CAPÍTULO 18

549 Words
1 O sol já estava forte, mas meus irmãos ainda dormiam. Com medo, olhei para o amuleto no meu pescoço. A névoa parecia ter aumentado muito pouco durante a noite. Alívio. Peguei a mochila e enfiei a mão lá dentro, sentindo as texturas de cada objeto. Puxei o mapa que até amassou na lateral. O rastro de sangue que nos levava até a cidade agora estava menor, desaparecendo nas partes que tínhamos passado. Ester dormia por cima do braço com o pescoço torto e o cabelo ondulado espalhado pela terra e grama. Gregory estava encolhido, provavelmente por conta do frio. Levantei a mão e a levei e direção ao meu irmão, mas antes que pudesse acordá-lo ouvi um barulho. Um murmúrio. Eram pessoas. Pessoas conversando. Me levantei rapidamente e segui o som das vozes. Por um instante esqueci completamnete de meus irmãos. Achei. Eu havia andando por mais ou menos um minuto. Haviam várias pessoas. Tinham crianças, adolescentes, adultos e até idosos. Eles andavam com sacolas e paravam nas barracas de verduras, roupas e alimentos. Era uma feira. Todos tinham roupas simples e cabelos bagunçados ou molhados. Provavelmente moravam em vilas como a de Clythia. Eu devia estar uns 15 metros afastados deles, e apenas observava em silêncio. Um homem percebeu minha presença, ele me encarava com os olhos pressionados. Acho que foi o único que me percebeu. Ele tinha cabelos pretos e curtos, uma barba mediana, eu diria. Eu o reconhecia de algum lugar. Tinha certeza. Da vila. Aquele homem estava na multidão quando eu e meus irmãos chegamos na vila de Clythia, ele estava ao lado de algumas crianças e mulheres. Não sei como lembrei disso. O homem de roupas de couro começou a vir em minha direção, então eu corri. Voltei para o abrigo de pedras o mais rápido que pude. Merda! Tinham tantos abrigos iguais. Como eu iria descobrir em qual meus irmãos estavam dormindo? Merda! m***a! m***a! m***a! m***a! Corri mais ainda. Conseguia ouvir os passos velozes do homem atrás de mim. Ele também gritava: "Espere, criança! Espere! " No sexto conjunto de pedras que procurei eu os encontrei. Ainda estavam dormindo. O cabelo de Gregory era tão escuro, que naquele momento com a mistura dos raios solares e das sombras que as pedras faziam, seu cabelo pareceu ser mais azul que preto. - Acordem! Agora! - Falei enquanto guardava o mapa na mochila e a colocava nas costas, pegava a outra e colocava em um braço e a terceira mochila no outro braço. Gregory abriu os olhos, mas os fechou logo em seguida fazendo uma careta por conta da luz em seu rosto. - Victor? Fecha as cortinas por favor? - Falou, ainda com os olhos fechados enquanto se virava para o outro lado para continuar dormindo. - Gregory! - Gritei. - Acharam a gente! Precisamos sair - Peguei Ester no colo. Parecia estar 5 vezes mais pesada que a última vez em que a segurei. - Agora! Ester se mexeu em meus braços, mas continuou dormindo. Gregory me olhou assustado, e acho que apenas nesse momento se lembrou que estávamos em uma missão para salvar o mundo e a mamãe e que não estávamos em casa. Ele saltou do chão, cambaleando para os lados, provavelmente tonto por ter levantado tão rapidamente. Corremos.
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