O Jantar

2070 Words
Carla tirava todas as roupas do roupeiro, atirando-as na cama. - Calça, calça, macacão, blusa amarela, outra amarela, laranja, verde limão... Meu Deus! Eu não tenho roupa para um encontro!!! - Carla se atirou sentada no chão, encarando sua cama lotada de roupas. Carla havia dado seu número para Arthur a um dia atrás, que lhe enviara mensagem no mesmo dia, confirmando o jantar deles e pedindo seu endereço, para buscá-la. Até se animou na hora, mas agora olhando para seu guarda roupas, arrependia-se de ter aceitado. Faltava uma hora para ele chegar. O que faria... Ligou para sua prima Elaine, que desde criança era sua melhor amiga. Era quem a salvava da solidão, enquanto seus pais trabalhavam. - Alô? Laine, por favor me ajuda. Estou com um problemão. - O que houve Carla ? - Elaine perguntou agitando-se. -Tenho um encontro e não tenho roupa... - Ai meu Deus! - Elaine, gritava no telefone. - Cleber, Carla tem um encontro. - Elaine falava com seu noivo. - Dá pra parar de me expor dessa maneira? - Carla revirava os olhos. Tudo bem que quase não tinha encontros, mas não era pra tanto. - Ele estará aqui em 50 minutos, e não tenho nada que possa ser usado em um encontro. - Claro que não tem! - Elaine bufou do outro lado da linha. - Elaine! - Carla a repreendeu, a fazendo rir. - Ok, faz o seguinte, vai arrumando o cabelo e maquiagem, que levarei algo meu para emprestar, tá ? Em 20 minutos estarei aí. Beijos. - E desligou. Deixando Carla gelada de medo. Sua prima era pouca coisa mais alta que ela, mas vestia-se de forma totalmente sedutora, não acreditava que teria algo que fosse agradá-la. Mas tinha outra escolha ? Carla já estava de banho tomado e cabelos arrumados, só faltava a maquiagem. Não costumava usar muita coisa, nem tinha muitas maquiagens, optou por passar um rímel nos longos cílios, um ** compacto só para retirar o brilho da pele e um batom nude. Cerca de 20 minutos depois, estava com uma sacola em suas mãos. Olhava para dentro com a cara torcida. - O que você trouxe Elaine? - Ai para de bobeira, trouxe maquiagens também. - Ergueu outra sacola em sua mão com um sorriso enorme no rosto. - Já me maquiei. - Carla disse pegando o vestido preto, na sacola também tinha um par de sandálias de salto. - Obrigada pela sandália de salto, mas vou de sandália baixa... - Antes que terminasse, Elaine retrucou. - De maneira nenhuma! Trate de colocar um salto. - Mas eu não sei caminhar de salto direito. - Carla arrependia-se de ter ligado para a prima. - Bobagem, eu trouxe uma sandália de salto largo, veja. - Disse ela, pegando o salto e mostrando. - Você vai ver que é bem fácil. Carla revirou os olhos, não dava pra discutir com essa garota! Vestiu o vestido que se ajustou perfeitamente em seu corpo, era curto, um palmo acima do joelho, que para ela era muita coisa. Colocou a sandália e parecia que o vestido tinha ficado mais curto. - Pelo amor de Deus Elaine! Eu não vou sair assim! - Nesse instante seu celular apita. Carla pegou-o e empalideceu. - Ele já está aí em baixo. - Olhou de olhos arregalados para a prima que ria com a mão na boca. - Vai, pega sua bolsa e vai. Vou te esperar aqui, quero saber de tudo depois. Carla olhou-a sem acreditar. - Vai deixar seu noivo sozinho, só por uma fofoca? Elaine caiu na gargalhada. - Pode apostar, já o dispensei por hoje. Carla revirou os olhos. Se olhou no espelho novamente. Que desastre! Pensou. Pelo menos não dera tempo de Elaine a maquiar. Saiu do apartamento, suas pernas bambearam um pouco, mas se concentrou no piso a sua frente. Não dava pra voltar atrás. Entrou no elevador, respirando fundo, uma, duas vezes. Saiu andando lentamente, tentando parecer calma. Ao sair na portaria deu de cara com Arthur. Ele estava escorado no carro. Calça social preta, sapatos pretos, camisa branca de manga longa, ressaltando cada músculo que ele tinha. Seu rosto estampava um sorriso de lado, os olhos continham um brilho que a fez querer correr de volta