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Miguel narrando Acordei com a cabeça latejando como se alguém estivesse batendo um martelo dentro do meu crânio. Abri um olho. Depois o outro. Luz demais. Barulho demais. Tudo demais. — p***a… — murmurei, passando a mão pelo rosto. A boca estava seca, o estômago embrulhado, e cada movimento parecia um castigo. A ressaca veio forte, do tipo que não perdoa nem quem já tá acostumado. Levantei mesmo assim. Não tinha escolha. Banho rápido. Água gelada na cara pra tentar acordar o corpo antes que a cabeça desistisse de vez. Vesti qualquer coisa, óculos escuros pra disfarçar a cara de morto e fui direto pra boca. Ali não tinha espaço pra fraqueza. Quando cheguei na sala principal, o movimento já estava rolando. Rádio chiando, gente entrando e saindo, planilha aberta na mesa. Vagner estava

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