Ela se contorceu em seu assento e olhou para ele suplicante. "Posso?"
"Vá", ele acenou com a mão, mas quando ela passou por ele, ele segurou sua mão. "Não faça nada e******o, Jolie. Estou de olho". Ela assentiu e se aproximou de Pia, aconchegando-a em seus braços no sofá.
"Mamãe, meu ouvido dói", ela fungou enquanto se aninhava no peito da mãe e esfregava o ouvido.
"Eu sei, querida. Mamãe pegou seu remédio, mas está no carro". Ela olhou por cima do ombro de Pia e Brixton assentiu e enviou uma mensagem de texto no seu celular. "Que tal mamãe pegar o seu aquecedor de água quente e você pode se aconchegar nele?"
"Sim, por favor", ela soluçou enquanto se agarrava a Jolie, que se levantou do sofá e foi para a cozinha colocar uma chaleira de água para esquentar no fogão. Ela olhou para Brixton.
"O ursinho dela tem uma bolsa de água quente. Ela costuma ter dor de ouvido com frequência e isso ajuda. Posso ir até o banheiro pegá-lo no armário?"
"Eu vou", disse Malik enquanto voltava para a casa e jogava uma sacola da farmácia para Brix, que havia se levantado da mesa. Pia de repente percebeu os dois homens em sua casa e segurou ainda mais a mãe, suas pernas envolviam firmemente a mãe e ela tremia de terror.
"Quem é ele?" Jolie afastou o cabelo das bochechas coradas dela.
"Este é o novo chefe da mamãe, bem, o novo chefe do Mordecai. Seu nome é Sr. Beckwith".
"Ele não é o Sr. Solomon".
"Não", ela deu um sorriso que esperava enganar a criança e fez olhos grandes, "o Sr. Solomon deu a empresa para o Sr. Beckwith e agora mamãe trabalha para o Sr. Beckwith". Pia apontou além de Brixton para Malik, "ele é grande. Como o papai da Felicity".
"Sim. Ele é", ela aceitou o objeto fofo de seus dedos.
"Pia, quantos anos você tem?", perguntou Brixton.
"Eu tenho cinco. Meu aniversário é em Movembro".
"Novembro", corrigiu automaticamente Jolie.
"Venha aqui", ele estendeu as mãos para ela e Jolie instintivamente a segurou perto, mas Brixton arrancou a criança de seu aperto. Ele tocou a testa dela. "Você está com febre, criança".
"Ela precisa do remédio", os dedos de Jolie coçavam para pegar sua filha de volta. "Prepare-o", ele apontou para a sacola. Ele ajeitou o cabelo da criança, "você se parece muito com seu pai, pequena". Ele se sentou de volta no assento e a encarou de frente. Ele levantou o celular. "Posso tirar uma selfie?" Jolie sentiu seu coração disparar enquanto ele segurava a criança perto dele e tirava a foto.
"Meu papai morreu. Como meu peixinho dourado", a menina reclamou e esfregou o ouvido. O telefone de Malik fez um barulho de ping e ele riu da foto e das palavras da criança.
"Como o peixinho dourado dela", ele riu alto. "Ha! Nossa, ela é engraçada. Essa é uma foto fofa". Ele ainda resmungava a palavra peixinho dourado quando seu telefone tocou e ele atendeu a ligação, virando as costas para eles. Seu estômago roncou e Brixton fez olhos grandes para ela. "Você está com fome, pequena?", "Sim", ela acenou vigorosamente. "Mamãe disse que faria sopa para mim, mas," ela se aproximou e o encarou com grandes olhos, "eu queria pizza".
"Você está doente, querida. Nada de pizza". Ela pegou uma lata de sopa de frango com macarrão no armário e ouviu o sibilar irritado do homem atrás dela. "O quê?"
"Você está dando sopa de lata para o meu próprio sangue?"
"Estou dando à minha filha, minha, a mesma sopa de frango com macarrão que ela come desde que começou a mastigar alimentos sólidos. Ela gosta assim". Ela colocou a lata na bancada e depois pegou os remédios e fez uma careta. "É cheia de sódio, subprodutos de frango e gordura saturada".
"Quem pediu opinião não tem escolha. Ela é notoriamente difícil de alimentar". Ela balançou a lata. "Nós já tentamos várias variedades de sopa, mas essa é a única que ela comerá". Ela estava lutando consigo mesma para não arrancar sua filha, que sem qualquer questionamento, se aninhou em seu tio como se tivesse nascido para estar em seu colo.