para o apartamento. Arthur chegara 10 minutos mais cedo propositalmente, gostava de surpreender. Carla demorou uns minutos para descer, mas quando desceu... Seu coração falhou uma batida. Quem foi surpreendido foi ele. Ela vestia-se com um vestido preto justo, marcando cada curva de seu corpo, um pouco acima dos joelhos, estava de salto, os cabelos soltos com aqueles cachos brilhantes, que pulavam a cada passo dado. O rosto com pouca maquiagem mostrando os traços suaves e perfeitos de seu rosto. Ele passou a língua nos lábios, deu alguns passos para alcançá-la. Carla estava séria, os olhos verdes por trás do óculos mostravam que estava em dúvida, mas antes de qualquer decisão, Arthur já lhe contornara a cintura e lhe beijava o rosto. Ela fechou os olhos brevemente, apenas para apreciar o perfume que ele exalava. Arthur lhe encaminhou ao carro com a mão em suas costas, fazendo queimar onde tinha tocado. No caminho para o restaurante, Carla fazia uma nota mental: agradecer Elaine, apesar de estar nervosa, via o quanto ele estava impressionado com ela.  Chegaram no restaurante. Era uma casa branca enorme, cheia de luzes, chique pra caramba. Arthur andava segurando sua mão, a qual ela não recusou, estava gostando do contato. - Olá. - Dirigiu-se ao garçom na recepção. - Reserva em nome de Arthur Gonçalves. O garçom olhou seu computador. Sorriu. - Por aqui senhores. E adentrou o enorme salão, cheio de mesas e pessoas jantando. Carla estava sem ar, acompanhava os passos de Arthur, agradecendo internamente por ele estar caminhando devagar. Foram encaminhados para um corredor lateral, adentraram em uma sala menor, que tinha na porta escrito: Sala VIP reservada. Carla sentiu um arrepio estranho na barriga. Ele tinha pedido uma sala VIP, se sentiu lisonjeada. Vendo que ela parou na entrada da sala, Arthur olhou-a e sorriu. - Vamos princesa? Carla o olhou e torceu o nariz. - Não sou uma princesa. - E entrou, sob o olhar intenso e perscrutador de Arthur. O jantar estava delicioso, conversaram sobre suas vidas e trabalhos, nada muito íntimo. Arthur bebera apenas uma taça de vinho, Carla apenas água. Não costumava beber, e não arriscaria sua vida bebendo com um estranho. Arthur gostara da companhia dela, ela parecia sincera, conversava com ele sem se insinuar, apesar de a cada movimento que ela dava ele perceber. Ria com vontade das piadas dele, e quando não achava engraçado ela mexia as sobrancelhas de um jeito engraçado. Arthur estava ansioso para beijá-la. Ela tinha a boca perfeita, bem desenhada, era grande mas não exagerada e os dentes brancos e retos, completavam a harmonia daquele rosto. Seus olhos brilhavam de excitação, não queria apenas beijá-la, não mesmo, queria era tirar aquele vestido e ver as curvas por debaixo dele. Quando deu por si, Carla o chamava. - Arthur? - Ahn desculpa, o que disse? - Ele sorria convencido. Carla não sabia no que ele estava pensando, mas reparou a mudança em seus olhos tão negros quanto a noite, isso a fez arrepiar-se. - Está com frio ? - Ele perguntara. - O ar condicionado está muito gelado ? Carla sorriu levemente. - Não. Está ótimo. Arthur sorriu, mostrando seus belos dentes brancos contrastando com a barba preta. - O que você dizia ? - Falou erguendo uma sobrancelha. Carla pigarreou. - Perguntei qual a sua idade, você não me disse ainda. - 30. - Ele respondera como se isso fosse algo a se vangloriar. - E você ? 