A noite tinha caído faz tempo, mas eu ainda não conseguia desligar. O morro dormia — ou fingia que dormia — porque a essa hora sempre tinha alguém acordado, uma moto descendo devagar, um rádio tocando no fundo, o eco distante de uma conversa. Mas pra mim, era só cansaço e o barulho da própria cabeça. Quando cheguei em casa, a primeira coisa que senti foi o cheiro de cloro misturado com o vento quente. A piscina refletia a luz da lua, e por um instante pensei que estava sozinho... até ver um vulto parado na beira da água. Era ela. Isadora. Tava sentada ali, quieta, as pernas cruzadas, mexendo de leve na água com o pé. O vestido azul que ela usava ondulava com o vento, o cabelo solto caindo pelo ombro. Parecia perdida em algum lugar entre o sono e o pensamento. — Não sabia que você aind