Malik falou, "Jolie, tenho uma pergunta para você. Você por acaso se lembra da combinação do cofre?"
"Eles encontraram?" Brixton olhou surpreso. "Interessante".
Quando ela olhou para ele com raiva, ele deu de ombros, "eu não sou do tipo confiante, Jolie. Agora, você é uma pessoa muito observadora, de acordo com Macey do departamento de Recursos Humanos. Você se lembra da combinação?"
Ela engoliu, "e se lembrar por seis anos?"
"Jolie", ele acariciou suavemente o cabelo de Pia, "não seja estúpida".
"Três, nove, cinco, oito, seis, um". Ela estendeu uma mão trêmula com o medicamento para Jolie beber. "Eu tenho que colocar gotas nos ouvidos dela. Posso levá-la para o sofá para deitá-la? Ela realmente não gosta dessa parte e às vezes tenho que segurá-la -"
"Pia, deite sua cabeça na mesa para mamãe colocar gotas nos seus ouvidos". A criança obedeceu Brixton como se Deus mesmo lhe ordenasse, e Jolie pingou as três gotas em seus ouvidos e disse para ela ficar quieta enquanto fazia sua sopa. "Não se incomode em fazer sopa para ela. Vamos levá-la para comer algo que seja realmente saudável para o corpo dela. Ela não vai comer essa merda cheia de sódio". Pia fez olhos arregalados para ele: "Você jurou."
"Desculpe", ele piscou para ela, sem remorso no rosto. "Vou te levar e te dar um delicioso jantar."
O coração de Jolie disparou e o pânico a fez congelar no lugar. Ele estava levando-a. Ele ia tirar Pia dela.
"A mamãe disse que não podemos sair para comer".
"Por quê?"
"É caro".
"Caro", Jolie corrigiu com voz ofegante, enquanto o terror roubava o ar de seus pulmões.
"Entendi", interrompeu Malik. "Seu pai está lá no apartamento e confirmou as palavras da Jolie. Há um cofre enorme lá e ele contém todo o ouro desaparecido."
"Ótimo!" Brixton levantou-se e fez um gesto para Jolie. "Pegue seu casaco de volta. Minha sobrinha precisa de algo diferente de sopa enlatada em seu estômago."
"O que é uma sobrinha?" Pia perguntou curiosa.
"Significa que somos família", ele tocou o nariz dela enquanto se levantava, pegou o bichinho de pelúcia quentinho e encostou sua cabeça no ombro, segurando a mamadeira quente perto de sua orelha. "Você é minha família. Eu sou seu tio Brix. Agora, sem mais perguntas até voltarmos ao hotel." Ele fez um gesto para Malik. "Por favor, ajude a Jolie a fazer as malas de algumas sacolas para ela e Pia, pois elas ficarão conosco por tempo indeterminado."
"Indeterminado?"
"Você acha que uma Cacciola vai crescer em uma casa alugada?", olhou para Jolie com desdém. "Eu poderia comprar esta casa com o que está na minha carteira agora e ainda ter dinheiro de sobra. É um lixo e minha carne e sangue não vai viver na miséria com sopa enlatada."
"Nós não vivemos na miséria", Jolie sibilou.
"No que você gasta seu salário?" ele olhou ao redor. "Você tem um estilo vintage de brechó, então sei que não são os móveis, e vi o carro lá fora. É uma armadilha mortal."
"Você é um...," ela começou furiosamente, olhando-o com raiva.
Ele a interrompeu com um gesto de mão. "Estou pedindo educadamente, mas você não quer que eu peça uma segunda vez. Acredite, com cada pedido minha paciência diminui. Jolie, vá fazer as malas ou Malik fará isso por você e será que você realmente quer que ele mexa em suas calcinhas de algodão?" Ele a examinou, "acho que elas são brancas com pequenas flores cor-de-rosa, compradas em uma loja de liquidação em pacotes de doze."
Pia falou, "a mamãe gosta das calcinhas dela bonitas. Flores são bonitas!"
A risada zombeteira de Brixton a acompanhou pelo corredor enquanto ela marchava em direção aos quartos.
Ela sentiu a presença de Malik imediatamente atrás dela quando abriu o pequeno closet e tirou a mala. Ele pegou-a dela e a colocou na cama, abriu-a e vasculhou seu conteúdo.
Ele apontou para a bolsa preta na prateleira de cima do closet: "O que tem lá dentro?"
