Capítulo 2 - Angel Cipriano

1822 Words
É bem irônico meu nome ser Angel, sendo que todos dizem que sou o próprio capeta*. Está na hora de honrar tudo que falam de mim pelas costas, e dar para eles um belo espetáculo. Posso até cair, mas vou levar aquele desgraçado comigo. Tá no inferno abraça o capeta. Não foi difícil achar onde a denuncia contra mim foi feita, para minha surpresa aquele desgraçado viria prestar um novo depoimento hoje, depois da equipe jurídica ter entrado em contato com ele. Acordei bem cedo, para chegar aqui antes da Susan, e começar meu show. Nunca pediria desculpas para aquele verme. Ao passar pela porta da delegacia noto alguns olhares masculinos em mim, piso firme no meu salto agulha indo em direção à sala do delegado. Uma mulher morena com lindos traços latinos me para. — Aonde a senhorita está indo? — Vim me entregar, já que tem uma acusação de agressão contra mim.— Estendo as mãos para ser algemada. — Esse não é um lugar para brincadeiras, senhorita. Ela me olha meio desacreditada nas palavras que eu disse. — Vai por mim tem lugares bem mais interessantes que queria estar, não viria aqui para brincar. — Já avisei que só vou retirar a queixa quando implorar pelo meu perdão.— Essa voz faz meus olhos revirarem. Dou meu sorriso mais doce, e mostro o dedo do meio para ele. Os olhos daquele homem ficam vermelhos de pura cólera. — Sua v***a* mimada...— Ele avança em minha direção. A mulher que estava ao meu lado o detém, continuo parada com meu sorriso debochado no rosto. As outras pessoas da delegacia me olham como se fosse o próprio Coringa explodindo o hospital. Vocês já devem ter visto esse filme. — Não pense que vai se livrar disso.— Ele continua se debatendo.— Vou fazer de tudo para ter ver você atrás das grades. Outro policial vem ajudar a mulher, evitando que o fotógrafo pule no meu pescoço. — Que bagunça é essa na minha delegacia?— Um homem já de idade sai da sala do delegado. Não precisar ser muito inteligente para saber que ele é o delegado. — Essa senhorita, disse que veio se entregar por uma denuncia de agressão.— A mulher explica. — Isso mesmo... coloca essa louca atrás das grades.— O verme fala. — Angel Cipriano.— Fico na frente do delegado.— Eu quebrei uma câmera na cabeça desse merda*.— Dou um sorriso. — Está confessando o crime, senhorita Cipriano?— Ele cruza os braços.— E sem nenhum sinal de arrependimento? — Se tem uma coisa que me arrependo é de não ter batido mais... e queria adicionar uma acusação de furto contra mim. — A senhorita tem noção do que está falando?— A mulher me olha como se eu fosse louca. — Me fazer de burrinha é apenas charme para enganar trouxa.— Pego o notebook dentro da minha bolsa.— Eu roubei esse notebook dele. — Devolva isso.— Ele tenta pegar das minhas mãos, mas sou mais rápida. — Eu até faria isso...— Uso meu tom de desentendida, que faz o homem babar de bravo.— Isso é prova de um crime, não devia passar por uma perícia ou algo parecido. — Isso não importa, só devolva pra mim.— Ele tenta pegar novamente das minhas mãos, dessa vez é parado pelo delegado. — Leve esse senhor novamente para a sala de interrogatório.— Ordena. Enquanto ele caminha para a sala de interrogatório consigo ver o desespero em seu olhar. Isso é mais saboroso que qualquer doce fino que já comi. — Senhorita Cipriano, não entendo porque está fazendo isso.— Pega o computador nas minhas mãos. — Espero que tenha uma boa explicação, sua situação não é das melhores. — Só falo na presença do meu advogado. Ele suspira. — A senhorita é no mínimo peculiar.— O delegado franze a testa. Sou levada até uma sala, onde fico aguardando por algumas horas, até meu celular confiscaram. Perdi a conta de quantos suspiros dei de tanto tédio, um policial de óculos entrou na sala e fica me olhando. O coitado é bem feinho. — Sei que sou bonita, mas pelo menos costumam disfarçar quando ficam me secando.— Provoco. — A senhorita não devia estar brincando, está numa situação bem complicada. — Está parecendo minhas irmãs falando, e elas são chatas pra c****e. A mulher que me recebeu entra na sala. — Senhorita Cipriano, tem alguém que veio te ver. Eu tinha direito à uma ligação, e claro que não liguei para minhas irmãs. Então sei exatamente quem está aqui. Quando saio da sala, vejo Mya com os braços cruzados, só pela cara dela percebo que quer arrancar meus cabelos. — Acho que vou voltar... estou mais segura presa do que do lado da Mya.— Tento voltar para onde vim, a mulher segura meu braço. — "Me meti em problemas, Mya. Venha até a delegacia."— A loira bate o pé no chão.— É sério isso? Você fala apenas isso e desliga na minha cara. — Lembrando que estamos numa delegacia, você não pode me bater. — Tenho vontade de dar na tua cara, até você criar juízo. — Já te falei que o único...— Mya tapa minha boca. — Não é hora para suas brincadeiras, Angel. — A senhora é responsável pela réu?— O delegado pergunta. — Sou quase babá dessa cabeça oca.— Os dois apertam as mãos.