Tem coisas que a gente nunca esquece, mesmo querendo. O som da porta se trancando atrás de mim. O barulho dos saltos da Vera descendo as escadas. O cheiro do perfume doce demais misturado com o cigarro que queimava o ar. Foram anos convivendo com esses fantasmas — até o dia em que um deles me mostrou a saída. Naquele lugar, o tempo não passava. A gente só contava os dias pelo tanto de sono que perdia e pelos homens que subiam as escadas. Vera dizia que a gente devia agradecer, que pelo menos ali tinha cama, comida e teto, porém eu sempre soube que não era abrigo — era prisão. Foi numa noite qualquer, daquelas em que o corpo tá presente, mas a alma já se perdeu, que ele apareceu de novo. Eduardo. O nome dele me soava diferente na boca, era cliente antigo. Mas diferente dos outros — nã

