Ajuda

1675 Words
Dois dias depois... De manhã bem cedo, as coisas na igreja estavam muito mais agitadas do que o normal, parecia que todos os cidadãos de Pilgrim estavam reunidos em um local só. Muita gente se voluntariou para ajudar e servir aos necessitados, muitas barracas com itens que as pessoas doaram estavam por ali, todos de graça, e os necessitados iam passando pelas barracas e escolhendo os itens. Entre os organizadores estavam Ethan e Evelline, tentando arrumar umas mesas enquanto Noêmia e outros recepcionavam algumas pessoas que iam chegando. O lugar está em um clima de união, as pessoas se ajudam com muita v*****e. Um pouco cansada depois de arrumar muitas coisas por horas, Evelline se senta um pouco em um banco e descansa. Ethan chega perto dela e oferece uma garrafa d'água, que ela aceita e dá um bom gole. Ethan se senta também, observando as pessoas chegarem e sendo atendidas. - Sabe, eu esqueci de mencionar isso, mas uma das melhores coisas de morar aqui em Pilgrim, é que as pessoas são muito caridosas. - disse Ethan. - É, isso é verdade. - Evelline respondeu. Ela repara como Ethan parecia um pouco mais leve vendo as pessoas que tinham perdido tudo, recebendo doações e recebendo apoio e solidariedade de todos ali. - O que aconteceu na colina não foi culpa sua, Ethan. Ele fica com o olhar cabisbaixo e responde: - Não tem como eu não me sentir responsável por isso. - Perdi um parente naquele dia, eu sinto o que maioria das pessoas aqui estão sentindo, e eu posso dizer com certeza, só enxergamos um culpado nessa história, e ele não é você. - Você sabe sobre mim... sobre os meus poderes. - Você não controla ainda. Se você estivesse lá, provavelmente você seria só mais um dígito pra contagem de mortos. Ele abaixa a cabeça, pensativo. Evelline toca ele no ombro, sorrindo, e diz: Você já é um herói por estar aqui, dedicando o seu tempo e a sua energia à pessoas que você nem conhece, pessoas que precisam exatamente daquilo que você tem a oferecer no momento, e não de super poderes. Eles se olham sorrindo, e uma troca de olhares mais intensa começa a fazer os dois a se aproximarem mais, e Evelline diz: Você já é o meu herói. Ela dá um beijo na bochecha dele e se levanta indo pra dentro de um salão, e rindo. Ethan fica corado, e acaricia a bochecha. - A reunião vai começar em alguns minutos, você vem? - ela convidou, falando de longe. Ethan avistou Jarbas conversando com algumas pessoas na porta de entrada, então respondeu: - Eu já te alcanço. Ele se levantou e foi caminhando até Jarbas que também o viu de canto de olho, então ele pede licença por um instante e vai até o encontro de Ethan, e eles se cumprimentam com um aperto de mãos. - Bom ver você aqui, Ethan. Bom ver que você está muito melhor do que a última vez que eu te vi. Ethan fica um pouco incomodado, e pergunta: - Ninguém comentou nada com o senhor? - Comentaram, sim. - E o que você pensa sobre isso? Jarbas ri, e toca Ethan no ombro. - Venha comigo. Os dois subiram algumas escadas até uns andares vazios, e ficaram observando as pessoas de uma janela. - O que você vê, Ethan? Sem entender aonde ele queria chegar, Ethan respondeu: - Vejo pessoas. - Então você vê tudo. - Como assim? - Perguntou o que eu penso sobre isso, mas a pergunta certa é: o que você pensa sobre isso? - Não tive muito o que pensar disso, as pessoas no auditório olhando pra mim super assustadas já me disseram o bastante sobre esse assunto. Até agora algumas delas preferem não passar no mesmo corredor que eu. - Uma reação natural, ninguém tá acostumado a ver um colega a beira da morte receber poderes de repente e se recuperar do nada. - Falando assim... - Ethan ri. - Então eu te pergunto de novo, o que você pensa sobre isso, meu jovem? Ethan fica reflexivo, e responde: - Eu não entendo porquê eu. - Por que não você? - Está fazendo umas perguntas muito difíceis, senhor. Jarbas riu de novo, com um semblante feliz. - Você é o melhor e maior gênio da tecnologia que eu conheço, potencialmente o cara mais inteligente dessa cidade, e ainda tem dificuldades pra responder isso? - ele falou rindo. Ethan continuou confuso. - Antes de receber esses poderes, você saltou na frente de uma bala para salvar uma pessoa. Já parou pra pensar que essa pode ter sido a razão pra você ter sido o escolhido entre bilhões de pessoas para isso? - Muita gente já fez e é capaz de fazer isso, pastor. - É aí que você se engana. - A Mary é minha amiga, qualquer um se sacrificaria para salvar um amigo. - Ainda está se enganando, filho... não é um laço de amizade que encoraja o sacrifício, mas sim o amor. Não se engane, o amor é dádiva extremamente