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Prazer, me chamo Victor Kirby Bannison, tenho 13 anos, e essa será a minha história. De certa forma, a história da minha família. Vamos começar de quando os problemas começaram a surgir.
O ano era 2019, eu morava com meus irmãos e minha mãe na aldeia das bruxas. Aquele lugar era perfeito, com muitas árvores, muitos lagos, flores e algumas cabanas, que eram onde todos de lá moravam. Fora as borboletas de asas azuis que voavam por entre a aldeia. Eu amava aquele lugar.
Naquele dia, eu estava sentado na beira do lago Valddrer, o lugar mais lindo em que estivera nos meus últimos e únicos 13 anos de vida. Pensa em um lago de água ciano-transparente, com peixes dos mais lindos e coloridos. A água tinha um brilho único, assim como os olhos verde-azulados de minha mãe, que estava sentada ao meu lado, passando a palma da mão direita na grama.
— O que você pretende fazer? — Minha mãe me perguntou, olhando para mim.
— O que eu vou fazer? Como assim? — Perguntei, levando os olhos ao encontro de seu rosto.
— Você sabe... Quando completar 16 anos... O que vai fazer? — Ela se ajeitou na grama, inclinando o corpo para trás, um pouco pensativa.
— Ah, mamãe. Ainda não decidi... É algo complicado, a senhora sabe. — Falei, olhando para a grama verde que fazia cócegas no meu tornozelo fino.
— Victor, meu amor. É algo complicado, eu sei, mas você n******e deixar para decidir de última hora. Você já tem 13, quando menos perceber, completará 16. — Mamãe me falou, colocando uma das mechas do cabelo ruivo atrás da orelha. Ela tocou na cicatriz que tinha no olho esquerdo, como se mesmo depois de décadas, ainda a incomodasse.
— Eu entendo mã... — fui enterrompido por 2 adolescentes moradores da aldeia. Eles pareciam assustados.
— Jocelyn! — Um deles gritou, chamando minha mãe. — Vem! Rápido! Eles estão de volta!
Ficou clara a expressão de espanto que se acendeu no rosto da minha mãe. Ela se levantou e me mandou ficar ali, na beira do lago Valddrer. Mamãe me beijou na testa, e se afastou correndo, subindo a estrada em direção a aldeia com os dois adolescentes.
Continuei na grama. Eu conhecia minha mãe, sabia muito bem que estava acontecendo algo preocupante. Pensei na hipótese de subir até a aldeia e ver o que estava acontecendo, mas antes mesmo de levantar, avistei meus 2 irmãos mais novos descendo correndo e assustados. Gregory e Ester.
Gregory tinha 10 anos. era o mais novo dos meninos. Tinha puxado os cabelos pretos do papai, eram negros como as trevas, e tinham o brilho do reflexo das águas ao luar das noites. A pele branca, estava mais pálida que o normal, e os olhos de cor de carvão estavam arregalados. Era possível ouvir sua respiração ofegante a metros de distância.
Já Ester, que estava em seu colo, era uma criança meiga. Sem dúvidas, puxara a aparência de nossa irmã adolescente, Flora, que estranhamente não sabíamos com quem da família se parecia. Ester tinha os cabelos castanhos dourados. Me lembrava madeira de carvalho claro, com mechas banhadas em ouro, talvez. As leves ondas faziam o cabelo ficar ainda mais deslumbrante. Mas eu diria que o que mais chamava a atenção, eram suas sardas. Tinha várias no nariz e bochechas. Ela sempre fora esperta demais para sua idade, sem dúvidas, uma das crianças mais inteligentes da aldeia. Ela tinha apenas 6 anos.
— Victor! — gritou Gregory, correndo em minha direção. — Mamãe está em perigo!