O telefone tocou no meio da madrugada. O som cortou o silêncio abafado do quarto de Vera, ecoando pelo corredor do bordel como um chamado do próprio inferno. Ela se levantou com raiva, enrolada no lençol de seda vermelha, e pegou o celular de cima da cômoda. O número era desconhecido, mas o prefixo… ela reconheceu. — Alô? — a voz saiu seca, impaciente. Do outro lado, o som de um motor ao fundo e um pigarro rouco. — Vera… é o Miltão. Do desmanche. Ela endireitou o corpo, os olhos se estreitando. — O que foi, Miltão? — perguntou num tom firme, mas o coração acelerou. Ninguém ligava pra ela de madrugada sem motivo. — Vieram aqui hoje de tarde, uns dois caras… perguntando da van. Silêncio. Por um instante, o barulho distante da rua foi tudo o que se ouviu. — Que van? — ela perguntou,

