Noiva

1998 Words
Carla fora trabalhar no dia seguinte saltitante, tinha tido um encontro super legal, com um médico super gato, e ele a beijara, e que beijo, a deixara vendo estrelas. Fora dormir quase de manhã, de tanto que pensava no beijo, e em cada palavra que ele tinha dito no jantar. Chegou na biblioteca e Jeremias já estava lá, como de costume. - Oi Jeremias como está? - Tudo ótimo e você ? - Também. - Respondeu simplesmente. Luana ainda estava de atestado, por conta disso Jeremias ficava lhe ajudando a atender os clientes no balcão. Arthur passara a noite em claro, não conseguia pegar no sono, toda vez que fechava os olhos, via os olhos de Carla o encarando. Aquele olhar tão inocente, será que ela estava fingindo? Não importava, não ia vê-la mais! Ela o provocou ao limite e no fim o deixou "a ver navios". Levantou-se irritado consigo mesmo e cansado pela noite sem dormir. Foi para o hospital com uma carranca. Adentrando o hospital encontrou Fábio, que vinha em sua direção todo sorridente. - Olá Arthur, como está? - Bem. - Respondeu Arthur com uma carranca. - Como foi jantar com Carla ? - Fábio perguntou lembrando-se que o amigo jantaria com ela noite passada. - Não quero falar sobre isso. - Arthur andou mais rápido, deixando Fábio para trás. Fábio estranhou, Arthur estava sempre de bom humor, e seduzindo quem passasse por sua frente. O que será que acontecera ? *** Era meio da tarde, quando uma jovem entrou na biblioteca. A moça era alta e esguia, cabelos longos e lisos. Carla sorriu e lhe atendeu. - Olá, como posso ajudá-la ? A moça a encarou com raiva. - Você! - Disse apontando o dedo em direção a ela, que assustou com a cara de raiva da moça. - Sua piriguete de quinta! Carla arregalou os olhos. - Desculpe... o que acontec... - Foi interrompida. - Você estava ontem a noite jantando com meu noivo. - Seu noivo ? - Carla estava de boca aberta, incrédula. Então aquele mulherengo cafageste era noivo!? Por isso não ligara, nem mandara mensagem! - Descul... - Sua p*****a, desgraçada, eu e Arthur estamos noivos! Vamos nos casar. - E mostrou a mão com um enorme anel. Carla tentava dizer que não sabia e se desculpar, mas a moça estava fora de si, se não tivesse um balcão entre elas, tinha certeza que iria apanhar. Depois de muitas desculpas, a moça se satisfez e foi embora. Carla estava com a cara no chão! - Que vergonha, meu Deus! - Se atirou em uma cadeira com as mãos no rosto. - O que aconteceu Carla ? - Jeremias perguntava sério. Carla engoliu seco. - Ai Jeremias me perdoe. Eu saí com um homem ontem a noite, para um encontro, mas o cachorro, sem vergonha é noivo. Mas eu juro que não sabia. - Carla massageava as têmporas, sentindo uma dor de cabeça despontar. - Humm, ok, mais cuidado da próxima vez. - Saiu a deixando sozinha no balcão. *** Arthur já tentara de tudo pra tirar aquela mulher da cabeça. Fora dançar em uma boate, mas não sentia vontade de pegar nenhuma das moças que lá estavam se oferecendo para ele. Ele só conseguia ver aqueles olhos verdes claro na sua cabeça. - Mas que d***a! - Olhou para o celular pela décima vez. - Um conhaque por favor! - Pediu ao garçom, que prontamente o atendeu. Depois de perceber que não tinha jeito, voltou pra casa, tomou um banho frio, que também não resolveu, depois de muito rolar na cama, mandou uma mensagem para Carla: " Oi princesa. Como passou o dia ?" Era uma mensagem curta, não demonstrava desespero, mas mostrava interesse, pensou satisfeito. Enviou. Alguns minutos depois, dois risquinhos, ela visualizou. Sua foto sumiu. - Mas que m***a! - Mandou outra mensagem. "Oi Carla" Nada. Não recebia mais suas mensagem. Ela o bloqueara? Arthur sentou-se na cama. Demorou um pouco para mandar mensagem, mas não era muito exagero