POV 11 - MADISON

1033 Words
Se tem uma coisa que eu Madison Bennett aprendi rápido na Cooper & Co., é: ninguém ali age sem um motivo escondido. E Katherine Thomas, por algum motivo, parece me odiar. A manhã seguinte à reunião começa silenciosa. Muito silenciosa. Eu caminho pelo corredor com o meu café na mão, tentando não pensar na expressão de Katherine quando me encarou no auditório — aquela mistura de desdém sofisticado com julgamento silencioso. O tipo de olhar que pergunta: "Quem deixou você entrar aqui?" Eu tento ignorar. Tento. Entro na sala, ajeito os meus materiais, ligo o computador, respiro fundo. Mas Katherine aparece na porta antes mesmo de eu abrir o e-mail. — Bom dia — digo, educada, mesmo que desconfortável. — Hm. — Katherine entra como se fosse dona da sala. — Só vim deixar isso. Ela coloca uma pasta na minha mesa... com força suficiente para fazer dois clipes pularem. Eu pisco. Ok. — Obrigada — respondo, tentando não soar irritada. Katherine cruza os braços, olhando-me de cima a baixo. — Você é... jovem — comenta, como se tivesse descoberto um erro de RH. — Bem jovem para este cargo. Eu respiro fundo. — Tenho experiência — digo, firme. — E fui entrevistada pelo diretor-geral. — Claro — Katherine sorri, mas é um sorriso cortante. — É sempre bom ter contatos lá em cima. Levo um segundo inteiro para processar o veneno. — Meu contato foi meu currículo — devolvo, na mesma moeda, mas sem perder a postura. Katherine arqueia uma sobrancelha, como se estivesse avaliando um inseto ousado. — Vamos ver quanto tempo isso dura — diz antes de sair, deixando um perfume caro e uma nuvem de antipatia para trás. Eu fico imóvel por alguns segundos. Que diabos foi isso? Massageio as têmporas. E é claro que, como se o universo estivesse brincando comigo, Harry aparece na porta logo em seguida. E lógico: ele viu Katherine saindo da sala. — O que ela queria? — ele pergunta, sério. Engulo a vontade de responder "um exorcismo". — Nada demais. Só trouxe... documentos — digo, empurrando a pasta para longe. Harry observa o meu rosto, depois a porta, depois a pasta. — Katherine não costuma passar por aqui sem motivo. — Pois passou — respondi, sem paciência. Ele estreita os olhos. — Fez algo pra ela? — Não. Não fiz nada. — Cruzo os braços. — Você e seus amigos têm alguma coisa contra contratações novas ou...? — Eu não tenho "amigos" aqui — ele rebate, seco. Eu quase ri. Claro, com aquele humor adorável, impossível não imaginar. — Ótimo — digo, voltando ao computador. — Então vamos trabalhar sem drama. Harry parece querer responder alguma coisa, mas desiste. Sai, fechando a porta devagar. No horário de almoço, desço até o café da esquina e finalmente mando mensagem para Taylor. Madison: VOCÊ NÃO VAI ACREDITAR Taylor: já até sinto o gossip chegando kkkkk manda TUDO Madison: A tal da katherine foi no meu escritório SÓ pra me medir igual um microscópio humano e ainda soltou farpas pq eu "sou jovem demais" pro cargo Taylor: KKKKKKKKKKK AINDA BEM Q EU ESTOU SENTADA ELA FEZ ISSO???? Madison: Fez. E o harry apareceu 5 segundos depois. Acho que eles são próximos ou algo assim Taylor: Ai meu deus se prepara Se tem uma coisa que eu sei: mulher com antipatia gratuita ≠ boa notícia Madison: ótimo 😭 Mais uma pra me odiar no rolê da cooper & co Taylor: amiga Esse lugar vai render mais que novela continua me atualizando porque eu já tô com a pipoca Eu respirei fundo e guardei o celular. Eu ainda não sei o motivo, mas uma coisa é clara: Katherine não me quer ali. E Harry continua sendo um problema próprio. E eu já sinto que isso... é só o começo. Volto para a minha mesa, sentindo o peso do olhar de Katherine ainda pairando sobre mim. É um tipo de antipatia que não se esconde; não é passiva-agressiva, não é cordialmente fria. É direta. A mensagem é clara: “Você não pertence aqui.” Enquanto tento me concentrar no relatório que deveria revisar, noto cada detalhe do setor como se estivesse mapeando território inimigo. Os cliques dos teclados, o cheiro do café velho, o tilintar de canetas, o murmúrio distante de colegas comentando sobre reuniões e campanhas — tudo se mistura com a sensação irritante de que cada passo que dou é observado. E Harry. Harry Cooper. Ele não está aqui agora, mas sei que a sua presença ainda está impregnada no ar, como se o setor tivesse guardado a forma dele, o cheiro dele, a energia dele. Eu sinto cada centímetro dessa energia se enroscando na minha atenção, puxando a minha mente para ele, mesmo quando tento me concentrar. Minha mão treme ligeiramente quando pego a caneta para anotar algumas observações no relatório Parker. Tento me convencer de que estou no controle, de que nada disso é pessoal, que Katherine e Harry fazem parte de um ecossistema corporativo que exige jogo de cintura. Mas é impossível desligar. Os minutos se arrastam, e a minha cabeça continua revirando cenários: Katherine tentando me desestabilizar, Harry aparecendo na hora exata para avaliar, talvez até se divertir com o meu desconforto. Tento racionalizar: talvez ele só queira testar a minha postura profissional, não o meu limite. Mas o coração insiste em registrar cada olhar, cada detalhe, cada silêncio carregado de significado. E então percebo algo mais assustador: não é só a Katherine que me deixa em alerta. É o efeito que Harry provoca. Cada vez que ele surge, mesmo que por segundos, o meu corpo reage antes da mente. A respiração muda, o sangue esquenta, os pensamentos se aceleram. É perturbador, exasperante e... excitante de um jeito que não deveria ser. Respiro fundo, tento me concentrar na tela, mas a verdade é clara: estou presa em um jogo que não comecei, com duas peças poderosas que me observam, me testam e me desafiam. E, estranhamente, por mais que eu queira fugir disso, uma parte de mim quer ver até onde essa tensão pode ir. Porque Madison Bennett não recua facilmente. E, pelo visto, nem Harry Cooper ou Katherine Thomas.
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