Ela ficou quieta enquanto seguia sua direção com os olhos e, quando não respondeu, ele foi pegar a bolsa e despejou seu conteúdo na cama, amarrados com elásticos, um monte de contas, os passaportes dela e de Pia e alguns cartões de crédito pré-pagos.
"Você tem uma bolsa de emergência?", ele deu um aceno apreciativo. "Muito inteligente!"
"Obrigada", ela disse com uma expressão decepcionada.
"Você não vai precisar, no entanto. Elio quer ter uma conversa cara a cara com você e, agora que ele sabe da existência de sua neta, não há chance de você nos escapar novamente."
"Eu não vou voltar para Las Vegas."
"Tenho quase certeza de que Brix disse que você vai para o hotel dele. Ele tem uma empresa para administrar e, de acordo com suas conversas com vários membros da equipe hoje, você", ele empurrou suas coisas, menos os passaportes, de volta para sua bolsa de emergência e a empurrou de volta para a prateleira, "é vital para a organização. Precisamos de você aqui."
"O que você vai fazer com eles?", ela o observou enquanto ele os colocava no bolso interno do casaco.
"Brix vai cuidar deles."
"Você poderia deixá-los lá", ela de repente implorou com ele. "Por favor, coloque-os de volta e esqueça que os viu." Ela engoliu em seco enquanto estendia a mão e segurava seu antebraço. "Por favor. Eu nunca direi nada para ninguém. Eu só quero que eu e Pia sejamos...",
Ele a interrompeu colocando a mão sobre sua boca, "Jolie, eu gosto de você. Gosto da sua personalidade forte e da sua tenacidade. Gosto de como você conseguiu manter a boca fechada e como conseguiu sobreviver ao maior pedaço de merda conhecido pelo homem, o Valentin Cacciola, mas nunca, nunca, pense nem por um momento que eu gostar de você e achar incrível por ser tão inteligente e corajosa me fará trair minha família."
Ela tirou a mão de seu braço ao ouvir o tom frio. "Desculpe."
Ele assentiu e indicou do outro lado do corredor. "Notei que a cama da Pia não parece que foi usada. Ela dorme aqui com você?"
Ela torceu os lábios. "Como você sabe?"
"Porque a cama dela tem cem bichos de pelúcia. Não há como você colocá-los na cama dela todos os dias. Minha irmã tem quatro filhas. Todas elas têm um monte de ursos de pelúcia e bichinhos de pelúcia, e minha irmã reclama constantemente de ter que arrumá-los."
"Ela gosta do seu quarto para brincar, mas odeia a cama. Odeia desde o dia em que trocamos sua cama de criança pela cama de uma menina grande. Disse que é muito solitário para uma princesa dormir."
"Princesa?" ele deu risadinhas enquanto a seguia pelo corredor para o armário da criança.
"Ela está passando por uma fase em que pensa que é uma princesa marciana. Ontem à noite comemos espaguete e asteroides na caverna espacial debaixo da minha mesa de cozinha", ela arrumou a bolsa para sua filha, conversando como se fosse a coisa mais natural do mundo falar com o matador de aluguel que a perseguia há anos sobre sua filha. Talvez fosse o fato de falar sobre Pia que a mantinha calma na situação atual.
"Minhas sobrinhas estão obcecadas em assistir vídeos em seus tablets."
"Eu gosto do meu tablet!" A doce voz de Pia ressoou atrás deles.
"Você estava demorando demais, então viemos ver o que estava atrasando."
"Só garantindo que tenho o suficiente para uma visita indefinida", ela lançou um olhar sujo para Brixton.
"Mamãe, podemos trazer meu peixinho dourado e meu tablet?"
"Você pode, mas não pode usar o tablet até domingo."
"Não é justo!" Ela sibilou furiosamente.
Jolie considerou que a medicação e os analgésicos deviam estar funcionando, porque sua filha de olhos brilhantes estava ficando desafiadora novamente.
"Por que ela não pode usar o tablet?"
"Ela está de castigo."
"Castigo?" Brixton coçou as costelas dela, "o que uma doce e pequena princesa marciana como a Pia fez para ser castigada?"
"Ela deu um soco em um menino no rosto."
"Ele me chamou de nomes."
"E eu disse para usar palavras, não os punhos."
"Usei palavras. Eu disse para ele não me chamar de baixinha senão socaria ele no rosto. Ele me chamou de baixinha de novo, então eu socei ele no rosto."
