O sol já começava a descer quando Rato e Mauricinho estacionaram o carro perto da base do morro. A rua era apertada, cheia de gente indo e vindo, camelôs gritando, o cheiro de pastel e gasolina se misturando no ar pesado do fim de tarde. Os dois desceram do carro, olharam pra cima. Lá em cima, o morro respirava — uma favela viva, cheia de olhos escondidos nas janelas e vielas. O som do funk ecoava fraco, vindo de algum barraco distante. — É aqui. — murmurou Rato, ajeitando a corrente no pescoço e olhando em volta com aquele olhar de caçador. — Se alguém achou o corpo, é daqui. Mauricinho riu de canto, tirando o cigarro do maço. — Cê acredita mesmo nessa conversa? Aquela garota devia ter morrido no beco, cê mesmo viu o estado dela. — A Vera não acha isso. — respondeu Rato, acendendo

