capítulo 28

1281 Words
Na manhã seguinte, Marina acordou com o coração inquieto, latejante — a ansiedade parecia correr por suas veias. Em poucas horas estaria no aeroporto esperando seus pais… com Erick ao seu lado. A simples ideia já fazia sua mente virar um caos. O que eles iam pensar? O que ela diria? Ela nunca havia levado alguém para conhecer oficialmente seus pais. Phillipe, sim, mas aquilo não conta — era outra vida, outro mundo. Erick era o primeiro homem que ela escolhia. Que ela queria apresentar. E esse pensamento só fazia seu estômago revirar ainda mais. A mãe provavelmente reagiria bem — tinha ficado eufórica ao telefone na noite anterior, quase deixava transparecer que já imaginava mil possibilidades. Mas Patrício… Ah, Patrício. Ela já conseguia visualizar as perguntas, as ameaças veladas, aquele jeito severo de observar tudo. — d***a… por que eu fui abrir minha boca grande? — reclamou baixinho, afundando a cabeça no travesseiro. A porta do banheiro se abriu, e Erick saiu apenas com uma toalha na cintura. Pingos de água ainda escorriam por seu peito. — Bom dia, minha dorminhoca — murmurou, depositando um beijo lento no topo da cabeça dela. — Pedi pra trazerem o café da manhã. Não sabia exatamente do que você gostava, então pedi um pouco de tudo — explicou com naturalidade, sentando-se ao lado dela. — Restaurante chique, karaokê e agora café na cama? Você tá me mimando demais — brincou, puxando-o para um selinho demorado. — É bom ir se acostumando — respondeu ele, divertido. Minutos depois, Erick ajeitou a bandeja sobre as pernas dela e serviu uma xícara de café. — Que horas seus pais chegam? — perguntou, tomando um gole. — Daqui a algumas horas… — resmungou ela, bebendo o suco de maracujá como se fosse um calmante. — Você realmente quer que eu vá com você? — a voz dela saiu baixa, carregada de nervosismo. Erick ergueu o rosto. — Você não quer que eu vá? — perguntou direto. — Não é isso, eu… — ela tentou explicar, se enrolando. — Você não quer que seus pais saibam de nós? — A pontada de incômodo na voz dele era impossível de ignorar. Marina sentiu o peito apertar. Sem pensar, o puxou para um abraço tão repentino que quase derrubou a bandeja. Beijou-o com urgência, como se precisasse apagar qualquer sombra de dúvida. — Nunca pense isso. Nunca. — E roubou outro beijo, mais firme. Respirando fundo, ela confessou: — Eu só estou nervosa. Vai ser a primeira vez que me veem ao lado de um homem… que não seja Phillipe. Erick sorriu de um jeito que desmontava qualquer medo. — Relaxa. Agora eles vão saber que o seu amor sempre fui eu. Ela corou e apenas assentiu, com o coração leve e cheio. Depois do café, trocaram beijos e carícias que facilmente teriam evoluído para mais… mas o horário não permitia. Horinhas depois, estavam no carro rumo ao aeroporto. Marina tremia de ansiedade; suas pernas não conseguiam ficar quietas. Erick, por outro lado, parecia feito de mármore: tranquilo, sereno, até rindo da tensão dela. — Como você tá rindo? Era pra você estar nervoso! — ela reclamou, indignada. — Nervoso por quê? Eu só vou buscar quem colocou no mundo a mulher que eu amo — respondeu simples, deixando-a completamente sem ar. Coincidentemente, chegaram no exato instante em que o avião pousou. Marina avistou os pais e correu até eles. Abraçou Miranda forte, recebendo o carinho acolhedor da mãe, que também puxou Erick para um abraço exagerado para o jeito dele. Ele ficou sem graça, mas retribuiu. Quando Patrício abraçou a filha, olhou Erick de cima a baixo. Erick sustentou o olhar com uma postura impecável, inabalável. O estômago de Marina despencou. — Doutor Vegas — Patrício cumprimentou, estendendo a mão. Erick apertou firmemente. — Vejo que levou a sério o que eu pedi. Isso é bom — comentou o