A porta de metal da oficina rangeu, um som que ecoou pelo galpão cavernoso como um tiro de largada. O cheiro de metal resfriado e óleo era mais denso à noite, privado da ventilação do dia.
YONA
Meus pés pareciam pesar toneladas enquanto eu caminhava em direção à única luz acesa ao fundo. A oficina, que de dia era um caos de atividade, agora parecia um altar de ferro. Eu me sentia pequena, vulnerável sob o tecido fino do meu vestido de algodão, consciente de que não havia ninguém nas ruas para ouvir se eu decidisse gritar. Mas eu não queria gritar. Meu coração batia contra as costelas em um ritmo de expectativa que eu nunca havia sentido em nenhum altar de igreja. Eu podia sentir os olhos deles antes mesmo de vê-los. Eles estavam lá, fundidos às sombras, esperando por mim como se eu fosse a peça final de um motor que eles passaram a vida tentando consertar.
SETH
Lá estava ela. A luz âmbar da lâmpada de trabalho atingiu o rosto dela primeiro, e eu quase deixei o cigarro cair. Ela parecia um anjo que errou o caminho e acabou no inferno, e a parte mais sombria de mim estava adorando a confusão no olhar dela. Eu queria ver até onde aquela inocência ia antes de quebrar. Eu podia sentir Caleb a poucos metros de mim, a respiração dele tão controlada que era quase assustadora. Nós éramos predadores, e o ar estava tão carregado de eletricidade que eu jurava que, se encostasse em qualquer metal agora, sairiam faíscas. Ela não tinha ideia de que, na minha mente, eu já tinha traçado cada curva que aquele vestido escondia.
CALEB
Ela parou diante da bancada, as mãos entrelaçadas como se estivesse rezando. Eu não me movi. Fiquei na periferia da visão dela, deixando que minha presença a envolvesse como uma sombra pesada. Eu via o tremor sutil nos ombros dela, o jeito que o peito subia e descia rápido demais. Yona era o tipo de pureza que fazia um homem como eu querer se ajoelhar ou dominar. O silêncio entre nós três não era vazio; era preenchido por tudo o que não podíamos dizer. Eu observava a linha do pescoço dela, exposta, pulsando. Ela era um mapa virgem, e o desejo de ser o primeiro a explorá-lo era uma dor física no meu peito.
— Você veio — a voz de Seth cortou o silêncio, rouca e baixa, vibrando no espaço entre eles.
— Eu prometi — Yona respondeu, sua voz pouco mais que um sussurro que parecia acariciar as paredes de concreto.
Caleb deu um passo à frente, entrando no círculo de luz. O movimento fez Yona girar levemente, ficando exatamente entre os dois irmãos.
— O projetor está aqui — disse Caleb, apontando para a máquina sobre a mesa, mas seus olhos nunca deixaram os dela. — Mas para ele funcionar, você precisa entender como a luz é filtrada. Se a lente não estiver perfeitamente alinhada, a imagem se distorce. Ela se perde.
YONA
Caleb estava tão perto que eu conseguia sentir o calor irradiando do corpo dele. Ele não me tocava, mas o espaço de poucos centímetros entre nós parecia estar pegando fogo. Do outro lado, Seth se inclinou sobre a bancada, o sorriso dele era pura provocação, um desafio silencioso que fazia meu sangue ferver de um jeito que a Bíblia nunca explicou. Eu estava presa. Se eu desse um passo para trás, encontraria o peito de Caleb. Se desse um passo para frente, estaria nos braços de Seth. O ar estava escasso, denso com o cheiro de couro, tabaco e aquela masculinidade bruta que ameaçava desmantelar todas as minhas defesas.
SETH
Eu via o conflito nos olhos castanhos dela. Ela queria fugir, mas queria ficar. Ela olhou para o projetor, tentando focar em qualquer coisa que não fôssemos nós dois, mas o jeito que a língua dela passou rapidamente pelos lábios secos me disse tudo o que eu precisava saber. Ela estava sentindo o magnetismo. O aço estava começando a dobrar. Eu me inclinei mais um pouco, diminuindo a distância até sentir o cheiro de baunilha que emanava da pele dela, uma afronta deliciosa ao cheiro de graxa da minha vida.
CALEB
— Olhe para a lente, Yona — eu ordenei, minha voz saindo mais profunda, quase um comando. — Veja como ela foca quando eu giro o ajuste.
Eu estendi a mão, passando-a propositalmente perto do braço dela para alcançar o aparelho. Vi os pelos dos braços dela se arrepiarem com a pressão do ar do meu movimento. Ela soltou um arquejo curto, uma nota de surpresa e desejo contido que ecoou por toda a oficina. Naquele momento, eu soube. O que importava era que ela estava aqui, no escuro, entre dois homens que não tinham a menor intenção de deixá-la sair ilesa dessa tensão.
