Capítulo 63 "O Eclipse se foi só resta eu... com vontade de você ". A música pulsa como um segundo coração, abafado, íntimo, e vibra por debaixo da minha pele. Sinto a batida nos ossos, nos nervos, no ventre. A cadeira onde estou sentada vibra também, como se fosse parte da música — ou de mim. Estou vendada. E essa venda, fina, macia, mas opressora, me prende mais do que deveria. Tudo ao meu redor é som, cheiro e calor. Perfume amadeirado, álcool caro, suor. Há algo denso no ar. Um cheiro de gente viva. De corpo quente. De luxúria. Euforia feminina me cerca, gargalhadas, gritos, suspiros. Eu não queria estar aqui. Eu não deveria estar aqui. — Confia em mim — foi o que Betânia disse antes de me vendar. — É teu aniversário. Você precisa viver. Viver. Uma palavra que me escapa faz tempo.

