PRÓLOGO

1710 Words
Flashback Ano 1947 Haviam muitas árvores e vegetação. Mais à frente era possível enxergar cabanas e plantações, e mais na frente, um rio. Jocelyn, uma jovem bruxa da aldeia, andava com uma cesta lotada de pedras brilhantes e bonitas. Ela foi até a porta de sua cabana e chacoalhou a cesta, fazendo assim cair todo o resto de areia que ainda sobrava. A menina de cabelos ruivos, longos e lisos entrou silenciosamente em sua cabana, colocando a cesta na bancada, onde haviam mais dezenas de pedras. Então, ela foi andando até o quarto, onde uma mulher dormia profundamente. Jocelyn se aproximou e beijou a testa da mesma, mas sem tirar o pano que cobria a pessoa. Ela se afastou com a mão na boca, tentando engolir a v*****e de chorar. Foi quando um barulho estrondoso a assustou. Ela foi, ainda ofegante, até a janela da cabana. Deu de cara com uma cena h******l. Homens e mulheres, de várias idades estavam matando cruelmente os moradores da aldeia. A menina ruiva de olhos azuis como o oceano correu de volta para o quarto em que a outra mulher dormia. Jocelyn foi em direção a cômoda de madeira pura que estava encostada do lado da porta e abriu rapidamente cada uma das gavetas. A segunda gaveta da primeira fileira. Ela enfiou as duas mãos no monte de tralhas e bagunças, tirando uma chave prateada dali. Jocelyn voltou para a porta, ofegante, e enfiou a chave na fechadura. Pronto, a porta estava trancada. Não era o suficiente, e Jocelyn sabia disso. Ela alinhou seu corpo de frente para a porta, esticando os braços. Suas mãos tremiam muito. - Reforcet myder... reforcet myder... reforcet myder! - Os olhos estavam ficando cada vez mais pressionados enquanto as palavras eram lançadas de seus lábios rosados e tensos. As veias de suas mãos estavam um tanto quanto saltadas. O som leve e o cheiro da magia atingiram a garota, fazendo surgir um fio de esperança em sua mente. Uma névoa iluminada surgiu do centro da palma de sua mão, mas logo subiu até a ponta de seus dedos, dançando. A névoa de luz surgiu no canto da porta e se espalhou rapidamente até o outro canto. Em poucos segundos, a porta estava completamente tomada pela mesma névoa mágica que se envolvia nos dedos de Jocelyn. Aquilo era magia que reforçava a porta velha de madeira. A jovem moça, exausta, se sentou na ponta da cama, colocando a mão sobre a perna da mulher que estava desacordada. Tirou uma mecha do cabelo alaranjado da frente do rosto, a colocando atrás da orelha, e respirou fundo. *POOW* A garota se jogou no chão, assustada. Ela tentou enxergar quem havia estourado a fechadura e entrado no quarto, mas sua vista estava completamente embaçada e turva. Ainda no chão, enquanto tentava se levantar, ela sentiu o gosto de ferro passar pelos seus lábios. Colocou a mão no rosto e percebera que estava sangrando. Não sabia exatamente de onde vinha o líquido avermelhado, mas acreditava ser da testa. Na verdade ela estava errada, e logo entendeu que o corte era no olho esquerdo, provavelmente causado por algum pedaço de madeira da porta que voou com o estouro, justamente por isso estava com a visão turva. O sangue escorrera até seus lábios e já estava chegando na ponta do queixo. Ela continuava tentando enxergar quem havia entrado no quarto, mas não conseguia ver nada além de uma silhueta de um homem alto e forte. O homem se aproximou de Jocelyn, lentamente. A garota, que estava com muito medo, se afastava, caída no chão. Conforme o homem que aparentava ter em torno de 40 anos se aproximava, seu rosto ficava mais nítido. Jocelyn se arrepiava cada vez mais, algo que não era muito comum de acontecer. Foi quando o rosto do homem ficou quase que completamente visível. Ela automaticamente mergulhou na sua própria mente, resgatando uma memória perdida. Uma visão. Aquele homem, a segurava no colo quando ela era apenas uma criança. Ele sorria de forma encantadora, e passava o dedo nas bochechas de Jocelyn. Segundos depois, Samantha, a mãe falecida de Jocelyn também se aproximou, abraçando o homem e encarando a garota com um sorriso apaixonante. Era possível sentir a felicidade dos dois. Não podia ser... não podia! O pai de Jocelyn morrera quando ela era apenas um bebê. Pelo menos foi isso que Samantha contara para filha a vida toda. — Pai?... — Jocelyn perguntou, logo depois de voltar da sua viagem na própria mente. O homem sorriu. Os olhos azuis como os de Jocelyn brilhavam. — Oi, meu amor... — Ele se aproximava mais, mas Jocelyn já não se afastava. — Quanto tempo... Como você está... Linda! Me faz relembrar sua mãe, com as sardas e o cabelo ruivo... Jocelyn estava surpresa, completamente sem reação, então Jonathan, o pai dela, continuou: — E tenho certeza que se tornou uma mulher