O som do celular vibrando em cima da mesa quebrou o silêncio confortável da manhã. Sofia estava encostada no balcão, observando o vapor subir da xícara de café, quando o aparelho começou a insistir. Ele ainda estava no sofá, descalço, com o olhar perdido na janela — e parecia não ter forças para se mover. — Vai atender, — ela disse, sem olhar para ele. Ele soltou um suspiro. — Não quero. — Então eu atendo, — respondeu, já caminhando até o celular. Ele se levantou rápido, segurando o pulso dela antes que tocasse no aparelho. — Não. O olhar que trocou com ela dizia mais do que qualquer palavra. Havia algo ali. Uma sombra, uma verdade pendurada no ar. — O que é que você tá escondendo? — perguntou, num tom firme. — Nada. — Mas a voz dele falhou. Sofia cruzou os braços. — Não mente.

