Just a Joke

1565 Words
-estou te falando, as aparências enganam. Jenny é a prova viva disso, eu jurava que ela sabia pagar um boquete como ninguém. -Jake disse me fazendo rir alto. Estávamos na lanchonete e já tinhamos acabado de comer e agora ele estava me contando sobre mais uma das suas experiências sexuais com uma das garotas do fã clube dele. Nós sempre fazíamos isso, ele me contava tudo e eu o contava tudo, era natural e eu não tinha vergonha de assuntos sexuais e nem de nenhum outro praticamente, então não me incomodo em ouvir detalhadamente sobre uma das suas experiências, até porque eu também contava as minhas. -tudo isso só pelo modo que você a viu chupando um pirulito na quadra? -perguntei ainda caindo na gargalhada. -mas isso diz muito sobre a experiência de uma pessoa, só que ela soube me enganar. -ele rebateu. -na verdade isso não diz nada, já ouviu falar sobre expressão corporal? É uma técnica muito usada por atores, eles utilizam o corpo e o modo como se mexem pra te enganar e te fazer acreditar em algo que na verdade não é real. É basicamente assim que funciona o beijo técnico. -expliquei. -já te disse um milhão de vezes que não existe isso de beijo técnico. -ele disse revirando os olhos. Essa é uma discussão recorrente. -e já te disse um milhão de vezes que é óbvio que existe. É um beijo que não usa a língua, qual a dificuldade de entender? -isso se chama selinho. -não se for com a boca aberta e a movimentando de um jeito que faça parecer um beijo real, aí que entra expressão corporal. -rebati. -besteira. -ele murmurou desacreditado me fazendo arquear as sobrancelhas. Eu bufei e olhei em volta tendo uma ideia. Uma coisa que precisam saber sobre mim: eu sou impulsiva e não tenho medo de me arriscar em alguma situação inusitada. Isso as vezes me coloca em uma enrascada, mas essa possibilidade não me faz pensar antes de agir. Aliás, eu nunca penso muito antes de agir. -olhe e aprenda! -disse o lançando uma piscadela e me levantando indo em direção a um garçom que parecia ter mais ou menos a nossa idade, moreno de olhos verdes. -Rose! O que você vai fazer? Rose... -ouvi Jake sussurrar tentando me fazer voltar enquanto eu o ignorava e seguia meu caminho. -oi, posso ajud... -ele sorriu de modo simpático assim que me viu e começou a dizer, mas foi interrompido pela junção da minha boca na dele. Ele não correspondeu de início pelo fato de que ficou surpreso, mas logo largou o bloco de anotações e a caneta no chão e me agarrou pela cintura. Eu coloquei minhas mãos em volta do seu pescoço e abri minha boca o fazendo abrir a dele também, mas não coloquei minha língua pra ter contato com a sua boca. Percebi que ele ficou sem entender, mas não quebrou o beijo. Comecei a me mexer fogosamente como se estivéssemos dando um beijão. Arranhei fraquinho sua nuca com minhas unhas o arrancando um gemido baixo, percebi ser seu ponto fraco. Em seguida, subi minhas mãos por seu cabelo o bagunçando um pouco e fazendo um carinho ali. Ele me prensou mais contra ele também se mexendo fogosamente como se realmente fosse um beijo de verdade. Quando percebi que ele iria colocar a língua no meio da brincadeira eu me separei dele o dando um último selinho. -obrigada! -disse sorrindo de modo simpático para então me afastar sem dar tempo dele responder. Ele apenas ficou me encarando ainda ofegante e sem reação. Me aproximei de Jake, que me olhava de boca aberta e olhos arregalados. -você é louca! -ele disse quando me sentei na mesa. -expressão corporal, Bounsler. -disse citando o seu sobrenome, coisa que ele odeia. -pareceu um beijo de verdade, daqueles típico de pré liminares, mas na verdade não usei minha língua em momento nenhum, um beijo técnico. Apenas isso. -expliquei para ele o meu ponto. Ele ainda me encarava em choque. -minha nossa! Eu acho que posso te conhecer pela vida inteira e ainda sim não seria capaz de me acostumar com suas loucuras. -ele disse antes de gargalhar. Logo nos levantamos e ele foi para o caixa pagar a conta, eu o segui. -depois daquele seu show eu nem reclamo de pagar a conta. -ele disse me fazendo rir baixo. O garoto que eu tinha beijado assim que me viu no caixa andou até lá em passos rápidos. -essa eu quero ver. -Jake sussurrou antes do garoto chegar até nós. -oi, então... meu nome é Brandon, a propósito. Se você me der o seu número a gente pode marcar de sair qualquer dia desses. -ele disse e eu pude perceber pelo seu rosto