— É... é lindo — Yona conseguiu dizer, embora seus olhos estivessem fixos na sombra projetada de Caleb na parede, que parecia engolir a sua.
— A beleza é perigosa, Yona — Seth murmurou, os olhos brilhando como os de um lobo. — Especialmente quando não se sabe como controlá-la.
O projetor estava ligado. Um feixe de luz cortava a escuridão da oficina, projetando poeira dançante no ar e uma imagem embaçada na parede de concreto. Yona estava no centro, os sentidos tão aguçados que cada detalhe físico dos irmãos Guedes parecia amplificado pela penumbra.
YONA
Eu me sentia minúscula entre eles, mas não era uma sensação de fraqueza; era como se eu fosse o eixo de uma engrenagem poderosa. À minha esquerda, Caleb era uma montanha de contenção. O moletom cinza que ele usava parecia pequeno demais para a largura de seus ombros e a robustez de seus braços. Ele era o contraste perfeito: a pele morena escura sob a luz âmbar, o cabelo crespo bem cortado e aqueles olhos pretos que pareciam ler minha alma sem pedir licença. Mas meus olhos, traidores, baixaram por um segundo e o coração tropeçou. O tecido do moletom não conseguia esconder o volume impressionante entre suas pernas, uma promessa bruta de poder que me fazia perder o fôlego. Caleb era o peso, a terra, o homem que me esmagaria com prazer se eu permitisse.
À minha direita, Seth era a antítese elétrica. Branco, com o cabelo preto e liso caindo levemente sobre os olhos castanhos que brilhavam com uma malícia inteligente. O corpo dele era sarado, cada músculo desenhado como se tivesse sido esculpido para o pecado. Ao contrário do irmão, Seth parecia pronto para o bote a qualquer momento. E, assim como Caleb, ele não fazia questão de esconder a própria natureza; o volume evidente em sua calça jeans deixava claro que a conversa sobre "luz e sombra" era apenas o prefácio de algo muito mais carnal.
— A imagem está trêmula, Yona — Seth disse, sua voz deslizando como seda sobre a minha nuca. Ele se aproximou da bancada, as mãos apoiadas no metal, cercando meu lado direito. — Você precisa firmar a mão na alavanca.
— Eu... eu estou tentando — respondi, minha voz saindo mais fina do que eu pretendia.
— Tente com mais foco — a voz de Caleb veio de trás de mim, um trovão baixo que vibrou no meu peito. — Não olhe para a parede. Olhe para o mecanismo. Entenda como as peças se encaixam antes de querer ver o resultado final.
SETH
Eu via o jeito que ela olhava para Caleb. O respeito, quase o temor. Caleb tem esse efeito; ele é o carvalho, a fundação. Mas eu sou o que faz o sangue dela correr. Eu via como ela desviava o olhar do meu rosto para o meu quadril e depois voltava, corando furiosamente. Ela está chocada com o que estamos despertando nela. Ela é tão branca, tão delicada, que a ideia de vê-la marcada pelos meus dedos e pelas mãos grandes do meu irmão me dá uma ereção que chega a doer.
— Deixe-me te ajudar com o ângulo — eu disse, diminuindo o espaço até que meu hálito tocasse a orelha dela. — Você está muito tensa, boneca. Se não relaxar, vai acabar quebrando a peça mais importante.
CALEB
Seth é um desgraçado impaciente, mas ele está certo. Ela está prestes a quebrar. Eu conseguia ver o ritmo da respiração dela pelo movimento do moletom que eu mesmo usava e que agora parecia um convite ao toque. Eu queria colocar minhas mãos naquela cintura, sentir a diferença entre a minha pele escura e a brancura dela, e mostrar que o volume que a assustava era exatamente o que ela desejava secretamente. Mas eu precisava que ela desse o primeiro passo. Eu precisava que a "menina da igreja" admitisse que a oficina era o lugar onde ela realmente queria estar.
— O que você vê nessas imagens, Yona? — perguntei, dando um passo à frente, quase colando meu peito em suas costas. — Além da luz. O que você realmente está procurando aqui à noite?
Yona engoliu em seco. Ela sentia o calor de Caleb nas costas, a solidez de um muro moreno e robusto, e via o sorriso predatório de Seth à sua frente, o moreno de traços claros que parecia ler seus pensamentos mais impuros.
— Eu procuro... a verdade — ela sussurrou, com as mãos tremendo sobre o projetor frio.
— A verdade — Seth repetiu, a mão dele agora a milímetros da dela na bancada, sem encostar, apenas emanando calor. — A verdade é que você nunca foi olhada desse jeito por ninguém, não é? Nem por um homem, muito menos por dois.
— E a verdade — Caleb completou, a voz quase colada ao seu ouvido, fazendo o cabelo crespo dele roçar levemente na têmpora dela — é que você não veio aqui apenas pelo projetor. Você veio para ver se o que sentiu ontem era real.