Ela viu as expressões surpresas dos dois homens e balançou a cabeça, "ela normalmente não é uma criança violenta. Acho que ela está irritada por causa da infecção de ouvido. Normalmente, ela é doce, de bom temperamento e gentil." Ela percebeu que Malik tinha a tigela de peixinho na mão e sentiu seu estômago afundar. Quanto tempo eles iam mantê-los?
"O Norman é um idiota."
"Conversei com os pais dele hoje. Eles vão discutir o comportamento dele com ele durante o fim de semana, mas você", ela apontou para a filha, "não pode bater em ninguém. Bater não é certo."
Pia cruzou os braços sobre o peito e olhou furiosamente para ela, e Malik bufou atrás dela.
"Olá, pequena Val", Malik sussurrou.
Jolie se virou furiosamente e olhou para ele, sussurrando com raiva para Malik, empurrando seu dedo contra seu peito muito firme "nunca a chame assim. Nunca. Ele foi uma b***a maligna e vil, e ela não é nada parecida com ele!"
Ele ergueu as mãos em defesa, com um sorriso no rosto, "desculpe, mamãe urso!"
Brix assistiu a troca com olhos curiosos e estreitos, mudando a criança de um quadril para o outro. "Vamos lá. Pia está com fome. Concordamos que ela precisa de uma pizza de pepperoni."
"Você acabou de me repreender pelo sódio na sopa enlatada e agora quer dar a ela pizza de pepperoni, que tem mais sal do que carne?" ela franzia a testa para ele enquanto se aproximava dele e pegava Pia em seus braços.
Ele sorriu para Jolie e puxou uma mecha solta de seu cabelo, "relaxe, Jolie. Ela prometeu comer cenouras e aipo crus e beber um copo de leite inteiro, se eu comprasse pizza para ela."
"Tudo bem, mas sem pizza até que ela coma os vegetais e beba o leite." Ela sentiu de alguma forma consciente de como ele puxou carinhosamente seu cabelo, como se fossem amigos de longa data.
"Ueba!" Pia bateu com entusiasmo na mão levantada de Brixton.
Jolie se surpreendeu quando saíram e havia três carros esperando.
"A cadeirinha dela está no meu carro. Malik vai levar o carro na frente. Eu vou dirigir no veículo do meio e a segurança vai no de trás. Daqui para frente, nenhum de vocês vai a lugar algum sem segurança, Jolie."
"O quê? Por quê?"
Enquanto Malik levava a criança para prendê-la na cadeirinha do carro, Brixton a virou para trás e sussurrou no ouvido dela.
"Estou sendo muito paciente, mas chega de perguntas. Há uma garotinha aqui, mas ela é minha sobrinha que minha família foi roubada há cinco anos enquanto ela vivia como uma plebeia. Ela deveria ter sido mimada e recebido tudo o que uma Cacciola merece, mas em vez disso ela vai para escola pública com valentões chamados Norman e anda em um carro que tem mais quilômetros do que deveria ser legal."
"Ela tem tudo o que precisa."
"Ela merece o mundo. Você a impediu de nós."
"Eu a escondi de monstros", lágrimas de raiva escorriam por suas bochechas agora. "Criminosos organizados que operam nas sombras de uma empreitada global legítima. Seu pai transformou seu irmão em um filho da p**a psicótico e aposto que Val foi um chip do velho bloco e uma sombra da grandeza de seu irmão mais velho. Valentin me contou todas as histórias de sua violência, as orgias que você promovia, e o uso de drogas e álcool. Ele se gabava de você matar homens com facas de jantar. Eu a mantive segura e longe da brutalidade do seu DNA. Eu protegi minha filha!"Seus olhos estavam escuros, tempestuosos e zangados enquanto ele ouvia a sua ladainha. "Entre no carro, Jolie, antes que eu simplesmente pegue a criança e deixe os caras do carro levarem você direto para meu pai cuidar de você diretamente."
Algo no tom de sua voz fez com que ela se movesse com rapidez. Ao colocar o próprio cinto de segurança, ela sentiu que tudo o que escondeu nos últimos seis anos não só havia aparecido em sua porta, mas também havia chegado e assumido sua vida. Enquanto ele se acomodava atrás do volante no banco do motorista, o olhar de fúria pura que ele lançou sobre ela disse-lhe que Val não havia sido Satanás. Ele havia sido apenas um demônio, um subordinado do próprio d***o, e agora ela estava presa ao lado do arcanjo do inferno. Ela estava ferrada.