Episódio 2

860 Words
Enzo: Eu sou o Enzo, tenho 25 anos, moro no morro do Adeus! Na verdade, tudo isso é meu! Eu mando na p0rra toda! Existem Reis, Deuses, e existem pessoas como eu! As que recebem um império e precisam lutar todo dia, pelo respeito. Para que continuem me respeitando e ninguém pense em me passar para trás. Porque quem vai imaginar que um cara de 23 anos, que nem frequentava o morro como um estudante, ia dar conta do recado. Que um dia ia bater no peito e dizer, ''que tudo isso é meu''. Nem eu acreditava nisso. Mais a vida toma caminhos que nem nós mesmos entendemos. Assim é a vida no morro! Todo dia você acorda sem saber se vai ter amanhã. Lembro como se fosse hoje quando o meu pai morreu! O meu pai nunca quis essa vida para mim! Ele não tinha estudo mais sempre fez questão que eu tivesse, que eu tivesse um futuro diferente do dele. Sempre dizia para todo mundo, que o filho dele ia ser doutor. Que não ia ser bandido. Estudei, comecei a cursar a faculdade de direito, mais a vida tem disso. Ela muda o tempo todo, e quando a gente pensa que o nosso caminho está trilhado, as coisas mudam, e aqui estou eu. Não sou doutor, mas sou Imperador! O meu pai decidiu, que não ia mais dar dinheiro para os padrinhos, achou que podia acabar com essa exploração e que era hora de se livrar dos vermes, que ele já era grande demais, que o desmame tinha que ser feito. Era o que ele achava. Ele pensou que podia furar o esquema. É claro que os padrinhos, não gostaram da ideia, e decidiram caçar o meu pai. Ele virou o coelho e eles os cachorros. Eles entraram acabando com tudo. Os mais velhos dizem que foi uma chacina, eu não estava aqui quando tudo aconteceu, tinha ido para uma ilha na costa verde com alguns amigos, quando eu voltei tudo já tinha acontecido, e era tarde demais para eu poder fazer qualquer coisa. A polícia não entra para prender bandido. Não! Quando a missão dela é acabar com qualquer um que decidir se rebelar eles entram para matar. Eles entram para mostrar que se não paga o arrego, eles transformam o seu morro num infe*rno! É tipo, para servir de exemplo para os outros. O meu pai quis ser grande! Quis quebrar o esquema! O esquema você só tem duas opções. Ou tá dentro, ou tá morto! O meu pai escolheu a segunda opção! E depois que você decide o que quer seguiu, não tem mais volta. Eles entraram sacudindo tudo, o meu pai tentou. Ele resistiu, custou a entender que para ele tinha acabado. Foram dois dias de confronto! Ele tentou abrigo em outros morros! Mas quem vai abrigar bandido, que enfrentou a polícia? Ninguém, quis dar abrigo para quem já estava morto! Ninguém queria problemas. Invadiram o esconderijo e mataram ele, como se mata um bicho. Ver ele sendo carregado como um troféu, como um animal abatido. Segurado pelos braços e pernas, todinho, estourado de balas. Me fez entender, de um modo certo ou errado, que ele deu a vida para que eu e a Bianca tivéssemos o melhor. Eu não podia deixar, tudo que ele sempre lutou na vida. Ele sempre lutou por esse complexo, e eu não podia permitir ser invadido por alemão. Eu não ia dar essa desonra para ele. Naquele dia decidi cuidar da minha comunidade! Não permitir nunca mais, aqueles dias de terror! Vai fazer 3 anos que isso aconteceu, e que eu estou no poder! Minha comunidade, tem paz, prosperidade. As crianças podem brincar na rua, o cidadão pode ir e voltar do trabalho, na paz. Aqui quem não segue as leis, sabe o destino. Comigo não tem dois papos. É papo reto! Tem esse bagulho de perdão não! Se eu perdoar um, perco o respeito, e sem respeito você está morto. Porque foi isso que aconteceu com o meu pai, ele perdeu o respeito da comunidade, quando todo mundo descobriu que a mulher dele, estava brincado de dar bola nas costas dele, bem aqui, na comunidade, na cara dele. Mais isso já era antigo, quando eu era pequeno, ela me trancava dentro do guarda-roupa, para eu não ver ela com os machos dela, dentro da nossa casa, na cama que era do meu pai. Ela me deixava às vezes dias sem comer, quando o meu pai estava em missão em algum outro morro. Ela nunca me amou, nunca teve nenhum sentimento por mim, nem na hora da morte dela, que eu pensei que ela ia tentar me amar, ela me ignorou. Todo mundo diz que a Bianca, não é filha do meu pai, mais esse assunto sempre foi proibido em casa e no morro também. Quem tem coragem de falar sobre o assunto, falar escondido pelos cantos. Às vezes eu me pergunto se hoje ela sentiria algum tipo de sentimento por mim, já que hoje eu comando a p0rra toda. Mais e eu continuo acreditando que não. Ela teve o fim que mereceu. Não teve respeito, é vala!
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