Os paramédicos já seguiam para o elevador com a maca quando Erick deu dois passos para acompanhá-los. Mas algo o fez parar. Não foi som. Não foi movimento. Foi sensação. Aquela presença. Aquele peso invisível queimando entre as escápulas. Como se alguém estivesse sorrindo dentro da própria sombra. Erick sabia reconhecer ameaça. Não era medo. Era instinto. Ele virou o rosto levemente — apenas o suficiente. Phillipe ainda estava ali. No meio do escritório devastado. A gravata torta. O cabelo desalinhado. O ar de quem tinha atravessado uma guerra — e gostado. E aquele sorriso. Pequeno. Inclinado. Sabedor. Um sorriso que dizia: Eu vi seu ciúme. Eu senti você perder o chão. O sangue de Erick gelou. Depois ferveu. Por um segundo — só um — o médico desapareceu. Ficou o homem