rara. - Isso ainda não me convence. - O que você sentiu quando aconteceu a explosão na colina? Revolta? Ethan ficou quieto, só refletindo. - Culpa, primeiramente. Mas você não está culpando o responsável por aquela explosão, mas a si mesmo, por não ter feito nada para impedir aquilo. - Como pode saber disso? - Está escrito na sua testa. Além do que, eu já vivi muitos anos, a maioria deles foram muito sombrios, então eu reconheço uma luz quando vejo. Ele toca o peito de Ethan com o indicador e explica: - Não é o que você é por fora que te tornou digno de receber esse presente, mas o que você é por dentro. O amor é o que dá cor nesse mundo cinza, e as pessoas precisam mais disso. Eles sorriem um pro outro. - Então você não acha bizarro o fato de que eu tenho poderes? - Achar eu até acho. Mas não acho que seja uma coisa r**m, já que está nas mãos de um cara do bem. Jarbas conseguiu deixar Ethan muito reflexivo, e vendo que mais pessoas estavam chegando, ele se despede dizendo: - Preciso atender os próximos convidados. Jarbas sai, deixando ele ali sozinho. Nos quarteirões ao redor da área da igreja, a polícia fazia rondas procurando por qualquer atividade suspeita, sendo supervisionados por Courtney Lee. A detetive estava elétrica, enviando mais patrulhas para ronda a cada cinco minutos, o que deixou o delegado Histol incomodado, e ele foi até o escritório dela, que tinha tantos papéis colados no quadro que não era nem mais possível ver o quadro em si. - Quando você me pediu para supervisionar a ronda, achei que você fosse pegar mais leve. Os policiais estão exaustos, têm sido dias difíceis em Pilgrim. - disse Histol. Courtney desvia a atenção de seu quadro por um instante e olha para ele. - Estou tentando manter aquele evento o mais seguro que eu posso. - disse ela. - É improvável que o Ensurdecedor vá aprontar alguma gracinha agora, ele acabou de atacar. - Você acredita mesmo nisso? - Nosso trabalho não é baseado em crenças, mas em fatos, na realidade. - Já imaginou tomarmos outro susto com outra bomba explodindo e matando centenas de pessoas naquela igreja? Histol não falou nada, ele só saiu da sala e encostou a porta. De volta ao evento, Ethan anda entre umas barracas e acha um colar que chamou sua atenção. Era uma corrente prata com um pingente redondo cheio de pedrinhas brilhantes. Ele perguntou para um homem que tomava conta daquela barraca se ele podia pegar aquele colar, e o homem deixou. Em seguida ele foi direto até Evelline, estava conversando com algumas pessoas, ela se virou para ele, e reparou que Ethan estava com as mãos nas costas. - Ethan? O que foi? - Tem um minuto? - Claro. Eles se afastaram um pouco das pessoas, e Ethan mostrou o que tinha nas mãos, uma caixa com o colar. - É lindo! - Evelline ficou boquiaberta. - Combina com você. Ela segurou a caixa e a abriu, admirando o colar. Ethan tirou o colar da caixa e mostrou pra ela. - Posso? - ele pediu. Ela acenou com a cabeça e se virou de costas para ele, afastando o cabelo da nuca, e ele colocou o colar no pescoço dela, em seguida Evelline se vira, admirando ainda mais o colar. - Obrigada. Eles trocam olhares, até que de repente as pessoas começam a entrar no salão e a tomar seus lugares. - Melhor sentarmos logo, não é? - Tem razão. Eles tomaram seus lugares na primeira fileira, e logo todos se acomodaram e o pastor Jarbas subiu em um palco com um microfone na mão. Ele olha em volta, encarando todo mundo, e então começa a dizer: - Cidadãos de Pilgrim, é uma honra muito grande receber cada um de vocês aqui hoje. Infelizmente nós choramos pela perda das nossas pessoas queridas, que agora descansam em um lugar melhor. Nos reunimos aqui hoje para prestar socorro emergencial para as pessoas que sofreram mais do que perdas familiares naquele incidente terrível, queremos dividir a nossa esperança e... De repente todos ouvem uma janela quebrando e Jarbas é atingido em cheio por um tiro no ombro, e ele cai no chão. Imediatamente Ethan e Evelline subiram no palco para acudir ele, e as pessoas entraram em pânico. A porta da frente se abriu, e vários capangas dos Purificadores começaram a cercar o lugar, impedindo as pessoas de entrarem ou saírem. Do meio deles, surge Patrick Sandim, acompanhado pelo brutamontes de olhos cinzas e Silas Sandim sendo carregado em outra cadeira e amarrado nela. - Esperança não existe, pastor. - disse Patrick, sorrindo. As pessoas tentavam correr, mas não tinha saída. Patrick olhou bem pro palco e viu Ethan, então ele abriu um sorriso e com os olhos vermelhos, ele diz: - Oh, a quanto tempo não nos vemos, Ethan...
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD