Olho meu rosto no espelho, vou precisar de um pouco mais de maquiagem para cobrir meu mau humor. Já dormi à mais do que podia, e não pude ir na academia.
Não é fácil manter uma b***a* gostosa.
Começo meu dia fazendo o meu skin care, ajeito meu cabelo do jeito que gosto e vou para a maquiagem. Não gosto de nada básico, não dispenso meu batom escuro e olhos marcados.
Sou vaidosa pra c*****o*.
Atrasada sim, mau arrumada nunca.
Quando termino minha maquiagem, observo a grande gostosa que sou.
Agora vamos para a roupa, por trabalhar no mundo da moda e propaganda, sou muito vaidosa. Amo maquiagem, roupas, sapatos.
Pode me chamar de fútil, eu não ligo.
Desço para a garagem, olho todos os carros que tenho aqui... A maioria herdei do meu pai, ele era colecionador de relíquias automobilísticas, como o próprio dizia. Ele os deixou em testamento para mim, porque compartilhamos a mesma paixão. Quando dirijo algum deles, sinto como se meu pai ainda estivesse comigo.
Escolho a Ferrari vermelha, assim anúncio que estou chegando e coloco pavor nos meus funcionários.
Outra das minhas paixões são os carros, além dos que eram do meu pai, tenho uma fortuna em modelos que gosto. Dinheiro nunca foi problema para minha família. Somos donos da maior conglomerado de empresas ligados à indústria business na cidade de Los Angeles.
Eu sou responsável pela parte de publicidade e propaganda da empresa, sou a melhor no que faço. A maioria das marcas paga milhões para terem suas campanhas feitas por mim.
Ao estacionar na minha vaga, percebo que estou vinte minutos atrasada. Meus saltos fazem barulho enquanto ando pelo estacionamento até o elevador.
Hoje não vou escapar de uma conversa com a Diana. Sei que eu me meti nessa sinuca de bico, e no final aceitar o acordo era o mais razoável a fazer. Nunca concordaria em abafar o caso igual minhas irmãs queriam.
O elevador para no meu andar, passo pela sala onde ficam as mesas dos meus funcionários, seguindo rumo ao meu escritório. Posso ver todos ficarem tensos, devem ter aproveitado bastante a minha ausência no dia anterior.
Para no meu do caminho, todos os olhares se fixam em mim.
— Estou com o humor do cão... então trabalhem direito.
Os olhos voltam para a tela do computador.
Entro no meu escritório seguida por Kity.
— Pela sua cara, ontem foi um dia péssimo.— Ela coloca uma bandeja com café e um sanduíche na minha mesa.
— Estavam comemorando que tinham se livrado de mim? Imagino a alegria de todos aqui por se livrarem de mim.
— Fala como se você ligasse pra opinião alheia.
— Não ligo.— Olho para a bandeja.— Está me paparicando?
— Sei que você não come quando está de mau humor, e sei que seu dia foi péssimo ontem.
Kity era minha secretária, e uma das poucas pessoas que aguentava meu humor ácido.
— Me deram duas opções ser presa, ou ter um namorado.— Tomo um gole de café.
— Escolheu ser presa, aposto.— Debocha.
Pra ver como sou avessa à relacionamentos.
— Não tive essa opção.— Suspiro.
— Me explica direito o que aconteceu?
— Consegui incriminar aquele verme, mas não consegui me livrar da acusação de agressão. Então para não ser presa, não ficaria bem com roupa de presidiária, fiz um acordo.
— Achei que o departamento jurídico da empresa ia resolver.
— O departamento jurídico da empresa é bem incompetente.
— Eles não são comandados pela Susan?
— Digo e repito, incompetentes.
— Angel... Angel.
— Comecei a duvidar da inteligência da Susu quando ela se casou... com... com...— Tenho que suprimir meu ranço.— Aquele projeto de homem.
— Você fica pior ainda quando está braba.
— Já sei, Kity. Essa minha boca de sacola só me mete em roubada.— Pego o sanduíche.— Preciso arrumar algo para fazer fora daqui, tenho certeza que daqui a pouco Diana vem encher meu saco.
— Estão fazendo um ensaio na praia, as fotos devem começar em meia hora.
— Prepare-se para sair.
Fugir de problemas não era o meu jeito de agir, mas queria evitar uma discussão com Diana que sabia que ia acontecer. Por mais que tentássemos à todo custo manter uma imagem de família perfeita e unida, nosso relacionamento era bem difícil pra não falar coisa pior.
Então iria passar o dia fora, evitando esse encontro desagradável.
Eu e Kity vamos para o ensaio que está acontecendo na praia. Lembro que se deixei todo o ensaio programado, vai ser uma campanha de jóias, como é uma coleção de safiras e prata, achei que uma vibe sereias modernas combinava.
