Passei mais uma noite naquela poltrona dura, o corpo pedindo descanso e a mente recusando. O quarto do hospital já parecia extensão da minha casa: paredes brancas descascadas, cheiro de álcool barato, a luz amarelada piscando como se fosse cair a qualquer momento. Eu ficava ali, sempre do lado, ouvindo o som da respiração dela, aquele ritmo lento que me lembrava que ainda tava viva. Não sei bem que horas foram, mas quando percebi, o barulho mudou. Não era mais só o apito baixo das máquinas. Ouvi um suspiro forte, rápido, como quem desperta de um pesadelo. Me ajeitei na poltrona, o corpo instintivamente alerta. Os olhos dela abriram. Castanhos, grandes, mas cheios de medo. Olhar perdido, tentando entender onde estava. Demorou dois segundos pra cair a ficha e aí veio o pânico. Ela tento

