A noite chegou devagar, cobrindo o morro com aquele manto de luzes piscando ao longe. Do alto, dava pra ver as casas acesas, o som das motos subindo e descendo, o barulho dos rádios e o cheiro de comida no ar. Dentro da casa de Guto, o silêncio dominava — um contraste raro por ali. Depois de comerem, Isadora ficou quieta, olhando o chão como quem não sabia pra onde ir. Guto, sentado no sofá, terminou o último pedaço de pizza e limpou as mãos na toalha de papel. Ela parecia cansada, mas também inquieta, o olhar perdido em algum lugar que ele não conseguia alcançar. — Cê quer tomar um banho? — perguntou, sem rodeios. — Deve tá se sentindo toda grudenta desse calor. Isadora levantou o olhar, um pouco assustada com a pergunta, mas logo assentiu, tímida. — Quero sim… se não for incômodo.

