O resto da manhã ficou com gosto amargo de ferro. Depois de expulsar o Neguinho, eu fiquei com o coração em brasa, aquela raiva que não é só raiva — é algo que corta e marca. Não gosto de perder o controle, mas quando a linha é cruzada com a minha palavra, não tem conversa. Aqui é assim: respeito ou consequência. Peguei o celular e marquei o Guto. Não precisava dizer muito; ele já sabia que era sério quando eu chamava no meio do dia. A ligação demorou só dois toques. — Fala, primo — ele atendeu, voz tranquila, mas deu pra perceber que ouviu o tom pesado da minha respiração. — Guto, segura a boca hoje. O Neguinho tá fora. Suspende ele e manda aviso pra geral: ninguém chega perto da Serena. Ninguém abre a boca sobre isso. — Falei direto, sem rodeio. — Certo. Foi o que aconteceu? — Ele pe

