Vulcano Narrando Saí da reunião na boca com a cabeça fervendo igual panela de pressão. Desmontei o kit ainda subindo o beco do barraco — a bandoleira pesada no ombro, o colete balístico apertando o peito, o suor escorrendo pela testa, o cheiro de pólvora ainda grudado na roupa. Joguei o colete em cima da cadeira de praia que fica na varanda, puxei a camisa pela cabeça já indo pro banheiro, os botões arrebentando, o tecido voando pro cesto. A água caiu gelada nas costas — o cano lá de cima rangeu, o chuveiro demorou uns segundos pra pegar pressão — mas não esfriou nada aqui dentro. A raiva continuava quente. O ódio continuava fervendo. A preocupação continuava apertando o peito mais que qualquer colete. Banho rápido. Sem tempo pra pensar. Sem tempo pra ficar embaixo d'água igual turist