ficando vermelho que estava envergonhado. -não me leve a m*l, você é uma gracinha, mas não faz o meu tipo. Parece ser bonzinho demais e eu curto aqueles caras que pegam os meus sentimentos, batem em um liquidificador e dão para o cachorro comer sabe?! Mas foi um prazer te beijar, até qualquer dia. -disse o mandando uma piscadela e saindo da lanchonete com o Jake. Assim que passamos pela porta ele explodiu em gargalhadas. -de novo? Por que você sempre ri quando isso acontece? -perguntei entediada, ao mesmo tempo que segurava o meu riso. -nada, eu só... sei lá, acho incrível a sua capacidade de beijar um garoto e depois dar um fora de uma forma tão natural e sincera, mas estranhamente sedutora fazendo ser impossível que ele fique com raiva. -ele disse ainda rindo incrédulo. -isso foi um elogio? -perguntei com uma careta. -não sei, mas eu tenho certeza que você teve alguma aula de sedução ou algo do tipo, seja como for, precisa me ensinar isso. -ele disse empolgado. -um mágico nunca revela seus truques, lindinho. -disse e pisquei para ele me virando e indo na direção do carro. -viu só! Você fez de novo. -ele gritou correndo para me alcançar, enquanto agora eu que gargalhava. Estávamos no carro em um silêncio gostoso enquanto sentia a brisa no rosto e o som do rádio preenchendo nossos ouvidos, músicas essas que a propósito faziam parte de uma playlist de um pendrive que eu dei para ele no ano passado de "presente" de natal com minhas musicas eletrônicas favoritas. Aparentemente ele gostou. -estava pensando aqui, sabe o que eu acho? -ele perguntou do nada me despertando. -que você deveria calar a boca e apreciar a música? -perguntei ironicamente agora o olhando enquanto ele ainda estava concentrado na direção. -que você tem medo de se envolver romanticamente com alguém por medo de se magoar. -ele disse ignorando meu comentário. -o que? Essa é a maior baboseira que já ouvi em toda minha vida. -disse rindo. -e é por isso que você sai por aí beijando os garotos e os usando como bem entende, depois os descarta como se não fossem nada. -ele continuou ignorando meu comentário anterior. -sabe que isso é irônico vindo de você, não é? -falei me referindo ao fato de ser exatamente o que ele faz com as garotas. Eu não precisei explicar, ele entendeu. -é, mas comigo é diferente, eu não tenho medo de me apaixonar. Elas são gostosas e eu também, então por que perder a oportunidade?! Mas isso não significa que eu queira namorar com elas, para um relacionamento precisa de mais do que um exterior bonito. -ele explicou. -faço das suas palavras as minhas. -disse indiferente. -não faz não, pelo simples fato de que você tem sim medo de se apaixonar. Qual é o nome dele? -ele perguntou. -não sei do que está falando. -respondi desviando meu foco para a paisagem lá fora. -pode parando, você sabe muito bem do que estou falando. Qual o nome do cara que colocou seus sentimentos num liquidificador e deu para cachorro comer? -ele perguntou me olhando de relance, o que me fez rir baixo. -não teve nenhum cara, tudo bem? Sério, eu nunca nem me apaixonei, mais fácil ter alguém por aí que eu já tenha magoado. -respondi dando de ombros. -tenho certeza que a lista deve ser bem grande. -ele disse fazendo graça. Eu lhe dei um tapa no braço acompanhando a sua risada. Ele não deve estar errado, mas não é como se eu saísse por aí partindo corações. Se eu sinto vontade de ficar com alguém, eu não penso duas vezes, apenas vou lá e fico, mas não se passa disso e sempre deixei bem claro para todos eles. Nunca gostei de iludir ninguém, a verdade é sempre melhor. E nem se eu quisesse mentir, eu conseguiria. Do meu cérebro até a minha boca não tem um filtro, então isso me faz uma pessoa transparente, uma das poucas características que herdei da minha mãe. Quando uma das minhas músicas favoritas começou a tocar, antes que eu pudesse pensar já estava abrindo o teto solar do carro e subindo levantando os meus braços, gritando e dançando conforme o ritmo da música. No fundo podia ouvir o Jake gargalhar. -acelera. -gritei para ele. -o que? Claro que não sua louca, pretendo continuar vivo. -ele gritou em resposta. -deixa de ser medroso, a pista está vazia, acelera! -ele acelerou balançando a cabeça em sinal de negação. Eu gritei mais e ri o ouvindo rir também. -minha nossa! você não consegue ficar meia hora sem arranjar uma confusão. -ele murmurou.
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