tão forte quanto sua mãe! Sinto falta dela... — Ele passava os dedos levemente na bochecha de Jocelyn, assim como na visão que ela tivera segundos antes. — Espera! — Jocelyn afastou a mão do pai de seu rosto e se levantou do chão. — Você desaparece, fica literalmente mais de dois séculos sem se preocupar em visitar sua filha e de repente você volta falando sobre a mamãe!? Todos achavam que você estava morto! Por onde esteve todos esses anos? — Morto? — Ele soltou uma risada alta. — Foi isso que disseram para você? Meu amor, eu só fui embora por todos esses anos por culpa de sua mãe e de todos os bruxos que viviam nessa aldeia. Jamais te abandonaria... Ele segurou as mãos de Jocelyn. — O que? A mamãe? Como assim? — Jocelyn foi interrompida pelo pai e pelos gritos dos bruxos sendo massacrados do lado de fora da cabana. — Sh Sh Shh — Ele colocou o dedo indicador nos lábios da jovem moça. — Eu sei, é muita coisa de uma vez só e entendo que você queira saber sobre o seu passado, mas eu não posso demorar muito aqui. Me dê o que eu preciso, eu vou embora e marcamos para nos encontrarmos, assim eu te conto tudo o que aconteceu no ano de 1695, o ano do seu nascimento. Jocelyn parou, abaixando a cabeça. — Eu não entendo... O que você está querendo dizer? Do que você precisa? — Vamos lá, meu amor, você sabe o que eu quero! Me dê, por favor! — ele olhava nos olhos dela. — Não estou entendendo, pai! — Jocelyn! Eu preciso dela. Agora! — Jonathan aumentou o tom de voz. — Eu quero a Pedra Da Vida! A menina, assustada se afastou. Ela olhou o pai de cima para baixo, com nojo. — Não, n******e ser!... Você é um deles? Um vampiro? — Lágrimas escorriam pelo rosto de Jocelyn, se misturando com o sangue que estava começando a secar. — Oh, meu amor... Não fica ass... — Jocelyn empurrou ele. —Não me chama de "amor", seu nojento! Vai embora daqui, agora! Eu não vou te dar pedra nenhuma! — Jocelyn gritou, enxugando as lágrimas. Ela olhou discretamente para a mulher que dormia na cama ao lado. — Jocelyn! Se junte a nós, filha. Venha viver no luxo! Venha ser a princesa do nosso reino! A filha do rei! — Jonathan falou, implorando. — Não! Nunca trairia a aldeia, ou a linhagem de bruxas, e principalmente minha mãe, para ir junto com um ser h******l como você! Vá embora! — Tudo bem. Quer viver nessa miséria? Nessas cabanas? Nessa aldeia que fede a magia? Ao invés de ir viver no reino dos vampiros, se tornar uma de nós, ter tudo o que quiser e viver no luxo, sendo a princesa? Então fique! Te deixarei em paz. Mas para isso, me entregue a Pedra Da Vida! — Eu já falei que não vou entregar nada! — Jocelyn gritou, levantando as mãos em direção ao pai. — Vai embora. Eu não quero carregar o peso de m***r meu próprio pai! — Suas mãos tremiam. A mesma névoa verde que apareceu quando ela foi fortalecer a porta, surgiu novamente no centro da palma de suas mãos. — Filha, eu não quero precisar te machucar para conseguir o que quero. É melhor você me entregar. — Seu imundo! Já mandei sair! — A magia verde agora percorria os dedos de Jocelyn também. — Não me teste, você vai se arrepender. — Você pediu, meu amor... — Jonathan apareceu atrás da menina em menos de meio segundo. Ele colocou as mãos no pescoço dela, a deixando assustada. — Eu te dou 5 segundos para me entregar a pedra. — Ou você vai fazer o que? Me machucar? Já me machucou o suficiente quando nos abandonou, não acha? — Jocelyn tentava se soltar das mãos dele. — 5... — Jonathan apertava cada vez mais o pescoço dela. — Desista! Eu não vou entregar a pedra! — Jocelyn rebateu. — 4... 3... — Cada vez mais apertado. O ar já quase não circulava. Ela já estava ficando vermelha. — 2... — Eu... Eu... Eu fa-falo! — Jocelyn fala, tonta e fraca. — Ótimo! Sabia que ajudaria seu pai. — Jonathan soltou a jovem que caiu no chão. — E então?... Onde está? Jocelyn aponta para a mulher desacordada na cama ao lado. — Ali... — Isso é algum tipo de brincadeira? — Retrucou Jonathan, bravo e confuso. — Não... Est-está ali... A Pedra da vida... Está dentro dela.— Jocelyn gemia de dor — O que? Como? — Jonathan sorria, mas estava confuso. Ele se aproximou da moça deitada. — Pegue a pedra e vá embora! — Jocelyn falava, já de pé. Jonathan tocou no braço da moça e uma névoa branca envolveu sua mão. A pedra estava mesmo lá. Ele pegou a mulher no colo e andou em direção a saída. — Ei! Onde pensa que vai? — Jocelyn gritou. — Obrigado pela pedra, filhinha. Nos vemos por aí! — Não! Pegue apenas a pedra, deixe a Jasmine aqui! — Não, obrigado... — Jonathan estalou a lingua e sumiu. — Não! Espera! Nãããão! Jasmine! Por favor, não leve minha amiga embora!— Jocelyn se jogou no chão e começou a chorar.
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