tão cedo para dizer algo que todos já sabem. — Ainda bem — disse Ari fingindo seriedade. — Porque eu já estava me preparando para comandar a greve das reuniões. Algumas risadas ecoaram pela sala. — Então fique tranquila, Ari. — Keana entrou na brincadeira. — Juro que é por uma boa causa. Ela respirou fundo antes de continuar. — Ontem à noite recebi uma ligação de Troy, um dos nossos representantes em Miami. Ele disse que fomos chamados para atender a um casamento luxuoso de última hora. O burburinho na sala começou imediatamente. — A cerimônia será realizada em Miami. Por isso preciso que uma equipe se organize o mais rápido possível para viajar em dois dias. Meu coração deu um leve salto. Miami. — E como vocês sabem — continuou Keana — prometi à minha prima que cuidaria pessoalmente da festa de aniversário dela. Então não poderei viajar. Ari, Elena… vocês terão de ir para Miami com a equipe. — Espera… o quê? — perguntei, ainda tentando processar tudo. — Eu sei que está em cima da hora, Elena. Mas não podemos perder essa oportunidade. — A Keana está certa — disse Ari rapidamente. — Essa é a nossa chance de mostrar o nosso trabalho em outro mercado e finalmente entrar no cenário internacional. Além disso… a sua família está lá, não está? Você poderia vê-los. Já faz mais de dois anos. Suspirei. — Ver meus pais é uma proposta tentadora. Mas vocês sabem que um evento desse tamanho exige degustações, testes de cardápio, criações… estamos falando de quanto tempo? Jason, um dos nossos assistentes, respondeu imediatamente. — Um mês e meio. — O quê? — Já reservamos apartamentos para toda a equipe. Inclusive um para você e Ari. Troquei um olhar silencioso com minha amiga. — Pensa bem, Elena — sussurrou Ari ao meu lado. — Talvez essa seja a oportunidade da nossa vida. Miami. Eu sabia que um dia teria de voltar para a cidade onde nasci e cresci. Mas não imaginava que esse momento chegaria tão rápido. E, principalmente, não imaginava que voltaria por causa do trabalho. O fato de eu não ver meus pais há mais de dois anos não era apenas por falta de tempo — embora eu usasse essa desculpa com frequência. Voltar para Miami significava reviver lembranças que eu havia passado anos tentando enterrar. Pedi a Keana um tempo para pensar, mas recebi apenas um breve: — O nosso tempo é curto. A reunião terminou poucos minutos depois. Saí do prédio quase automaticamente, entrei no carro e dirigi até a minha casa. Um bom banho era exatamente o que eu precisava naquele momento. Quando o relógio marcou 23h, os meus olhos já pesavam de cansaço. Passei boa parte do dia tentando não pensar em nada relacionado à empresa — o que, inevitavelmente, incluía a viagem para Miami. Na outra metade do tempo, tentei fugir das inúmeras ligações de Keana. Eu sabia que ela estava certa. Aquela viagem poderia abrir portas internacionais para a Sweet Dreams. Era o tipo de oportunidade que qualquer empresa desejaria. Mas voltar para Miami não fazia parte dos meus planos. Suspirei. Por outro lado, o domingo prometia ser tranquilo. Laura passaria o dia comigo, e só de pensar nisso já me sentia mais leve. Laura e eu nos conhecemos cinco meses atrás, em um dos eventos organizados pela empresa. O pai dela, Carlos, havia patrocinado a festa. Desde então, passamos muito tempo juntas. Nunca houve um pedido oficial de namoro, mas nossos amigos e famílias pareciam ter decidido isso por nós. Não demorou muito para que eu pegasse no sono. Acordei com a sensação suave de lábios macios tocando a minha bochecha. Abri os olhos lentamente, incomodada pela luz do sol que entrava pela janela entreaberta. Laura estava sentada na beira da cama. — Bom dia, dorminhoca — disse ela, sorrindo. — Você sabe que horas são? — Hora de voltar a dormir? — murmurei, puxando o cobertor sobre a cabeça. — Engraçadinha! Já são dez da manhã e você ainda nem tomou café. Ela puxou o cobertor. — Você tem dez minutos para levantar daí ou nem queira saber o que eu vou fazer. Depois da ameaça matinal, Laura saiu do quarto. Levantei rindo e fui direto para o banheiro. Vinte minutos depois, já estava pronta e caminhando até a cozinha. Laura estava sentada à mesa. — Bom dia — disse eu, animada, depositando um selinho nos seus lábios. Ela me observou por um momento. — Você parece exausta. Como foi a reunião de ontem? Meu coração acelerou. — Ah… nada urgente. Keana só queria confirmar que tudo está indo bem na empresa. Mudei rapidamente de assunto. — E então, o que vamos fazer hoje? Laura arqueou uma sobrancelha, mas decidiu não insistir. — Pensei em ficarmos por aqui. Pedimos comida, assistimos alguns filmes… — Perfeito. Passamos a tarde inteira assistindo filmes aleatórios. Tentei convencer Laura a assistir Pretty Little Liars, mas ela recusou. Como sempre. Quando percebi, ela havia adormecido ao meu lado no sofá. Eu ainda não havia contado sobre a viagem. Não porque estivesse escondendo algo. Mas porque, para mim, aquilo nem sequer estava em discussão. Eu não pretendia ir. Acabei pegando no sono também. Acordei horas depois e única luz da sala vinha da televisão. Olhei para o relógio, 21h. Me levantei e fui até a cozinha pegar água quando encontrei Laura parada perto da bancada segurando meu celular. — Ari acabou de desligar — disse ela, me entregando o aparelho. — Ela já tinha ligado duas vezes. Meu estômago revirou. — Vocês conversaram? — No começo ela não sabia que era eu. Mas estava preocupada em saber se você já respondeu à Keana sobre Miami. Silêncio. — Laura, eu… — Quando você pretendia me contar? Respirei fundo. — Eu ia te contar. Só não achei importante agora porque… eu não pretendo ir. Ela franziu a testa. — Por quê? — Porque isso significa voltar para Miami. Laura se aproximou. — Elena… essa é uma oportunidade gigantesca e eu vou estar aqui quando você voltar. - Ela disse sorrindo. - Eu não estou triste por você ir… só fiquei chateada por você não ter me contado antes. Vocês têm um talento incrível. Não podem desperdiçar isso. Suspirei. — Certo, eu vou. — Então avise a Ari. Enquanto isso, vou preparar um banho de banheira para nós. Peguei o celular e enviei uma mensagem para Ari. “Tudo bem. Vocês venceram. Avise a Keana.” A resposta chegou quase imediatamente. “Ótimo. Aeroporto amanhã às 7h. E desculpa pela Laura. Arrume suas malas!” Suspirei. Miami. Eu estava voltando.

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