A noite estava calma, o tipo de sossego raro no morro. O vento soprava leve, carregando o cheiro de terra molhada e um restinho de fumaça do churrasco do fim de semana. A piscina refletia o céu estrelado, um espelho azul-escuro que fazia parecer que o mundo ali era mais sereno do que realmente era. Guto estava sentado na beira da piscina, camiseta jogada no chão, calção e o corpo parcialmente mergulhado na água. O cigarro entre os dedos queimava devagar, o brilho laranja pontuando o escuro. Ele não pensava em nada específico — ou talvez pensasse em tudo de uma vez. No trabalho, nos vapores, nas ameaças veladas que rondavam o morro. Mas, acima de tudo, pensava nela. Isadora. Desde que aquela menina cruzou o portão da sua casa, nada mais pareceu igual. Ela tinha um jeito de falar manso, d

