Capítulo 16 Vulcano

1096 Words
Vulcano Narrando O corpo travou. A respiração prendeu. E eu gøzei. Leite quente escorrendo pela mão, pela coxa, pelo ralo do chuveiro. Fiquei parado uns segundos parado, respirando pesado, o coração acelerado, a testa ainda encostada no azulejo. — Como é que pode… — murmurei, abrindo os olhos devagar. — A mina nunca sentou em mim e já faz isso tudo comigo… Terminei o banho. Ensaboei o corpo. Lavei o cabelo. Enxaguei tudo. Escovei os dentes ainda pensando nela. A escova subindo e descendo, a espuma branca nos lábios, e a imagem dela na minha cabeça. Saí do banheiro enrolado na toalha. A toalha branca na cintura, o peito ainda molhado, os pés descalços no piso frio. Fui pro closet. Camisa social preta. Calça preta. Mocassim preto. Cinto preto. Cueca nova. Vesti tudo devagar. Ajeitei a camisa no espelho. Passei a mão no cabelo. Peguei a corrente de ouro grossa no porta-joias e coloquei no pescoço. O ouro brilhando na pele morena. Me olhei no espelho. A cara fechada. O olhar diferente. Um brilho que não tava ali antes. Eu tava mexido. E isso era raro pra c*****o. — Bora, Vulcano. — falei pra mim mesmo, dando um tapinha na própria cara. — Desfile. Coroa. Asfalto. Depois a gente resolve o resto. Peguei a chave da moto. O celular. A pistola. E desci. Mas a imagem dela não saiu. Nem na moto. Nem no caminho. Nem em lugar nenhum. Subi na moto e rumei pra casa da coroa. O vento batendo no peito, a mente longe, o corpo ainda quente de lembrar dela. Passei pela ladeira, fiz a curva, parei na porta. Buzinei duas vezes. A porta abriu. Depois o portão entrei com a moto na garagem. Desci da moto já vendo ela toda linda. Descendo os degraus parecendo uma estrela de Hollywood. Vestido longo azul marinho, salto alto, cabelo preso, brinco de ouro brilhando nas orelhas. Postura de rainha. Sempre foi assim. Ela não sai de casa desarrumada nem pra levar o lixo fora. O coroa ficou na porta, em pé, braços cruzados, aquele sorriso safado de quem já sabia que eu tava putø por ter que ir. — Tu me paga, coroa. — falei, balançando a cabeça. — Tu não gosta dessas parada e me enfia nesses rolê com a coroa. Mas teu dia tá chegando. Ele deu uma gargalhada. A barriga tremeu. — Vai pela sombra, filho. Vai pela sombra. — ele respondeu, acenando. Minha mãe jogou um beijo pra ele, jogou a chave para mim, abrir a porta, ela entrou no carro, ajeitou o vestido. Eu entrei logo depois dela. — Já vai começar, Vulcano. Anda logo. — Tá, tá. — liguei o carro e saí. Desci o morro com uma mão no volante, a outra no cotovelo, a cabeça longe. A imagem dela não saía. O body branco. A boca molhada. O jeito que ela segurou meu ombro. A respiração ofegante. — Putä que pariu… — resmunguei baixo. A coroa me olhou de lado. — Falou alguma coisa? — Nada, mãe. Tô concentrado no trânsito. Chegamos no local do desfile. Estacionei. Desci. Abri a porta pra ela. Três motos de segurança chegaram na mesma hora, os caras descendo, se posicionando. Entramos. O lugar tava lotado. Luz colorida. Gente arrumada. Música alta. Aquele mesmo clima falso de sempre. Fiquei procurando um lugar pra sentar. Varrendo a plateia com o olho. — Tá procurando alguém? — minha mãe perguntou, atenta como sempre. — Nada. — respondi rápido demais. — Vou até o camarim. — ela falou. — Falo com a Gisele e já volto. — Beleza. Fico aqui. Ela foi. Eu sentei na primeira fila, igual da outra vez. As pernas abertas, os braços cruzados, a cara fechada. O desfile começou. Mulher linda pra c*****o passando na minha frente. Umas magras, outras mais cheinhas, umas loiras, outras morenas. Todas bonitas. Todas gostosas. Mas nenhuma se comparava. Nenhuma tinha aquele olhar. Nenhuma tinha aquela boca. Nenhuma tinha aquele corpo. — Pørra… — murmurei sozinho. E aí ela entrou. De body. O mesmo body que eu vi ela usando nas redes sociais. Aquele que quase me matou quando vi a foto. A lingerie preta. Renda. O fio da calcinha subindo na curva da cintura. O sutiã sustentando tudo no lugar. A perna grossa. O cabelo solto. A pose de quem sabe o poder que tem. Só que dessa vez era diferente. A cor era outra. Vermelho. Vermelho vivo. Sangue. Eu levantei sem perceber. — c*****o, putä que pariu! — soltei alto, sem pensar. Metade da plateia virou pra me olhar. Os segurança se mexeram. Umas velhas de vestido longo me olharam torto. — Desculpa aí… — falei, sentando de novo, passando a mão na nuca. — Desculpa aí. Minha mãe apareceu do meu lado. — Aconteceu alguma coisa, filho? — Nada, não. — respondi seco. — Mas ela podia desfilar com mais roupa, não? Minha mãe me olhou. Aquele olhar de quem já entendeu tudo. — Eu te conheço, Vulcano. — ela falou, baixo. — Você só fica com ciúmes assim da minha pessoa. — Não tô com ciúmes nenhum. — menti. Ela sorriu. Não respondeu. Só voltou o olhar pra passarela. O desfile continuou. Ela entrou quatro vezes. Quatro. Com a mesma falta de roupa. Uma mais linda que a outra. Um body vermelho, um azul, um verde, um branco. Cada vez que ela vinha, meu p*u endurecia. Cada vez que ela virava na ponta da passarela e olhava pra plateia, eu sentia o sangue descendo. Na quarta vez, eu já tava suando. O p*u duro, roçando na calça, latejando. Levantei. Fiz sinal pro segurança. — Vai ali atrás de uma água pra mim. — falei, a voz grossa. — Aqui tá quente pra caralhø. O segurança me olhou de lado. Meio desconfiado. Mas foi. O desfile acabou. Ela saiu do palco. Eu levantei na hora. — Tudo bem, filho? — minha mãe perguntou. — Tudo. Vou ali. Saí andando rápido. Contornei o palco pelo lado. Fui pra onde as modelos desciam. Corredor lateral. Luz branca. Gente passando. Quando cheguei, parei. Ele já descendo do palco e antes eu dei o próximo passo, ela tava lá. Guilherme. De pé. Batendo palma devagar. Olhando pra Jane como se ela fosse um troféu. Como se ela fosse propriedade dele. Como se todo mundo ali fosse plateia e ele fosse o dono do espetáculo. Meu maxilar travou. Os punhos fecharam. — Não acredito que ela vai dar a audácia pra esse filho da putä… — murmurei entre os dentes, a voz saindo grossa, roncando no peito. Continua...
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