Capítulo Dezanove

1669 Words
Manuela Morris A dor vinha em ondas avassaladoras, sugando toda a minha energia e deixando meu corpo trêmulo. Eu apertava com força a mão de Collin, que estava ao meu lado, mais nervoso do que eu. Meu coração pulsava acelerado, misturando a dor física com a ansiedade e a emoção de finalmente trazer nossos bebês ao mundo. O hospital estava em alvoroço. Enfermeiras corriam de um lado para o outro, médicos se preparavam, e eu sentia o suor escorrendo pela minha testa. — Você está indo muito bem, amor — Collin murmurou ao meu lado, sua voz trêmula de preocupação. Tentei rir, mas só consegui soltar um gemido de dor. — Se isso é ir bem, então eu nem quero saber o que é ir m*l — sussurrei entre respirações pesadas. — Você é forte, Manuela. Eu estou aqui com você. As palavras dele aqueceram meu coração, mas outra contração me atingiu como um raio. Meu corpo inteiro se retesou, e eu gritei, agarrando o lençol da maca como se minha vida dependesse daquilo. A Dra. Santana se aproximou, com um olhar profissional e ao mesmo tempo acolhedor. — Estamos quase lá. Você já está com dilatação total, Manuela. Na próxima contração, quero que faça força, ok? Assenti, mas o medo tomava conta de mim. E se algo desse errado? E se os bebês precisassem de cuidados especiais? Collin apertou minha mão. — Você consegue. Eu sei que consegue. Eu queria acreditar nisso, mas tudo que sentia era dor, exaustão e um turbilhão de emoções que pareciam incontroláveis. Então, a contração veio, e a dor me consumiu novamente. — Agora, Manuela! Empurre! — a médica ordenou. Gritei com toda a força que me restava e pressionei minhas mãos contra a cama. Meu corpo queimava, meu coração disparava, mas então… Um choro agudo preencheu a sala. Meu coração parou por um instante. Meu bebê. — É uma menina! — anunciou a médica, levantando o pequeno ser ensanguentado diante de nós. Senti as lágrimas escorrendo antes mesmo de perceber que estava chorando. Minha filha. Minha menina. — Ela… ela está bem? — perguntei entre soluços. — Sim, perfeitamente saudável! Uma enfermeira enrolou minha filha em um cobertor macio e a trouxe até mim. Quando ela foi colocada nos meus braços, uma onda avassaladora de amor tomou conta de mim. Seu rostinho delicado, seu nariz pequeno, seus cabelos escuros… Ela se parecia comigo. — Oi, meu amor… — murmurei, acariciando seu rostinho. Collin se inclinou, seus olhos azuis cheios de lágrimas. — Meu Deus… Ela é linda. Eu sorri, mesmo exausta. Mas então, uma nova contração veio, e percebi que ainda não havia acabado. — O segundo bebê está vindo! — a médica anunciou. Meu coração acelerou novamente. Eu estava tão exausta, mas sabia que precisava continuar. Collin segurou minha mão com ainda mais força. — Você consegue, amor. Está quase lá. Reuni o que restava da minha energia e empurrei. Meu corpo inteiro gritava em protesto, mas então, outro choro encheu o ar. — Um menino! — Dra. Santana exclamou. Fechei os olhos por um momento, sentindo uma mistura de exaustão e felicidade. — Ele também está bem? — perguntei, com a voz fraca. — Sim! Forte e saudável. O segundo bebê foi entregue primeiro a Collin, que olhava para ele com uma mistura de choque e adoração. — Ele tem seu rostinho, Manu… Quando o bebê foi colocado nos meus braços, senti o mesmo amor avassalador me preencher novamente. Ele também se parecia comigo. O mesmo nariz, o mesmo formato de boca. Mas seus olhos, mesmo fechados, pareciam prometer uma cor clara. — Meus bebês… — murmurei, segurando os dois ao mesmo tempo. Collin se inclinou e beijou minha testa. — Você foi incrível. Eu nunca estive tão orgulhoso de alguém em toda minha vida. Sorri, mesmo cansada. — Eu não teria conseguido sem você. Ele olhou para os gêmeos com ternura. — Como vamos chamá-los? Olhei para minha filha, depois para meu filho. — Helena… E Caio. Collin sorriu, como se os nomes fizessem todo o sentido no mundo. — São nomes perfeitos. Depois de algumas horas de repouso, fui levada para um quarto tranquilo. A exaustão tomava conta de mim, mas toda vez que fechava os olhos, o choro de um dos bebês me fazia abrir novamente. Collin estava sendo mais atencioso do que nunca. Ele se recusava a sair do meu lado, ajudando as enfermeiras a cuidar dos gêmeos. — Eles já te conquistaram completamente, né? — brinquei, vendo Collin segurando Helena com um cuidado extremo. Ele riu, os olhos cheios de amor. — Desde o primeiro segundo. Olhei para ele e senti uma paz imensa. Por tudo que passamos, por todas as incertezas, aquele momento fazia tudo valer a pena. Agora, éramos uma família. Aqui está a continuação do capítulo, expandindo os momentos após o nascimento dos gêmeos. A madrugada avançava lentamente no hospital, e o silêncio só era interrompido pelo choro suave de um dos gêmeos ou pelo movimento das enfermeiras que