Capítulo 3 - Provocando a Fera

3115 Words
Anne Já dizia a Lei de Murphy: Se uma coisa pode dar errado, dará! Às vezes parece que minha vida é uma pegadinha desses programas de TV e que quando eu menos esperar irão aparecer as câmeras escondidas e irei ganhar um grande prêmio por ser trouxa. Poderia enumerar o dedo podre que eu tenho para quando tudo insiste em dar errado de uma vez só. Foi assim na faculdade quando descobri a traição do meu namorado e logo depois descobrir que a garota era a minha amiga. E nessa semana presencio um crime, sou assaltada e depois passo a noite na cadeia. Nem ao menos tive a chance de fazer a ocorrência. Se isso foi um teste devo dizer que passei porque ainda estou viva, tirando que estou querendo matar um xerife e o garoto que roubou meu celular juntamente de minha bolsa Louis Vuitton. Pensando assim pareço a histérica da Yasmim, isso se dá pelos anos de convivência com ela. O meu fim de noite havia sido péssimo, m*l coloquei os pés dentro de casa e já me joguei no sofá como um saco de batatas. Meu sofá não era o mais confortável da face da terra, mas comparado a cama daquela cela era um luxo e eu me dei o prazer de tirar um longo cochilo nele, embora meu corpo desejasse hibernar pelas próximas 24 horas. Minha mãe havia interrompido meu sono ligando para o telefone aqui de casa, estava preocupada porque não me encontrava no celular que dava fora de área. Com toda certeza o menino espertinho já devia ter trocado de número e agora desfilava com meu celular por aí ou simplesmente vendeu o aparelho. Se ele viesse oferecer para eu comprar certamente sairia mais vantajoso que comprar um novo. Não consigo esconder muita coisa da senhora Christine, ela obrigou-me a contar o que havia acontecido, mas deixei que estava tudo bem e que não era para se preocupar. Impossível minha mãe não se preocupar. Sabia que a hora que colocasse os pés na lanchonete eu seria alvo de uma investigação digna de chamarem até os agentes da CIA para solucionarem o roubo do meu celular. A realidade era que eu estava morta, m*l me aguentava em pé. Arrisco dizer que se fechasse os olhos por alguns segundos eles se colariam e eu entraria num estado de coma. A sensação era de que quatro caminhões de carga haviam passado por cima de mim e voltaram para terminar o serviço. Eu deveria ter vindo para casa! Essa era a frase na minha cabeça. Não me conformo de ter dormido em uma cela, nunca havia entrado numa cadeia, muito menos sido presa. A vida realmente era uma verdadeira trollagem! A vantagem de morar sozinha é que o serviço que sua mãe te mandaria fazer você poderia simplesmente ignorar e fazer em outro momento. Não tinha estruturas para lavar um prato, muito menos colocar roupas para lavar. Jessie sentiu que as coisas não iam bem e optou por ficar dormindo o dia todo. Estava adiando o momento de ter que sair de casa, infelizmente teria que trabalhar e meu estado vegetativo teria que ser deixado de lado para eu usar a fantasia da Anne sorridente e receptiva até o meio da madrugada. Minhas pernas insistiam em não andar rápido, as calçadas pareciam intermináveis que até os pequenos ladrilhos eu estava contando para ver se chegava mais rápido ao meu destino. Poderia ser comparado a um jogo de campo minado: desviar de pessoas, pedras, pombos até enfim eu passar pelas enormes portas do banco e passar de fase. Saquei dinheiro suficiente para comprar um celular melhor que o antigo e para ir de táxi para a lanchonete. Não aguentaria outra caminhada. Quando coloquei os pés no Best Burguer meus pais me encheram de perguntas. ― Mãe, pai, já está tudo bem, dei depoimento na polícia e fui para casa dormir ― assegurei-os, transparecendo seriedade e verdade em cada palavra. Nunca que iria contar que tinha sido presa. ― Filha, por que você não volta a morar conosco? ― Minha mãe praticamente suplicou. Eles sabiam que eu não faria isso. Saí de casa pelo simples motivo de querer mais liberdade e privacidade, não que eu me sentisse presa, mas com eles eu sempre teria as coisas ali em mãos. Sempre quis fazer e conquistar as coisas pelo meu próprio esforço e é o que estou fazendo. ― Nem pensar, eu já sou grande o suficiente para me cuidar. E vocês dois sabem que eu gosto de morar sozinha ― isso não era segredo. ― Não adianta, querida, ela não vai voltar para casa, é tão teimosa. Nem o carro que queremos dar ela aceita ― meu pai disse para minha mãe. ― Vou colocar meu avental ― suspirei e sai dali antes que precisasse