Naya Algumas semanas passam, mas a sensação é de que minha vida ficou presa num mesmo dia, repetido várias vezes com detalhes diferentes. Afonso agora está na mansão. Eu escuto a voz dele ao longe, no corredor, às vezes no jardim, falando ao telefone, rindo com alguém. Vejo de relance a silhueta no topo da escada, a sombra passando diante da porta do escritório, o som dos passos masculinos subindo e descendo como se a casa fosse um hotel. Mas ele evita contato direto comigo. Não bate na porta do meu quarto. Não senta comigo pra conversar. Não age como um marido que voltou de viagem pra conhecer a esposa com quem se casou no papel. E, à noite, o quarto fica vazio. Nenhum passo no corredor. Nenhum perfume. Nenhuma mão me puxando pro escuro. O homem da noite desapareceu junto com

