Sobre o divã do estúdio havia uma manta artesanal, colorida. Às vezes, mesmo no verão, Adam usava-a ao redor dos ombros, nas madrugadas em que se mantinha escrevendo. Ele via, agora, Pierre sentado sobre a manta, displicentemente, as pernas cruzadas, o cigarro entre os lábios e o rosto sério antecipando-se às palavras. A bem da verdade, Adam não queria ouvi-lo, porque, assim, iludia-se mais um pouco ao imaginar que nada mudaria. Ele, a exemplo de Michelle, tentava agarrar-se ao conhecido e definido, mesmo que isso significasse tão-somente ilusão. Mas valia a pena iludir-se um pouco. Realidade demais machucava. -Você se entendeu com ela. – era para soar como uma pergunta, porém funcionou com uma constatação. Adam assentiu com a cabeça levemente. -Oui, - olhou diretamente para o outro e i