bloqueá-lo? Ligou para ela. Chamou até cair. Ligou de novo! E de novo! Na quarta tentativa, o telefone caia direto na caixa postal. Arthur encarava o celular sem entender nada. - Mas que p***a de mulher louca ? Socou a cama. Mais uma noite frustrada e m*l dormida. *** Carla acordou na manhã seguinte irritada. - Mas que cara de p*u! Me ligar quase meia noite! A noiva devia estar dormindo, canalha. Religou o telefone, várias chamadas perdidas dele. Bufou. - i****a! Saiu para o trabalho. Quase chegando na biblioteca seu telefone começou a vibrar novamente. Era Arthur. - Mas esse cara não desiste ? Ele acha que sou o que? - Recusou a chamada. *** Arthur já estava a beira de um colapso nervoso. Além de m*l dormir a noite, estava cheio de pacientes, lhe dando pouco tempo para almoçar. Estava com uma carranca h******l, quando Fábio bate em seu consultório. - Olá amigo, como vai? - Ao olhar o amigo se assustou com a carranca. - O que houve Arthur, porque essa cara ? Arthur não aguentava, precisava conversar com alguém sobre isso. - Lembra-se de Carla ? - Sim. - Fábio lembrou-se que foram jantar. - Tudo bem com ela ? - Sim. Isso sim. Mas ela está me enlouquecendo. - Disse passando as mãos nos cabelos, frustrado. Fabio sorriu - A amiga dela também faz isso comigo. Arthur encarou o amigo: - Não num sentido bom. Você acredita que ela me bloqueou em tudo? - O que você fez Arthur? - Fábio falou enrugando a testa preocupado. - Eis aí o problema. Eu não sei! E ela não fala comigo. Mas hoje vou esperá-la na saída da biblioteca. Ela vai ter que falar comigo! - Arthur estava irredutível. - Ok, boa sorte. - Fábio sabia que o amigo quando metia algo na cabeça, ninguém tirava. - Luana poderia perguntar a ela. - Arthur olhou o amigo esperançoso. Lembrara que Luana era melhor amiga de Carla, e estava de namoro com Fábio, que era o seu melhor amigo. - Falarei com ela e lhe informarei. Mas ela só volta a trabalhar amanhã. Talvez não possa ajudar. Arthur suspirou. - Ok, obrigado. Me informe qualquer coisa. *** Arthur aguardava Carla em frente a biblioteca, não vira seu carro lá, mas havia pego o número da biblioteca na internet e ligara, quem o atendeu foi ela, mas ele não falou nada. Queria olhá-la nos olhos e entender que loucura era essa. Carla recebera uma ligação no meio da tarde, mas ninguém falara nada, sempre que isso acontecia, salvavam o número e retornavam a ligação ou mandavam uma mensagem. Quando adicionou o número no w******p, a foto de Arthur apareceu. Carla torceu a boca, ela podia ser meio lerda e inocente às vezes, mas não era burra. Pediu para Jeremias se podia sair mais cedo, ele não a encontraria ali, de jeito nenhum ela ia olhar na cara daquele libertino cretino. Quando Arthur viu que Jeremias saíra sozinho e fechara a biblioteca, seu estômago revirou. Ela já tinha saído. Ele havia saído mais cedo do trabalho para poder encontrá-la e agora estava ali feito bobo. Socou o volante. - Garota maluca! - Gritou para si mesmo. E foi para casa. *** No dia seguinte Carla esperava Luana dentro da biblioteca, comprou flores para ela, era o primeiro dia de trabalho dela depois de tudo que aconteceu. Percebeu alguém entrando e levantou a cabeça sorrindo, achando que fosse Luana. Encontrou os olhos negros de Arthur, lindo como da primeira vez que o viu, vestia-se de forma social, mas sem jaleco. Cabelos bem penteados e aquela barba que só o tornava mais atraente. Carla praguejou a si mesma. "Sua louca, ele é noivo!" - O que você quer aqui ? - Carla falava por entre os dentes. Como ele ousava ir ali? Sua noiva só faltara lhe socar a cara e ele ali bem belo. Arthur encarou-a sério. Aquele sorriso, sentira saudades daquele sorriso, que iluminava todo o seu rosto. - O que está acontecendo ? - Perguntou de maneira suave. Mas com o coração aos solavancos. - Vá embora, a.g.o.r.a. - Dissera lentamente com um olhar cortante. Arthur naquele momento percebera que algo estava muito errado. A menina gentil e sorridente tinha dado lugar a uma mulher seca e com raiva. - Olha me desculpa, mas eu não sei o que fiz de errado. - Arthur tinhas as sobrancelhas franzidas, demonstrando sua confusão. Carla estava ficando vermelha de raiva. A noiva não tinha dito nada ? Ela que não iria dizer. Que se corroesse... - Princesa... - Arthur tentou falar, mas foi interrompido. - Não me chame de princesa Arthur. - Carla sentia seus ouvidos zunirem. Apesar de estar muito zangada e chateada, não conseguia não o achar atraente e maravilhosamente lindo, ele até parecia inocente. Ela falando o nome dele, fazia-o contorcer-se de prazer, pena que não podia arriscar beijá-la, ou poderia levar um soco na cara, tamanha a raiva que ela estava dele. - Carla... por favor me escute. - Ok. - Carla cruzou os braços com uma cara de descrença. Nesse momento Luana entrou, e passou rapidinho pelos dois. Arthur pedira desculpas por tê-la beijado, pediu desculpas por tê-la convidado para sua casa, pediu desculpas por demorar para ligar e mandar mensagem... ele não sabia mais porque se desculpar e nem entendia porque se importava tanto com as desculpas dela, estava furioso consigo mesmo por estar ali, e com ela, por o estar ignorando. Depois de muitas tentativas, precisava ir trabalhar, já estava atrasado. Mas não desistiria assim. "Ela não sabe com quem está mexendo" Pensou irritado indo para o carro. Carla estava sentada na frente do computador, parada com o pensamento longe. Quando viu a amiga se aproximar. Pulou da cadeira. - Lu, que bom te ver. - Abraçou a amiga. - Eu não aguentava mais o Jeremias aqui na frente me ajudando. Menina as piadas dele são péssimas. - As duas riram. Jeremias era assim, tentava fazer todos ao redor rir com suas piadas ruins. Carla contava todas as novidades para Luana, enquanto almoçavam. Mas sobre Arthur nenhuma palavra. Luana então começou a contar sobre os dias de folga, sobre Fábio e seu irmão policial. - Mas Lu, você está apaixonada por ele também? - Carla perguntara sorrindo e com os olhos brilhando. Era uma romântica incurável mesmo. - Amiga... estou perdida, ele me vira do avesso. - Luana respondera escondendo o rosto com as mãos. - Uaaaaau - Carla batia palminhas animada. - E você? Como vai com Arthur? - Luana aproveitou o momento de falarem sobre romances para perguntar. - Nem me fale naquele mulherengo! - Carla fez um bico de desgosto. - Pode me contar o que tá acontecendo, o que ele fez ? - Luana já estava preocupada, mas sabia que a amiga sabia se cuidar. - Saímos para jantar. Jantamos. Ele me beijou na hora de me largar em casa. E eu deixei amiga. - "E que beijo" pensou Carla. - Mas daí no dia seguinte, veio uma moça aqui na biblioteca, dizendo que era noiva dele, e que tinha visto a gente junto na noite anterior. Me chamou de v*******a pra baixo. Tem que ver a vergonha que passei. - O que ele disse sobre isso? - Luana perguntava de olhos arregalados e boca aberta. - Não contei. Disse que ele era um mulherengo e ele que lute pra descobrir. Ele já tem namorada, o que ele quer atrás de mim? - Será mesmo ? - Luana interrompeu incrédula. -Lu, a mulher foi no meu trabalho. Tive que jurar que não sabia que ele tinha namorada, me desculpei e ainda sim, ela me humilhou. Nunca pensei passar por isso. - Carla sacudia a cabeça de um lado para o outro. Luana pensou um pouco. Não tinha ouvido nada de Arthur ter namorada, mas ela ia descobrir isso. Resolveu não falar nada pra amiga, visto que ela já estava furiosa.
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