A tarde caía pesada sobre o bordel, trazendo aquele cheiro de mofo misturado com perfume barato que impregnava as paredes. Mas, diferente de outros dias, o lugar estava silencioso. Silêncio estranho. Silêncio que denunciava medo. Vera andava de um lado para o outro pelo corredor estreito, salto batendo no chão de madeira velha, o cenho franzido e o lábio inferior sendo mordido com força. Ela tentava disfarçar o nervosismo com o cigarro entre os dedos, mas a mão tremia o bastante para denunciar a verdade. Serena desaparecida. Isadora desaparecida. O “comprador” cobrando a entrega. Aquela era a pior combinação possível para ela. Vera sempre lidou com situações complicadas — meninas fujonas, clientes violentos, polícia rondando, brigas internas — mas desta vez era diferente. Desta vez ela

