A claridade filtrava pelas cortinas do quarto, delicada, como se o sol tivesse medo de invadir demais aquele espaço. Sofia sentia o calor morno da pele dele contra a sua, o peso do braço de Lucas repousando sobre sua cintura, e o coração acelerado tentando negar o óbvio: ela não queria se mover. Não queria quebrar o instante de paz que o tempo, por alguma razão, havia permitido. Lucas ainda dormia — ou fingia dormir. O ritmo da respiração dele era tranquilo demais para quem vivia em guerra. Sofia virou-se lentamente, apenas o suficiente para observá-lo. O rosto relaxado, os cabelos desalinhados, a sombra de barba que ela tantas vezes odiara e desejara ao mesmo tempo. A lembrança da noite anterior — o toque, o descontrole, o perdão silencioso — veio como uma onda. E com ela, o medo. Ela

