Ela estava no jardim quando a criada veio chamá-la — sentada no banco de pedra, com o livro aberto no colo, o sol batendo nas páginas. Fazia duas semanas que ela passava as tardes ali. Duas semanas de rosas malcuidadas, do anjo sem asa e da janela fechada no alto do muro, que ela já aprendera a não olhar mais de tão raro, porque olhar para uma janela que nunca se abre cansa depois de um tempo. — O Don quer a senhora no escritório — disse a criada. — Agora. Aurora fechou o livro sem marcar a página. --- Ele estava de pé, desta vez. Não sentado atrás da mesa, não lendo documento nenhum. De pé, junto à janela, com as mãos nos bolsos e o olhar voltado para fora — para o jardim, percebeu Aurora, com um sobressalto que ela escondeu bem. Para o banco de pedra onde ela estivera sentada até doi

