11

1258 Words

Aurora não dormiu naquela noite. Ficou deitada de costas, com o cabelo ainda solto sobre o travesseiro, e passou os dedos pelo próprio quadril, no lugar exato onde a mão dele batera. Não doía. Não deixara marca. Mas ela sentia aquele lugar como se sentisse uma cicatriz — uma coisa que já sarou por fora e continua aberta por dentro. Ele a batera como se ela fosse dele. E o pior não era o tapa. O pior era que ela não fizera nada. Não recuara. Não gritara. Não levantara a mão. Ficara parada como uma boneca, e depois subira no colo dele quando ele mandou, e o beijara de volta quando ele a beijou. E gostara. Gostara do colo. Gostara do cabelo sendo solto. Gostara do polegar dele passando pela sua nuca como se ela fosse uma coisa que ele apreciava ter. Eu não sou o seu salvador. Ela repeti

Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD