CAPÍTULO 14: INTERROGATÓRIO SEM PIEDADE
O traidor do cassino foi capturado vivo, graças aos homens de Dante. Ele era um ex-m****o da guarda pessoal, que havia vendido informações por dinheiro e promessas de poder. Foi levado para um porão úmido e isolado, onde nenhum grito poderia chegar até a superfície. Dante entrou na sala com passos calmos, carregando ferramentas de t*****a que brilhavam sob a luz fraca de uma lamparina.
Eu fui obrigada a assistir, não por crueldade, mas para que eu entendesse a extensão da lealdade que ele esperava de todos — e para que eu nunca mais tivesse dúvidas de até onde ele iria por mim. A cena foi brutal. Dante não gritou, não perdeu a compostura, mas cada golpe, cada pergunta, era feito com uma precisão dolorosa. Ele arrancou a verdade pouco a pouco, sem dó nem piedade, revelando nomes, locais e planos futuros da organização rival.
— Você vendeu sua honra por migalhas — disse Dante, parando diante do homem torturado. — E tentou m***r o que eu amo. Não há perdão para isso. O que faço aqui é apenas o justo preço da sua traição.
Quando terminou, ele saiu da sala, lavou as mãos com calma e veio até mim, que tremia em um canto escuro. Ele tocou meu rosto suavemente, limpando uma lágrima que eu não sabia que derramava.
— Parece um monstro para você, não é? — perguntou ele, com a voz baixa e cansada. — Mas é a única linguagem que esses animais entendem. Se eu fosse fraco, se eu fosse bonzinho, eles já teriam feito de você um brinquedo. Eu me transformo nessa criatura h******l apenas para que você possa continuar vendo o sol nascer. Carrego esse fardo para nós dois.
Eu entendi então. Sua crueldade era uma armadura. Por trás da frieza, havia um coração que batia desesperado para manter a sua rainha no topo. Apesar do sangue, apesar da dor, senti um d****o ainda maior de ficar ao seu lado, de ser a luz que ele tanto precisava na escuridão.
CAPÍTULO 15: A VERDADE SOBRE SEU PAI
Com as informações arrancadas do traidor, as peças do quebra-cabeça finalmente se encaixaram. Dante reuniu todas as provas em seu escritório e chamou-me para conversar, com uma expressão mais séria do que nunca. Ele abriu uma pasta cheia de documentos, contratos e gravações que mostravam a verdadeira face de Antônio Varella.
— Seu pai não era inocente, Elena — começou ele, apontando para papéis com assinaturas reconhecíveis. — Ele trabalhava com tráfico de influência, lavagem de dinheiro e armamento ilegal. E mais grave: ele planejava entregar você para o chefão rival, chamado Rômulo, como garantia de pagamento de dívidas que não podia quitar.
Mostrou-me gravações de conversas onde meu pai falava de mim como "um bem valioso", "uma moeda de troca segura". O chão pareceu se abrir sob meus pés. Toda a minha vida, as lembranças de carinho e p******o pareciam mentiras. Ele me amava? Talvez, mas amava mais a si mesmo e ao seu império falido.
— Eu descobri o plano meses antes — continuou Dante, aproximando-se para me dar apoio. — Interrompi o negócio. O atentado que o matou não foi feito por mim, mas sim por Rômulo, que ao perceber que eu o havia antecipado, eliminou seu parceiro traidor para não deixar vestígios. Eu me apresentei não só para reivindicar o acordo, mas para salvá-la desse destino terrível.
Senti um alívio misturado com luto. A dor da perda transformou-se em vergonha e gratidão. Dante não era o vilão da história; ele era o herói sombrio que cruzou meu caminho para me salvar de um destino muito pior. A posse que ele exercia sobre mim passou a ser vista sob outra luz: era uma redoma de vidro, um escudo construído por quem sabia como o mundo realmente funcionava.
— Obrigada — sussurrei, olhando em seus olhos com uma devoção renovada. Ele sorriu, um sorriso raro e verdadeiro, e beijou minha testa.
— Não agradeça. Era o meu destino. Cuidar de você é a minha única missão. Agora, esqueça o passado. Nós vamos reescrever a história, com nossas próprias regras, nosso próprio sangue.