76. Mariana

1286 Words

A noite caiu pesada, trazendo aquele silêncio raro no morro. Caique tinha mamado, arrotado e adormecido sem luta, coisa rara. Estava no berço, respirando fundo, as mãozinhas fechadas em punho, como se também fosse brigar com o mundo. Aproveitei a trégua. Fui pro banheiro, tirei a roupa devagar, sentindo a pele pedir água quente. Liguei o chuveiro, e logo o vapor tomou conta. Fechei os olhos quando a água caiu pelos ombros, lavando o cansaço grudado em mim desde cedo. Estava perdida nesse pequeno descanso quando ouvi a porta ranger. Meu coração disparou, mas antes mesmo de virar já sabia quem era. O cheiro dele, o peso da presença. — Tiago? — sussurrei, surpresa. Ele entrou sem pedir. Estava com a camisa aberta, o olhar sombrio, os traços duros demais. Parou na porta por um instante, co

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