Ele assentiu. — Já faz semanas que a gente se aproxima, e eu tô levando isso a sério. Queria te convidar oficialmente. Um jantar. Um pedido. Engoli seco. Meu corpo inteiro enrijeceu, como se cada músculo soubesse que aquilo era errado. Dario era doce. Atencioso. Carinhoso. Mas eu não sentia o mesmo. E, mesmo assim, me forçava a sorrir. — Claro, eu… a gente pode sair sim — respondi, com um nó na garganta. Ele me deu um beijo leve na testa, como quem sela um contrato. Mas não era carinho. Era um peso novo nas minhas costas. Naquela noite, fiquei horas me olhando no espelho do banheiro. Cada vez que fechava os olhos, via o rosto de Thiago. Os olhos famintos. As mãos quentes. As palavras que ele disse em tom baixo e possessivo: "Se você me tocar de novo... eu não vou conseguir parar."

