O DESEJO

661 Words
A luz da manhã entrava pelas janelas altas da oficina, cortando o ar em feixes de poeira dourada. O som metálico de uma chave de boca batendo no chão ecoou lá embaixo, mas no mezanino, o silêncio era profundo, apenas interrompido pela respiração rítmica dos três. ​Yona abriu os olhos, sentindo o peso familiar sobre seu corpo. O braço de Caleb, pesado e moreno, estava atravessado em sua cintura, prendendo-a contra o colchão. Atrás dela, o calor que emanava de Seth era como uma lareira acesa; ela sentia o nariz dele roçando sua nuca, o hálito quente enviando arrepios por sua coluna. ​— Está acordada — a voz de Caleb saiu grossa, um rosnado matinal baixo contra o travesseiro. Ele não abriu os olhos, apenas apertou a posse sobre ela. — Consigo sentir seu coração acelerando. ​— É difícil não acelerar — Yona sussurrou, girando a cabeça o suficiente para ver o perfil dele. — Eu ainda estou tentando entender como vim parar aqui. Como isso... como isso tudo se tornou minha vida. ​Seth se moveu atrás dela, a mão deslizando pela curva do seu quadril com uma malícia preguiçosa. ​— Você não veio parar aqui, boneca — Seth murmurou, a voz rouca de sono, mas já carregada de provocação. — Você foi puxada. Como o ímã que você é. Eu e o Caleb somos apenas o aço que não teve escolha a não ser colar em você. ​Yona suspirou, fechando os olhos enquanto as mãos dos dois começavam a explorar sua pele sob os lençóis. ​— Mas vocês são irmãos — ela disse, a voz vacilando entre a confusão e o desejo. — Como conseguem fazer isso? Como não querem me tirar um do outro? ​Caleb finalmente abriu os olhos, negros e intensos, encarando-a com uma seriedade que a fez perder o fôlego. ​— Porque nós somos as duas faces da mesma moeda, Yona. O que eu não te dou, o Seth dá. O que ele não protege, eu protejo. — Ele levou a mão ao rosto dela, o polegar calejado traçando seu lábio inferior. — Se eu tentasse te ter sozinho, eu te esmagaria. Se o Seth te tivesse sozinho, você se perderia no fogo dele. Juntos, nós te mantemos inteira. ​— E nós queremos que você aprenda a gostar do peso — completou Seth, sentando-se e puxando o lençol para baixo, revelando a pele pálida de Yona contra o couro escuro da cama. — Você passou a vida se escondendo, sendo a "boa menina". Aqui dentro, sob este teto de zinco, você pode ser o que quiser. Pode ser suja, pode ser voraz, pode ser nossa. ​Ele se inclinou, beijando o pescoço dela enquanto Caleb subia o corpo, cercando-a por cima. Yona sentiu a dualidade que a definia agora: a segurança absoluta de Caleb e a excitação perigosa de Seth. ​— Hoje — Caleb disse, a voz vibrando contra o peito dela — nós não vamos descer para a oficina cedo. O Mustang pode esperar. Eu quero que você aprenda a usar o seu corpo para pedir o que quer. Sem palavras, Yona. Apenas com a sua entrega. ​— Eu tenho medo de não saber como — ela confessou, as mãos agarrando os lençóis. ​Seth soltou uma risada baixa, uma vibração que ela sentiu entre as coxas. ​— Nós temos o dia todo para te ensinar, boneca. Vamos te mostrar que o prazer não é algo que você recebe, é algo que você conquista quando para de lutar contra o que sente. ​Lá embaixo, os portões reforçados de aço protegiam o mundo deles. Lá fora, Yona era uma fugitiva, uma órfã, uma sombra. Mas ali, sob as mãos dos irmãos Guedes, ela era a peça central de uma máquina poderosa, aprendendo que o amor e o desejo, quando fundidos pelo aço, criavam uma força que nada no mundo seria capaz de quebrar.
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