O fim da tarde caía sobre o asfalto rachado, e o morro lá de cima parecia observar tudo com desconfiança. Rato e Mauricinho caminhavam lado a lado pela Rua das Amoras, o olhar atento em cada portão, cada rosto que passava. O calor ainda grudava na pele, o ar pesado de poeira e gasolina fazia o cigarro de Rato parecer mais amargo do que o normal. — Diz aí, cê tem certeza que é aqui? — perguntou Mauricinho, ajeitando a corrente de prata no pescoço. O sorriso dele era cínico, o tipo de sorriso que sempre antecedia confusão. Rato tragou fundo antes de responder. — Foi o que o mototáxi falou. Disse que viu uma menina nova entrando nessa rua com um velho uns dias atrás. E o velho bate com a descrição do tal Nilo. Mauricinho riu de leve. — Aposto que esse Nilo aí achou que ia fazer carida

