O som da chaleira me tirou do torpor da manhã. O sol já começava a atravessar as janelas da cozinha, riscando o chão com faixas de luz dourada E o cheiro de café recém-passado enchia o ar, misturado com o aroma de pão na chapa que eu fazia na frigideira. Tentei manter a mente no simples: café, manteiga, silêncio, mas a cena da noite anterior não saía da minha cabeça. Aquele grito. A forma como ela acordou tremendo, chorando, com o olhar perdido… E eu ali, sem saber se segurava, se falava, se apenas ficava. Acabei ficando. E quando percebi, Isadora estava dormindo de novo, abraçada em mim. Suspirei e mexi o café na garrafa e o som leve dos passos dela veio pelo corredor. Devagar, como se estivesse pisando em um campo minado. — Bom dia… — a voz saiu pequena, meio hesitante. Virei o ro

