Caminhava pelas ruas estreitas e arborizadas do lugar que inspirava os pensamentos mais profundos e pungentes. Às vezes era num cemitério que se sentia a mais plena paz, em vida. E era isso que representava o Père-Lachaise, a leste de Paris, no 20º arrondissement. Por entre os túmulos ornamentados por vasos com plantas e flores coloridas, pessoas passeavam, conversavam e admiravam a beleza melancólica do lugar. Turistas fotografavam os túmulos das personalidades, debaixo das copas altas das árvores ao longo dos 43 hectares. Ao final do passeio, Michelle sentia-se exausta fisicamente. O silêncio do lugar propiciara-lhe a audição de sua própria voz, no coração. E, nele, não havia luto. Jogou a bolsa no sofá imenso e percebeu o silêncio na casa. Ainda não entendia por que quatro pessoas prec