patriarca. Erick lançou um sorriso cúmplice para Marina, que corou violentamente. — Era minha intenção desde o início. Foi a melhor decisão que tomei — afirmou. Miranda percebeu a troca e sorriu radiante. Patrício, porém, não entendeu nada — e antes que perguntasse, Miranda desviou o assunto e pediu para Erick ajudar com as bagagens. No caminho, Patrício encheu Marina de perguntas sobre a empresa — para sua sorte, nada sobre Erick… ainda. Chegaram à mansão, e Erick se comportou com cortesia impecável. Patrício o convidou para o almoço, e ele aceitou com um sorriso discreto. Miranda, percebendo que o marido já se preparava para “conversar” com Erick, agilizou: — Vamos tomar um banho, comer, e depois vocês conversam — decretou, salvando-os temporariamente. Quando ficaram a sós, Erick olhou para Marina com um sorriso torto, completamente entregue ao deboche carinhoso. Ela riu e o beijou. — Vem, vou te mostrar a casa — disse, enlaçando o braço dele. Mais tarde, a mesa estava posta com o prato favorito de Patrício: costelas de carneiro. — Gosta de carneiro, Erick? — perguntou Miranda, curiosa. — Gosto sim — respondeu educado. — Então prepare-se. A Cordélia é a melhor — garantiu Patrício. O clima estava surpreendentemente leve. Marina respirava um pouco melhor. — E a viagem? — ela perguntou. Miranda iluminou-se. — Maravilhosa! Dubai é um sonho. Vocês precisam conhecer. Erick olhou para Marina com um daqueles olhares que prometiam mundos. Patrício pigarreou alto. A atenção voltou para ele. — Erick, vou ser direto. Não gosto de rodeios — disse. Marina congelou. Era agora. — Quais são suas intenções com a minha filha? Erick respondeu sem hesitar: — As melhores possíveis, senhor. — Então estão juntos? De verdade? — Estamos. Em um relacionamento sério — confirmou, firme. Miranda comemorou como uma criança, batendo palmas baixinho. — Eu sabia! — disse radiante. Patrício respirou fundo, avaliando Erick mais uma vez. — Certo. Mas se fizer algo que machuque minha filha… você não vai gostar do que sou capaz. Erick sustentou o olhar. — Não há motivo para preocupação. Sua filha é o que tenho de mais valioso. A resposta pareceu satisfazer o patriarca, que voltou ao prato. Miranda, porém, começou um interrogatório animado sobre a vida de Erick. Ele respondeu tudo com paciência e educação. Após o almoço, Miranda arrastou os dois para a sala e começou a mostrar fotos antigas de Marina — bebê, criança, pré-adolescente. — Mãe! — Marina tentava esconder as fotos, mas era impossível. Erick ria a cada imagem, achando tudo adorável. — Era tão fofinha… sinto saudades dessa fase. — Miranda suspirou. — Já podem me dar um neto logo, viu? Marina ficou vermelha na hora. Erick soltou um sorriso torto que fez sua alma fugir do corpo. Miranda ainda comentou sobre seus problemas de ovário, contou histórias antigas, e Erick ouviu tudo com genuíno interesse. Quando já era quase três da tarde, chegaram as despedidas. Erick recebeu outro abraço forte da matriarca — e uma promessa de visitá-los novamente. Patrício o chamou para jogar golfe algum dia, e ele aceitou com naturalidade. Quando saíram da garagem, Marina soltou o ar que estava prendendo há horas. — Acho que deu tudo certo — disse, sorrindo aliviada. — Parece que sim — Erick respondeu, tranquilo. — Quem diria que minha mãe fosse gostar tanto de você… Ele riu, olhando rápido para ela e voltando a atenção à estrada. — Você acha? — É impossível não gostar de você — sussurrou, corando. Erick segurou a mão dela, levando-a aos lábios num beijo lento. — Meus pais também iriam amar você… do mesmo jeito que eu amo. As palavras o deixaram vulnerável — e a fizeram derreter inteira. O coração dela bateu tão forte que parecia querer sair do peito.
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