explicar mais alguma coisa. Yasmim entrava apressada que parecia fugir da morte. ― Está atrasada, boneca! ― ri sarcástica. Ela beijou minha bochecha e correu se arrumar. ― Esqueci meu casaco e tive que voltar. Que raiva! ― Sua respiração estava acelerada. Yasmim encarou-me pelo espelho por alguns segundos. ― Nossa, morena, você está péssima! ― Fez uma careta apontando para meu rosto. A verdade era que eu estava parecendo uma panda, minhas olheiras estavam horríveis e meus olhos fundos. Nunca havia dormido tão m*l em todos esses meus vinte e cinco anos de vida. Até meu cabelo insistia em se manter acabado em solidariedade a todo o resto do meu corpo. ― Você sabe o porquê! ― Falei como se fosse óbvio. ― Você é muito azarada, amiga ― bateu no meu ombro com um sorriso compreensivo. ― E o xerife é bonito? Você disse que ele é novo ― fez uma careta pensativa. Eu entendia a careta dela, xerifes são sempre velhos e barrigudos e ter um homem da idade desse Santana era no mínimo estranho, mas eu não entendo nada de leis então não tenho como argumentar. ― Ele não é feio, mas é bem i****a, e isso já é o suficiente para eu odiá-lo ― rolei os olhos. ― Ainda não consigo acreditar que você foi presa ― começou a rir. Foi uma péssima ideia contar isso para ela, no entanto eu precisava dividir com alguém esse fato trágico da minha vida. ― Fala baixo! ― Disse eu. ― Isso não tem graça, ele insinuou que eu estava trabalhando na rua de novo. Esse cara é um louco! E por mais que eu trabalhasse ele não teria o direito de falar assim comigo ― balancei os ombros. Ele não me conhece, não sabe nada sobre mim. Yasmim começou a pentear seus cabelos pretos e os prendeu num coque apertado, pôs o avental e seguimos para começar mais um dia intenso de trabalho. Fim de semana a lanchonete sempre lota e por mais que tenha várias garçonetes quase não damos conta de todas as mesas. Meus pais construíram a lanchonete quando eu ainda era criança, na época era apenas um café pequeno e eles davam conta sozinhos. Com o passar dos anos meu pai foi expandindo o local e agora somos a maior lanchonete de Alexandria. Meu pai conhece todo mundo na cidade e isso serviu para crescer a fama do Best Burguer em todas as redondezas. O espaço era enorme e bem estruturado, as paredes em tons de vermelho combinando com a iluminação de abajures retrôs, azulejos quadriculados em preto e branco, típico das lanchonetes americanas. Os sofás de vinil preto e as mesas, denunciavam a decoração totalmente no estilo anos 50 demonstradas nas paredes com quadros de vinis e personalidades como Elvis Presley e Marilyn Monroe. No jukebox tocava uma música animada, se eu não estivesse cansada até poderia cantarolar alegremente enquanto realizava meu trabalho. Acredito que todos os habitantes de Alexandria resolveram fazer uma convenção aqui na lanchonete. Tanto copo e comida que está passando na minha bandeja que perdi as contas das inúmeras vezes em que fui e voltei para o balcão abastecê-las. O pior era ter que ouvir as cantadas dos grupinhos de rapazes que sempre insistem em testar minha paciência. Se fosse outro dia poderia xingá-los, como estão acostumados, mas poupava minhas energias desse desgaste inútil. ― Anne, chegaram mais clientes nas últimas mesas e preciso muito da sua ajuda, é urgente ― Alissa segurou meu braço. Ela estava visivelmente nervosa. ― Pode falar, o que houve? ― O Arthur está com crise de asma de novo e minha irmã não consegue acalmá-lo, você sabe que ele fica muito agitado ― seus olhos ficaram cheios rapidamente. ― Eu cubro você, pode ir que depois eu falo para o meu pai. Ele vai ficar bom! ― Falei tentando passar confiança. Alissa tem um filho de 5 anos e muitas vezes isso acontece. Dei-lhe um sorriso confortante mesmo que meu cansaço falasse mais alto. Rodei meus calcanhares e segui anotar os pedidos da mesa antes que mais gente me chamasse. De acordo com que ia me aproximando fui reconhecendo quem estava na mesa. Era para completar minha noite. Meu subconsciente me alertava para manter distância desse homem e não ser presa mais uma vez. Ele estava acompanhado de um cara que deveria ter a mesma idade que ele, ambos conversavam. Me recordei que o outro era o policial que me atendeu no departamento. Em uma rápida varredura observei as roupas do xerife, não poderia deixar de perceber seu estilo: jaqueta de couro, cabelo desarrumado jogado de lado e a barba aparada. Espantei os pensamentos absurdos e segui andando antes que minhas