30 anos... ele era mais velho alguns anos, talvez por isso parecia tão seguro de si. Talvez quando chegasse nos 30 se sentiria mais confiante em um encontro. - 24 - Disse e bebeu um gole de sua água. Sentia sua boca ficando seca, talvez fosse a sobremesa ou esse nervosismo que retornara a fazendo sentir o estômago adormecer. Arthur observava cada movimento, como um Guepardo a espreita de sua presa, sentia o nervosismo dela, isso o deixava mais e******o. - Bem agora que nos conhecemos um pouco, que tal irmos lá pra casa? - Arthur falava como se a tivesse convidando para ir ao mercado. Carla ergueu as sobrancelhas surpresa. Enrugou a testa e virou a cabeça de lado. Arthur se surpreendeu com a demora para aceitar, mas não perdeu o sorriso. Nunca o recusavam, talvez ela precisasse de mais incentivo. Se aproximou dela por cima da mesa. - Quero lhe mostrar alguns livros que tenho. - Falava com a voz mais baixa, fingindo inocência, ela falara sobre sua paixão por livros, isso deveria fazê-la aceitar a proposta. Carla olhou para ele, seus olhos brilhavam, mas ela não conseguia lê-los. Olhou para seu celular. Já eram quase 23 horas. - Está tarde... marcamos outro dia, o que acha ? - Falara sorrindo para ele. Carla viu o sorriso de Arthur se desmanchar lentamente. Ele engoliu seco. "Mas que d***a está acontecendo aqui ?" Pensou, sentindo seu m****o latejar na calça. Olhou mais uma vez naqueles olhos verde claro, ela não parecia estar "se fazendo" de difícil. Parecia... só ela, sendo ela. Aquilo o incomodou. - Ok... - Sorriu para ela. - Vamos para a casa então ? - Vamos! - Carla sorriu. - O jantar estava maravilhoso, muito obrigada pelo convite. - Disse levantando-se. Ao passarem por uma das mesas no grande salão, Arthur sentiu olhos o fitando, virou o rosto e viu Pâmela, uma ex-ficante. Não demorou-se no olhar, fingindo não vê-la e agradeceu a Deus por ela não ter ido cumprimentá-lo. Na viagem de volta, Arthur pegou o caminho mais longe, para poder conversar mais com Carla. Estava intrigado com ela, tão linda e alegre, devia ter muitos rapazes a seus pés. Mas ela parecia alheia aos olhares que davam a ela. - Chegamos princesa. - Disse ele estacionando o carro e virando-se para ela. - Meu Deus, para com isso. - Carla falava sorrindo dessa vez, ele tinha sido educado e gentil o jantar inteiro, e uma vez por outra a chamava de princesa, ela detestava ser chamada assim, mas não conseguia se zangar, via que era um costume dele. Mas não gostava. Arthur riu alto. - Mas você é tão linda quanto uma princesa. - Disse com a voz rouca. Carla olhou para seu rosto, agora sério. Aquele brilho estranho nos olhos dele, estava lá de novo. Ficou encarando-o fixada em seus olhos. Arthur foi aproximando-se lentamente, até quase encostar seu nariz no dela. Desviou de seus olhos e mirou a boca. Carla passou a língua de forma inconsciente nos lábios, que estavam ficando secos devido a respiração pesada. Era o que faltava para Arthur não resistir mais. Aproximou seus lábios até encostarem nos dela. Ela tinha a boca macia e quente, Arthur começou com um beijo suave, sentindo o toque da boca dela. Ao sentir que ela entreabria os lábios penetrou sua língua na boca dela, explorando o máximo que podia. Carla correspondia ao beijo, que de suave se tornou voraz e avassalador, ele beijava bem, muito bem... segurava seus cabelos atrás da nuca, fazendo-a arrepiar-se inteira, ela mantinha as mãos em seu colo, arriscou colocá-las nos ombros dele, e quando deu por si, estavam em seus cabelos, que já estavam despenteados pelas carícias. Carla se afastou sem fôlego. Arthur levou a mão em sua perna, subindo devagar e se aproximando para retomar o beijo. Ele estava tomado pelo desejo, não precisavam ir para casa nenhuma, ele poderia tomá-la ali mesmo naquele carro. - Calma. - Carla levou as mãos ao peito dele, sentindo a pulsação acelerada de seu coração, sentindo a firmeza daquele peitoral. - Vamos com calma. Arthur não podia acreditar no que ouvia. Ela estava falando sério ? Viu que ela abria a porta do carro. - Espere. - Disse alto, a fazendo parar e virar-se para ele. Ele engoliu seco. O que diria? Escolheu algo que o daria tempo para pensar se valia a pena sair com ela de novo. - Eu te ligo! Essa frase era dita por todos os homens que não queriam compromisso, para todas as mulheres com quem saiam. Mas dava uma esperança a elas, talvez ele realmente ligasse. Assim, despediu-se de Carla, que entrou rapidamente em seu prédio.
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