entravam e saíam do quarto. O cansaço pesava sobre meus olhos, mas eu simplesmente não conseguia dormir. Helena e Caio estavam em seus bercinhos, lado a lado, respirando tranquilamente. Eu os observava como se temesse que desaparecessem a qualquer momento, como se tudo fosse um sonho e eu pudesse acordar em uma realidade diferente. Collin, sentado em uma poltrona ao lado da cama, também não dormia. Ele estava completamente absorto em olhar os bebês, como se ainda tentasse processar tudo que havia acontecido. — Você precisa descansar um pouco — murmurei, minha voz ainda fraca. Ele desviou o olhar dos bebês para mim, seu rosto refletindo um misto de exaustão e fascínio. — Eu não consigo. É como se… eu tivesse medo de piscar e perder alguma coisa. Sorri suavemente. — Eu sei exatamente como se sente. Ele se inclinou para segurar minha mão, seu polegar acariciando minha pele com delicadeza. — Eu ainda não acredito que eles estão aqui. Que são nossos. Meu coração apertou ao ouvir a ternura na voz dele. Por meses, dúvidas pairaram entre nós, desconfianças que machucaram mais do que qualquer coisa. Mas ali, olhando para aqueles pequenos seres que agora dependiam completamente de nós, senti que algo entre nós mudava. Collin se levantou e caminhou até os bercinhos. Com um cuidado extremo, pegou Caio no colo. O bebê se mexeu um pouco, soltando um gemidinho adorável antes de voltar a dormir. — Ele é tão pequeno… — Collin murmurou, como se tivesse medo de machucá-lo. — Pequeno, mas já é dono do seu coração — brinquei, vendo o jeito que ele o olhava. Ele riu, um som baixo e cansado, mas verdadeiro. — Sim. Completamente dono. Fiquei observando enquanto ele segurava Caio, balançando-o levemente. Era surreal ver aquele homem, que tantas vezes fora duro e fechado, agora se derretendo completamente pelo filho. — Você quer segurá-lo? — ele perguntou. Assenti, e ele se aproximou, colocando Caio cuidadosamente nos meus braços. Olhar para meu filho de perto me fez sentir uma onda avassaladora de amor. Passei o dedo por sua bochecha macia, sentindo o calorzinho da sua pele. Ele parecia tão frágil, mas ao mesmo tempo tão cheio de vida. — Eu nunca soube que podia amar assim — sussurrei. Collin se sentou na beira da cama, observando-me com um brilho diferente nos olhos. — Nem eu. Ficamos em silêncio por alguns instantes, apenas absorvendo a presença um do outro e dos bebês. Era um momento de paz rara, um instante onde todas as incertezas pareciam pequenas demais para importar. Então, uma batida leve na porta nos fez sair daquele transe. Uma enfermeira entrou, trazendo um carrinho de comida. — Como está se sentindo, mamãe? — ela perguntou com um sorriso caloroso. — Cansada, mas feliz — respondi. Ela assentiu, colocando a bandeja de comida perto de mim. — Isso é normal. Agora você precisa se alimentar bem para recuperar as forças. Collin ajudou a ajeitar a cama para que eu pudesse comer, e mesmo sem muita fome, tentei me esforçar. Precisava estar forte para cuidar dos meus filhos. Enquanto eu comia, ele pegou Helena no colo, segurando-a com o mesmo cuidado que tivera com Caio. A forma como ele olhava para ela era encantadora. — Eu sou um homem de negócios, sei lidar com contratos, reuniões, números… — ele começou, sua voz baixa. — Mas nada me preparou para isso. — Para ser pai? — perguntei, curiosa. Ele assentiu. — Para ser pai. Para olhar para esses dois e sentir que meu coração não é mais meu. Meu peito aqueceu com suas palavras. — Eu acho que é isso que significa ser pai e mãe… Saber que, a partir de agora, tudo que fazemos é por eles. Ele sorriu, mas depois seu olhar ficou pensativo. — Eu errei muito, Manuela. Fiquei em silêncio, esperando que ele continuasse. — Eu duvidei de você, te fiz sofrer… — Ele suspirou. — Mas, vendo esses bebês agora… Eu me sinto um i****a por ter deixado minhas inseguranças falarem mais alto. Engoli em seco. Sim, ele havia duvidado de mim, e isso tinha me machucado profundamente. Mas olhando para ele agora, vendo sua expressão cheia de arrependimento e amor, não consegui sentir raiva. — O importante é que estamos aqui agora — murmurei. Ele olhou para mim, seus olhos azuis intensos. — Eu quero fazer as coisas certas, Manuela. Quero ser um bom marido para você e um bom pai para eles. Meu coração deu um salto. — Eu só quero que você esteja presente. Que me ame e ame nossos filhos. Ele sorriu, inclinando-se para beijar minha testa. — Sempre. Ficamos ali, naquele momento íntimo e tranquilo, até que Caio começou a chorar. — Bom, parece que alguém já está nos chamando para a realidade — Collin brincou. Ri, pegando meu filho novamente nos braços. Helena logo o seguiu, e logo estávamos tentando acalmá-los juntos. Aquele era o começo da nossa nova vida. E eu nunca me senti tão completa.
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