A manhã m*l tinha começado e o morro já tava daquele jeito: barulho de moto, rádio chiando, vapor passando com a pochete atravessada no peito, cheiro de cigarro misturado com café barato. Aquele caos organizado que só quem vive entende. Eu fui pra boca mais cedo do que o normal, mente inquieta, corpo cansado, mas… o coração? Pior ainda. Guto tava encostado na parede, conferindo o rádio, mastigando chiclete como se nada no mundo pudesse abalar o bom humor dele. — Fala, chefe. — ele disse sem olhar, ajeitando a antena. — Parece que carregou o morro nas costas essa noite. Eu bufava só de lembrar. — Quase carreguei mesmo — murmurei. — Carreguei a boneca no colo de volta pro barraco. Guto ergueu os olhos, finalmente interessado. — Ela tá bem? — Tá. — respondi, mas a voz saiu mais ba