pernas fraquejassem e eu caísse como uma fruta podre. Eu era mestre em fingir reações quando necessário, então juntei tudo isso misturado a minha raiva e encarnei a melhor atriz que Hollywood já viu. ― Com licença, o que desejam? ― Perguntei sendo a mais educada possível. Esse era meu trabalho e teria que manter a postura profissional. Evitei olhar na direção dele, mantive meus olhos no meu bloco, fingindo rabiscar alguma coisa com a caneta. ― Sim, eu quero uma porção de fritas e uma cerveja ― o cara ao seu lado pediu. Anotei e fiquei esperando o pedido dele que nunca vinha. Contra minha vontade me vi obrigada a levantar meu olhar na direção dele. O xerife me observava com confusão e por longos segundos não desviei meu olhar do dele. Os olhos escuros eram bem penetrantes e confusos. ― O senhor vai querer o que? ― Perguntei sustentando seu olhar. Ele pareceu desorientado e balançou a cabeça como se espantasse os pensamentos. ― Quero o mesmo que o dele, por favor ― disse rápido ainda me olhando. ― OK! ― Saí dali voltando a respirar. Andei até o balcão onde meu pai estava e me debrucei, minhas pernas imploravam por descanso. ― Cerveja e fritas, pai! ― Pedi e aguardei. ― O que foi aquilo? ― Yasmim se aproximou cochichando no meu ouvido. ― Aquilo o que? ― Olhei confusa para ela. ― Você e aquele cara delicioso se encarando agora há pouco. ― Rolei os olhos. Às vezes ela se perde em suas paranoias. ― É ele o Xerife Santana! Ela arregalou os olhos. ― Mentira!!! ― Gritou chamando a atenção. Por que ela tinha que ser escandalosa? ― Cala a boca! ― A repreendi. ― c*****o!! Você não disse que ele era lindo assim, na verdade ele é gostoso e o amigo também ― sussurrou com um sorriso malicioso. ― Eu senti o clima entre vocês... ― Que clima? Você está louca! Tinha momentos que eu odiava a minha melhor amiga. ― Devia ter passado um corretivo para se apresentar melhor para aquele homem, você está horrível ― fez uma expressão horrorizada. ― Obrigada por me lembrar do quão linda estou! ― Sorri ironicamente. Eu sabia que estava com o rosto horrível, mas a culpa era dele. Peguei minha bandeja e segui novamente para aquela mesa da qual eu queria passar longe, no entanto isso não seria possível. Assim que me aproximei eles pararam de falar, o que me fez pensar que o assunto poderia ser eu. ― Mais alguma coisa? ― Indaguei pondo os pedidos na mesa e sem querer bocejei, chamando a atenção deles. ― É... Me desculpem. ― Pedi sem jeito e tentei me recompor. Santana ficou me encarando de novo e eu iria encará-lo de volta na mesma intensidade. ― Não, obrigado! ― O amigo dele respondeu. ― E o senhor? ― Perguntei. Eu falava “senhor” para provocar, porque deduzia que teríamos pouca diferença de idade. ― Só isso, obrigado! ― Enfim ele disse. Assenti e virei saindo o mais rápido dali. Pelo resto da noite e madrugada eu trabalhei com olhos me seguindo a cada movimento dado. Isso me deixou irritada, odiava ser observada, isso me fazia andar como se estivesse pisando em ovos. As próximas vezes em que queriam algo Yasmim fez questão de atendê-los, segundo ela, para admirar a beleza exótica que eles possuíam. Por mim eles poderiam ter ido embora há muito tempo, me pouparia de aborrecimentos. Christian Quando a garota parou na frente da nossa mesa eu demorei acreditar que era ela mesmo. Ela tentou soar indiferente, mas senti em seu olhar que estava tomada pela raiva, sua aparência era cansada e pelo que Rush me disse ela teve uma péssima noite na cela, saiu extremamente brava do departamento. Mesmo com a expressão cansada era bonita e se a garota que ainda não sei o nome não tivesse uma boca suja seria quase perfeita. Jimmy era bem observador e notou meus olhares nela e tive que contar quem era ela. Agora pensando com mais racionalidade ela teve um pouco de razão em me xingar, afinal eu a ofendi por duas vezes, quando de fato estava mesmo trabalhando. E mesmo que estivesse se prostituindo não era da minha conta, aquele dia eu estava realmente com muita raiva e ontem porque obviamente ela me ofendeu e eu não aceito ofensas de alguém que sequer me conhece. Curioso, eu não a conheço e mesmo assim a ofendi. Ela merecia um pedido de desculpas. A noite toda fiquei observando-a andar de um lado para o outro, seu olhar cansado denotava o quanto ela precisava dormir urgentemente. Assim que percebi que ela iria embora, tratei de falar para Jimmy pedir a conta. A madrugada como sempre estava fria e o vento cortante, mas nada que me impedisse de