— Sou Mya Saint Laurent. — Sou o delegado Ray James.— Se apresenta.— Podem me acompanhar até a minha sala. Entramos na sala do delegado, a mulher do começo nos acompanha. — Viram o que tinha no computador?— Pergunto impaciente. — Vimos sim, senhorita Cipriano. Agora se sente por favor.— Aponta para as cadeiras na frente da sua mesa. — Não seria melhor esperar as irmãs da Angel.— Mya diz ao se sentar. — Você ligou para minhas irmãs?— Pergunto o indignada. — Claro, você está numa delegacia, e precisa de um advogado. — Confio mais em você... você é quem eu chamaria para me ajudar a esconder um corpo.— Mya passa a mão pelo rosto.— Acho que não foi o melhor lugar para fazer essa referência. — Angel...— Mya me olha com aquele olhar de carrasco.— Fica de boca fechada. Nesse momento a porta é aberta, entrando minhas duas irmãs, uma com a cara melhor que a outra. — O que a Mya faz aqui?— É a primeira coisa que Susan repara. — A Angel me ligou dizendo que estava na delegacia.— Mya diz apenas. — Isso é um assunto de família, Mya não devia estar aqui.— Susan completa. — Foi ela que me avisou da nova confusão que nossa irmãzinha se meteu.— Os olhos de Diana queimam.— Delegado James, não pode manter minha irmã sob custódia sem provas. — A senhorita Angel confessou o crime de agressão, e ainda confessou o delito de furto. — Eu vou matar essa irresponsável.— Susan explode. — Quieta, Susan.— Diana ordena.— Você fez isso, Angel? Jogo minha cabeça para trás dando um sorriso. Diana entende o recado. — Antes que as senhoras se excedam.— O delegado James tenta deixar tudo em ordem.— A senhorita Angel nos deu provas para prender o acusado por pedófilia*, tanto pelo armazenamento quanto compartilhar imagem de menores. — Não precisa me agradecer.— Abro meu sorriso da vitória. — Mas a senhorita ainda tem uma acusação de agressão.— Ele atira um balde de água fria em mim.— Com várias testemunhas e com a sua confissão. — Eu devia estar ganhando uma medalha de cidadã modelo, não sendo lembrada desse pequenos detalhes.— Levanto da cadeira.— Nunca ouviu aquele ditado de os fins justificam os meios. — Isso não existe na lei.— O delegado diz. — Pro senhor estar tendo essa conversa com nós deve ter algum acordo para propôr.— Mya é muito meticulosa. — Exatamente isso. Podem se sentar.— Aponta para minhas irmãs.— O que posso falar é que temos uma investigação em andamento, não avançamos muito, precisaria da ajuda da senhorita Angel. Isso daria um acordo com a justiça, e deixaria o caso ser arquivado. Tudo sempre funciona na troca de favores. — Vocês estão tentando pegar um criminoso de colarinho branco, e precisa da nossa ajuda para entrar na alta sociedade. É isso?— Diana pergunta. — Não posso dar mais detalhes da investigação, até fazermos um acordo.— O delegado olha para mim.— Teríamos sua cooperação, senhorita Angel? — Quer infiltrar alguma policial como modelo nos eventos?— Pergunto. — Estava pensando em algo mais alta classe.— Não gostei do tom dele.— Algo tipo você e um detetive fingirim um namoro. — Eu não namoro...— Me altero.— ... não sou chegada em relacionamentos, todos saberiam que é mentira. — Isso é um assunto sério, Angel.— Susan fala. — A resposta ainda é não. — Angel...— Mya puxa meu ombro.— Você vai ser presa se não aceitar. [...] Que dia de merda*. Vou até o bar pegando uma garrafa de espumante, abro ela e tomo no gargalo mesmo. Preciso de muito álcool para esquecer o dia de hoje. Meu celular começa a tocar, aparecendo na tela o nome da Diana. Enquanto dirigia para casa, ela não parou de me ligar. Diana: Te falei para vir à minha casa, precisamos ter uma reunião. Angel: Hoje eu não tô afim. Diana: Se você não vier, eu vou até a seu apartamento. Angel: Não vai passar da porta. Não quero conversa mais hoje, nos vemos na empresa amanhã. Desligo o celular. Tudo que não quero agora é ouvir sermão da Diana, ou Susan gritando igual uma histérica. Tiro minhas roupas, caindo na piscina completamente nua. Fico ali pensando em nada, até meu celular tocar novamente. Diana não desistiu ainda? Ao pegar o celular vejo que é uma chamada de vídeo da Mya. Angel: Olha só minha amiga desnaturada. Mya: Você sabe que abandonei tudo para ir até a delegacia essa manhã, mas tive que voltar. Tenho uma empresa pra comandar. Angel: Me deixou sozinha na cova dos leões, e ainda se diz minha melhor amiga. Mya: Você não faz o estereótipo coitadinha... e porque estou vendo seus s***s*? Angel: Estava nadando nua, me ajuda a pensar. Mya: Nem vou perguntar da onde tirou isso. Angel: Não sabe que os maiores artistas tem as melhores ideias quando estão nus. Mya: Chega das suas ideias, Angel... apenas siga o combinado. Angel: Está bem... te amo, meu gatinho preto. Mya: Te amo, meu golden retriever. Desligo a chamada. Eu estava encurralada, mas isso não significava que meu futuro amorzinho teria uma vida fácil. *Não esqueçam de comentar bastante.
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