Miguel narrando Fiquei olhando pra ela por alguns segundos depois do que disse. Sem resposta pronta. Sem ironia. Sem defesa. O vento batia mais forte e eu senti o frio da madrugada encostar nela. Aquilo me irritou. — Entra — falei por fim, direto. — Já deu. Ela piscou, surpresa. — Como assim? — Pra dentro — repeti. — Tá de madrugada. Praia vazia. Isso aqui é perigoso pra c*****o. Ela respirou fundo e assentiu, levantando da areia. Caminhou ao meu lado até o hotel, sem falar nada. Eu fiquei atento a tudo em volta, instinto automático. Quando entramos, o silêncio do saguão parecia outro mundo. — Tô com fome — ela disse baixo, quebrando o clima pesado. — Não comi nada hoje. Olhei pra ela. — A gente pede pizza. Ela arqueou a sobrancelha. — Sério? — Da que tu gosta — continuei.