andar em alta velocidade. Ao longe consegui vê-la andando rápido pela calçada, usava um casaco preto longo, diminui a velocidade me aproximando do meio fio ela se encolheu e acelerou mais o passo, mas em nenhum momento se virou para trás. ― Oi! ― Falei alto tentando chamar atenção. Ela sequer me olhou e tornou a acelerar seus passos. Numa tentativa de acompanhá-la, ela fez menção de parar e voltar no sentido contrário. Bom, já percebi que medrosa ela era. ― Sou eu, Xerife Santana! ― Tratei logo de falar antes que ela corresse. De imediato ela parou e me encarou com surpresa. ― Quer o quê? Me prender de novo? Até onde eu sei não fiz nada ― disse voltando a andar. ― Não sabia que trabalhava numa lanchonete ― segui-a novamente. Ela não estava a fim de papo, mas no momento eu apenas queria consertar minha merda. ― E daí? Isso não te dava o direito de me ofender! ― Sua voz continha ódio. ― Tudo bem, me desculpe! Não fui muito sincero nesse pedido. ― Me esquece! ― Ela continuava a andar rápido. Temperamento forte. ― Brava você, não é?! ― Ironizei. ― E você um machista que julga sem saber nada da minha vida! ― Não sou machista, só estava com raiva aquele dia ― me defendi. Era verdade, meu temperamento explosivo me faz perder o controle com muita facilidade. ― Então está com raiva sempre ,não é?! ― Ela parou me encarando com as mãos na cintura batendo o pé. Definitivamente ela era difícil de lidar, mas eu estava disposto a conversar com a fera de pouco mais de um metro e sessenta pela minha análise ocular. Ela voltou andar e eu continuei seguindo-a em silêncio. Não sabia por que estava fazendo isso, talvez por não ter algo mais interessante para fazer no momento, como prender bandidos pela cidade. ― Qual o seu problema? Dá para parar de me seguir? ― É perigoso andar nas ruas essa hora. ― Argumentei como se fosse algo que ela não soubesse. ― Não sabia, olha que interessante! ― Disse a rainha da ironia. ― Deve ser por isso que fui assaltada na noite passada, fui prestar queixa no departamento de polícia e acabei presa, não bastando isso eu tive que dormir numa cama dura. Está vendo essas olheiras aqui? ― Se virou para mim apontando na direção dos seus olhos. Ela fala demais. ― Foi de uma noite m*l dormida naquele lixo que você chama de cela. ― completou. Por que as mulheres falam mais que os homens? ― Posso fazer a ocorrência se você quiser ― sugeri disposto a ir para o DP se ela desejasse. ― Vá se ferrar! ― Rosnou, como uma fera. ― Teu guarda-chuva está na minha sala. ― Comentei lembrando que ela havia deixado lá. ― Enfia ele no seu r**o! ― Grunhiu. De repente ela parou e coçou a cabeça. ― Espera aí... ― Passou a mão sobre os cabelos. ― Foi você o sem educação que molhou toda minha roupa naquela noite com essa moto horrorosa. ― Não era uma pergunta e sim uma afirmação. ― Ei, horrorosa não! ― Fiquei ofendido. ― Foi m*l aquele dia, estava com muita pressa e acabei não vendo você ― tentei me explicar. Era verdade, eu só havia a notado depois que a sujeira estava feita. ― Foi m*l? Foi péssimo! De dez palavras que ela falava, nove eram reclamações. ― Onde você mora? ― Mudei de assunto. Estava muito curioso sobre ela, não é sempre que se encontra uma garota com um temperamento assim. ― Na casa do caral... Não te interessa! ― Levantou os braços, como se pudesse me expulsar facilmente. ― Vou te levar em casa para garantir sua segurança! ― Não respondi a sua falta de educação. Ela abafou um grito. Suas reações me davam vontade de rir. Os episódios que se seguiram foi no mais absoluto silêncio, eu me mantive seguindo-a e me perguntei se ela não tinha medo de andar pelas ruas escuras todos os dias. Cerca de quinze minutos depois ela parou de frente a um portão e tirou chaves de uma bolsa destrancando-o. Parei também observando-a, pelo menos havia descoberto onde morava.  ― Satisfeito? ― Se virou para mim. Ela tinha um olhar de deboche. Ela cheirava a problema. ― Muito! ― Sorri de lado. Ela me deu o dedo do meio e entrou fechando o portão novamente. ― Qual seu nome? ― Perguntei curioso para saber. Ela sorriu de lado. ― Meu nome é: Vá. Se. Lascar. Na. p**a. Que. Te. Pariu! ― Disse pausadamente. Sim, ela é uma garota muito atrevida! ― É um bonito nome, prazer em conhecê-la! ― Eu ri. A fera se virou e enquanto caminhava em direção a porta ergueu o braço me dando o dedo do meio mais uma vez. ― Bons sonhos! ― Ela bateu a porta com força, me deixando sozinho ali.
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