CAPÍTULO 19

777 Words
1 Enquanto corríamos, joguei uma das três mochilas que eu segurava para ele. - Pensa rápido! - Ele a segurou poucos centímetros antes de bater no chão. O vento balançava nossos cabelos conforme corríamos. E naquele momento eu senti o risco, o perigo, o medo, coisas que eu não sentia há muito tempo. Senti a adrenalina. Então, eu sorri. Apenas sorri, corri, e senti a adrenalina. Quando olhei em volta, vi tudo virar fumaça. Vi as árvores se tornando uma névoa até desaparecerem, vi Gregory sumir como uma fumaça densa, depois Ester, as mochilas, tudo. Era apenas eu em um vácuo escuro e eterno, sem nenhum barulho. - Gregory! - Gritei, muito assustado. Olhei em volta mais uma vez. Nada. Apenas a escuridão e eu. - Gregory! O que está acontecendo? Gregory! - Nada. Meu coração começou a acelerar e eu comecei a tremer. Meu olho se encheu de lágrimas que não demoraram muito a escorrer e se espalhar naquela escuridão eterna. Uma luz. Um ponto de luz apareceu em minha frente. Era como um grão de arroz, que logo se expandiu. Aquela luz começou a aumentar cada vez mais, formando uma espécie de quadrado. Uma imagem se formou ali dentro. Octar. Era ela. Hayla estava com um rosto assustado e nervoso. Nunca a vi dessa maneira, apesar de não ter a visto tanto em toda a minha vida. Estava confuso, mas de certa forma, aquela imagem me acalmou um pouco. Então, eu percebi que era uma chamada mágica. Hayla estava tentando entrar em contato comigo. A imagem começou a se mexer, até ficar completamente nítida. - Garoto, consegue me ouvir? - Hayla, a ex Octar da aldeia começou perguntando. - Me ouve? E me vendo? Está me vendo? - Ela parecia mais assustada que no início da chamada. O quadrado agora parecia mais uma tela, que emitia uma luz bem forte com a Hayla no centro. - Octar! - Respondi, aliviado. - Sim, eu consigo te ouvir! - Ex Octar, querido. - Ela me corrigiu. - Agora sua mãe é a nova Octar, como você já sabe... - Ah, desculpe... - Respondi, percebendo o quanto era estranho o fato de minha mãe ser a Octar da aldeia. - Oh, menino, não se desculpe. - Ela voltou a falar. Nesse momento, a transmissão mágica travou em seu rosto um ouco inclinado para o lado, mas voltou ao normal alguns segundos depois. - Preciso falar com você urgentemente. - O que aconteceu? Mamãe está bem? - Dei um passo a frente. Agora meus olhos ardiam com a luz na minha frente. - Não é a sua mãe o problema. Estou ligando para pedir que resolva isso o mais rápido possível! Os vampiros estão matando cada vez mais as bruxas. Estamos ficando sem pessoas para batalhar. Não sei por mais quanto tempo vamos aguentar. - n******e ser! Não! O que vamos fazer agora? Não cheguei nem na cidade ainda! Não faço a mínima ideia de quem seja essa Eloah, e muito menos como encontrá-la! - Gritei, chorando sem nem perceber. - Victor... Vocês conseguem. Eu sei que conseguem! - Ela olhava para trás em alguns momentos, como se estivesse conferindo que não havia ninguém. - Vocês não foram escolhidos para essa missão em vão. Tudo tem um motivo! - Ela parecia estar mais agitada. - Mas preciso ir agora, estão me chamando. - Quando vamos nos falar novamente? Você vai me chamar por aqui de novo? - Perguntei, confuso. - Oh, querido - Ela sorriu. - Não temos mais energia para fazermos muitas transmissões, ainda mais com o campo energético mágico extremamente fraco e desprotegido por conta das mortes aqui na aldeia. A cada dia perdemos mais força e magia, cada bruxa que morre nos enfraquesse um pouco, e a cada minuto um de nós é assassinado pelas criaturas de sangue. - Disse se referindo aos vampiros. - Não sei quando nos veremos novamente, e nem sei se ainda vamos no ver, mas saiba que eu já tenho muito orgulho de vocês três, meu pequeno. A transmissão mágica travou novamente. - Hayla, não fala isso! Vai dar tudo certo! - Afirmei, tentando me forçar a pensar positivo por mais difícil que fosse. Ela não me respondeu. Antes que eu pudesse falar novamente, a fonte de luz começou a virar névoa, assim como antes. A escuridão também se misturou na névoa e quando olhei, estava de volta na floresta, correndo ao lado de Gregory. Ester ainda estava no meu colo e as mochilas penduradas em mim. Tudo parecia exatamente igual, como se eu nunca estivesse saído dali, como se estivesse no mesmo segundo em que a Hayla me chamou.
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