E escolhi as modelos à risca, todas negras* e pedi especificamente para fazer tranças nos cabelos dela com jumbo platinado. Deixando ela com mais aparência que saíram de um conto de fadas.
Tenho que dizer que sou conhecida como o anjo caído de Los Angeles, meio que fizeram uma ligação entre meu nome e personalidade. Para quem não sabe, o único anjo caído é o próprio Lúcifer.
Meus funcionários sabem que sou chata pra c*****o* com o trabalho, se as coisas não saem como quero, tem que refazerem tudo. E quase sempre não sai do jeito que quero. Sou muito perfeccionista com o trabalho, por isso cobro tão caro, e sou tão procurada.
Todas as campanhas que faço, os produtos vendem igual água.
De longe avisto as coisas da equipe montadas. É bem difícil andar de salto na areia, mas vou manter meu look impecável.
Quando o pessoal do ensaio me vê, seus rostos entram em pânico. Vou direto para o computador, passando as fotos do ensaio, eles já tinham feito algumas fotos.
Então todas horríveis.
— Eu passo um dia fora, e vocês desaprendem a fazerem o trabalho.— Dou um longo suspiro.— Refaçam tudo.
— O que a senhora que que seja mudado?— A mulher que era responsável pela ensaio pergunta.
— Tudo... a única coisa que fizeram certo foi o cabelo, que deixei especificado nos mínimos detalhes.— Coloco uma mecha do cabelo atrás da orelha.— Comecem pela maquiagem, quero bastante brilho, algo lúdico.
Todos se apressam para começar do zero, isso vai levar bem mais tempo do que o planejado. Não posso deixar eles sem supervisão.
— Se soubesse que ia passar o dia na praia, tinha trazido um biquíni pra pegar um bronze.— Pego uma bala de morango, colocando na boca.
— Gostei da ideia das tranças com o jumbo prateado, acho que vou fazer.— Kity me entrega uma coca zero.
— Ficaria lindas com elas.— Digo pegando a coca.
O ensaio demorou mais do que imaginava, já era final da tarde quando voltei para o escritório. Como só tinha que enviar alguns emails, dispensei Kity.
Quando entro no meu escritório encontro Diana sentada em minha cadeira, conhecendo minha irmã, ela deve ter passado o dia me procurando para dar uma bronca. Deito no sofá que tenho na sala, sem nenhum ânimo para essa conversa.
— Pelo que lembro o pai e a mãe ensinaram a não invadir o espaço privado dos outros.
Ouço o som dos passos da Diana chegando mais perto, ela senta no outro sofá.
— Você passou o dia fugindo de mim, Angel.
— Já sei uma por uma as palavras que você vai dizer, e não tô nem um pouco afim de escutar.
— Isso não é brincadeira.— Seu tom aumenta.
— Sei que não é, tanto que concordei com essa palhada. Todo mundo que me conhece um pouco sabe que não gosto de relacionamento, vão mesmo acreditar que apareci com um namorado do nada.
— Eles tem que acreditar, você tem que fazer acreditarem.
— Não me lembro de ser atriz.
— Se você não cooperar pode ser presa... acha que quero ver minha irmã caçula na prisão.
Solto uma gargalhada debochada.
— Se eu não te conhecesse até diria que está preocupada comigo.— Sento no sofá.— Mas sua preocupação é com o nome da família, de estar envolvido em algum escândalo.
— Sempre faço o que julgo melhor, o que nosso pai faria.
— Papai ia gostar muito de saber que suas filhas queriam encobrir um pedófilo*.— Cuspo as palavras com asco.
— Eu ia tomar as providências necessárias, mas você agiu sem pensar.
— Diana... sinceramente não quero ouvir suas desculpas ou argumentos, essa história já foi resolvida. E não se preocupe vou cumprir minha parte no acordo.
— Você não pode ficar saindo com todo mundo, agora que supostamente vai namorar.
Sempre tive uma vida s****l* agitada, e agora teria que entrar em celibato forçado.
— Faça isso pela memória do pai, e pela nossa mãe.— Diana joga sujo.
— Denovo usando chantagem emocional, sempre quando as coisas ficam complicadas você usa nossos pais.
— Cada um usa as armas que tem.
— Está bem Diana, vou agir como um verdadeiro anjinho honrando meu nome.— Levanto indo para minha mesa.— Agora tenho um trabalho pra terminar.
— Não esqueça que amanhã vamos para a delegacia.— Fala já da porta.
— Está bem, Diana.
Sento na minha cadeira dando um suspiro, amanhã daria adeus pra minha vida noturno.
Tenho pena do meu futuro namorado, vou infernizar a vida dele.
*Não esqueçam de comentar e adicionar a história à biblioteca.